Lula e Bolsonaro: almas irmãs

Sectores mais isentos da sociedade brasileira, os 30% não envolvidos na radicalização e divisão ideológica que o país vive, começam a concluir que, efectivamente, a eleição presidencial teria de qualquer maneira um resultado negativo para o país.
Bolsonaro construiu uma derrota improvável, pois vinha fazendo um bom governo, na economia, na gestão, no controle da corrupção. Recuperou as empresas do Estado de imensos prejuízos. A Petrobras, por exemplo, estava entre as três maiores dívidas do mundo e, ao final de seu governo, entre as três mais lucrativas entre as petroleiras.
Mas foi vencido pela arrogância e ignorância. Sobretudo a insegurança de conviver no círculo mais íntimo com pessoas de melhor nível social e cultural. Governou cercado de filhos, todos medíocres, no mínimo, e militares suboficiais. Formou uma boa equipa ministerial, mas de relações formais e protocolares. Meteu os pés pelas mãos em dois sectores essenciais: saúde e educação. Mas apenas no campo conceitual, pois deu a gestão sem implicações ideológicas. Na saúde, por exemplo, foi infeliz nas intervenções na pandemia, resistiu de início às vacinas, negou-se a ser vacinado, desrespeitou o uso de máscaras e o isolamento, chegou a ironizar com a pandemia denominando-a de “gripezinha”. Entretanto, com atraso de poucas semanas, fez o Brasil exemplar na vacinação em todo o país e forneceu os recursos aos estados e municípios. Levado pelo deslumbramento com o cargo, brigou com os “media” e a justiça, além de ter sido um desastre nas relações internacionais.
Lula, mais esperto e experiente, quase não fez campanha, pois o opositor cuidava de semear polémicas. Teve a brilhante ideia do vice-presidente com credibilidade no centro, larga experiência e duas vezes governador de São Paulo. O vice de Bolsonaro nunca disputou uma eleição de síndico.
Lula no governo está a ser um desastre administrativo, político e com um ultrapassado viés ideológico. Claro que não vai dar certo. Deslumbrado com os bons ventos do destino que o tirou da cadeia para a Presidência da República, vem tentando um protagonismo internacional que roça o ridículo e a farsa. O mundo começa a acordar para esta realidade. Macron, que em represália a Bolsonaro o exaltava, já se afastou e no Dubai chegou a criticá-lo. Biden é outro que constatou que Lula na Ucrânia é pró-Putine e simpático ao Hamas. Agora, na ameaça de uma invasão de Maduro à Guiana, chegou ao cúmulo de pedir um entendimento entre os dois países.
Os investimentos estão em queda e há a percepção de que este ano haverá violação do orçamento e incerteza na economia. Mesmo cedendo espaços para parlamentares, as dificuldades permanecem em relação à pauta ideológica.
Os 38 milhões de eleitores que se abstiveram ou votaram branco ou nulo mostram a dimensão da rejeição ao então presidente e ao seu opositor.
As próximas eleições, as municipais, agora em 24, e as gerais, em 26, devem acabar com estes dois polos nefastos para o país. Inacreditável que um país como o Brasil tenha chegado a este ponto, de ter dois líderes de tão baixa qualidade.
Ambos os segmentos do pensamento, esquerdistas e liberais, têm quadros mais preparados para retirar o Brasil da crise que este governo está a criar. O primeiro passo foi dado com a volta à cena política do deputado Aécio Neves, neto de Tancredo e bem testado governante do Estado de Minas Gerais. ■

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