Empresas energéticas nunca ganharam tanto

A inflação média anual não baixa: +8,6% em Abril. Os preços da alimentação continuam a aumentar: +17,2% só num ano. Os preços do gás e da electricidade subiram +69% para as famílias, os preços combustíveis aumentaram entre Março de 2021 e Março de 2023 mais de 42%. Enquanto isso, os enormes lucros da EDP, GALP e REN subiram ainda mais em 2023: mais 204% no primeiro trimestre de 2023.

Uma das campanhas de manipulação da opinião pública em curso tem sido convencer os portugueses de que os preços estão a diminuir e a economia a crescer. Para isso distorcem-se dados e ocultam-se outros. Neste estudo, com dados oficiais (INE, Eurostat, relatórios de empresas) vamos dar um retrato verdadeiro da realidade.

O gráfico 1, construído com os dados divulgados pelo INE em Abril de 2023, mostra que a inflação média anual continua a resistir a baixar e a inflação média anual apenas referente a produtos alimentares e bebidas não alcoólicas continua a aumentar. O efeito do propagandeado “Iva Zero” tem sido também, na prática, “Zero”.

Contrariamente à ideia que vários “media” fizeram passar junto da opinião pública, entre Março e Abril de 2023 a inflação média anual praticamente manteve-se igual (8,7% em Março e 8,6% em Abril) e a inflação anual dos “produtos alimentares e bebidas não alcoólicas” aumentou de 16% para 17,2%. E mesmo a inflação total anual não traduz, com verdade, a realidade. E isto porque o INE considera que a despesa com a alimentação representa apenas 21% da despesa total mensal de cada família. Se esta percentagem aumentar para 40%, que deve estar muito mais próxima daquela que a maioria das famílias gastam com a alimentação do seu orçamento familiar, a inflação actual anual de 8,6% subirá para um valor muito próximo dos 9,5%. O Eurostat confirma a subida de preços em Portugal em Abril de 2023, como revela o gráfico 2, mostrando mesmo uma aceleração entre Janeiro e Abril de 2023 (+3,4%).

O quadro 1, com dados oficiais da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) revela que a subida dos preços dos combustíveis foi muito maior nos preços sem impostos, aqueles que revertem na totalidade para as empresas, do que nos preços dos combustíveis com impostos, embora, à primeira vista, pareça impossível.

Como revelam os dados da DGEG do quadro 1, entre Março de 2021 e Março de 2023, o preço de um litro de gasolina 95, sem incluir impostos, aumentou 42,6% (em euros, +0,253€) e o preço de venda ao público, com impostos, subiu 7,9% (em euros, +0,122€). E durante o mesmo período, o preço de um litro de gasóleo, sem impostos, aumentou 47,7% (em euros, +0,283€) e com impostos subiu 12,7% (em euros, +0173€).

A parcela do aumento dos preços que reverteu para as empresas foi muito maior do que a que reverteu para o Estado. Empresas e Estado foram beneficiados com o aumento dos preços dos combustíveis, mas o aumento para as empresas, tanto percentualmente como em euros, foi maior do que para o Estado. Uma concussão contrária àquela que tem sido veiculada pelas empresas e seus defensores.

Entre o 2º semestre de 2021 e o de 2022, os preços dispararam (+70,1% no gás e +69,4% na electricidade).

Os enormes lucros vão aumentar em 2023

Em 2022, as três grandes empresas do sector da “energia” (EDP, GALP e REN) obtiveram 2162 milhões de euros de lucros e no 1º trimestre de 2023 os lucros obtidos por elas foram superiores em 204,3% aos que tiveram em igual período de 2022, o que revela que no ano de 2023 ainda serão maiores dos que em 2022. E o Governo e fiscalização nada fazem para pôr cobro a esta sobreexploração dos portugueses.

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