Não serviu para ministro, como pode servir para primeiro-ministro?
O país prepara-se para eleições. Os partidos desmultiplicam-se em reuniões, compõem as listas de candidatos, enumeram os seus princípios, analisam a situação de Portugal e dos portugueses, elaboram os seus programas, desfilam as promessas que vão resolver tudo.
Os partidos da oposição apontam os erros do Governo deposto, criticam o partido que governou, apontam caminhos alternativos.
Seria de esperar que o partido que governou louvasse a acção dos seus governantes, justificasse as suas opções, enaltecesse as reformas que levou a cabo, mostrasse a obra feita e o quanto Portugal está melhor depois do seu governo.
E se o partido que governou não tivesse feito qualquer reforma importante? E se não houvesse obra feita? E se Portugal estivesse bem pior?
Nesse caso, o partido que governou teria que rapidamente comprar votos, aprovando aumentos de reformas, atribuindo subsídios, desbloqueando carreiras, enfim, fazendo nos providenciais quatro meses que Marcelo Rebelo de Sousa lhes deu aquilo que não fez nos anteriores dois anos desta legislatura ou nos anteriores oito anos em que foi Governo. E assim fez o PS.
O partido que governou teria também de desviar as atenções e justificar o seu falhanço com os actos injustos dos outros: um parágrafo malvado que levou a uma demissão, ou uma precipitação do Presidente da República na dissolução da Assembleia. E também foi assim que o PS se justificou.
Mas os portugueses têm que saber que as coisas não aconteceram assim.
O Governo caiu porque teve 14 demissões em menos de dois anos de governação. Caiu porque muitas dessas demissões aconteceram por processos graves com a Justiça. Caiu porque o último dos múltiplos escândalos aconteceu nas imediações do próprio primeiro-ministro, envolvendo o seu pessoal mais próximo. Enfim, o Governo caiu porque era mau, porque o seu recrutamento não foi feito na Academia, ou entre os notáveis da sociedade civil, ou entre os que dirigem ou representam as empresas e as instituições com prestígio. O recrutamento foi feito no aparelho do partido, dando ideia de que cada nomeação foi um prémio de carreira partidária.
António Costa não conseguiu constituir um bom Governo e o preço que pagou foi ter feito uma péssima governação: ficará para a história como o pior primeiro-ministro de sempre, com menos realizações, sem qualquer reforma digna desse nome e com uma destruição massiva dos serviços públicos, desde a Saúde, até à Educação, à Habitação e à Justiça.
Eis que agora surge Pedro Nuno Santos, que foi demitido por António Costa um ano antes por incompetência. Pedro Nuno descreve melhor que ninguém a situação do país deixado por Costa: um país a arrastar os pés.
Mas com a habilidade de um contorcionista, e com o ímpeto que o caracteriza, vai resolver os problemas do país:
– Aquele que ultrapassou linhas vermelhas e se associou a partidos de extrema-esquerda, que numa conjuntura internacional perigosíssima como a actual defendem a saída de Portugal da NATO, da CE e do Euro.
– Aquele que ia reformar a ferrovia, mas os portugueses nunca sabem se vai circular o comboio de que precisam e para o qual têm bilhete.
– Aquele que era contra a privatização da TAP, injectou-lhe 3,1 mil milhões de euros dos portugueses, para afinal ser privatizada e por um terço daquele valor.
– Aquele que se esquece quando não lhe convém, seja uma autorização para uma indeminização de valor muito discutível, seja a compra de acções dos CTT.
– Aquele que de repente decidiu comunicar a construção de dois aeroportos, numa solução que uma comissão técnica independente viria a classificar como não indicada e financeiramente desastrosa.
São muitos os exemplos que mostram o potencial destrutivo deste homem.
Pedro Nuno não serviu para ministro. Como pode servir para primeiro-ministro? ■




