O Polvo do Sistema (PS)

O Estado Novo caiu e com ele o Império e a utopia de uma Nação multicontinental e multirracial, mas não podíamos imaginar como o sistema evoluiu. As boas intensões de “liberdade e democracia” do golpe militar do MFA (Movimento das Forças Armadas) rapidamente evoluíram para um Processo Revolucionário em Curso (PREC), consequência natural de muitas dezenas de anos de subversão comunista na clandestinidade. O Partido Socialista (PS), refundado um ano antes com o apoio da sua internacional, era a oposição possível. Ainda hoje me surpreende como foi possível sofrermos tanto atraso em tão poucos meses. Mas nesse tempo o povo reagiu, por vezes com violência, e com os militares do “grupo dos nove” em 25 de Novembro evitou-se uma guerra civil comunista em preparação. Cunhal desistiu e negociou a sobrevivência do partido, mas ficou “o caminho para o socialismo” institucionalizado e assim nasceu o “Polvo do Sistema”.
O PPD de Sá Carneiro e a Aliança Democrática (AD) procuraram outros caminhos com algum êxito e foi possível uma década (85/95) de aproximação económica à Europa.
Mas o Partido Socialista (PS) volta ao poder com Guterres e Sócrates, e o “polvo” volta a crescer com o seu socialismo estatizante, estendendo os seus tentáculos à estrutura do Estado e a tudo o que mexe, controlando assim a sociedade civil. A consequência foi a ameaça de 3ª bancarrota e o pedido de ajuda financeira à “troika” de credores e suas exigências para equilibrar as contas públicas. O povo não confiou em Sócrates para gerir o seu memorando de entendimento e escolheu a coligação dirigida por Passos Coelho (PPC), que a levou a bom termo. Recomeçámos a crescer.
Nas eleições seguintes, apesar dos violentos sacrifícios que sofremos, a coligação de PPC voltou a ganhar, mas com maioria relativa e António Costa, para salvar a pele, “inventa” um golpe que o leva ao poder com o apoio da extrema-esquerda e foram mais oito anos de propaganda, ilusionismo e manipulação da verdade, ou mesmo mentiras e quase estagnação económica, por não governar e apenas gerir a conservação do poder e criar dependência do Estado. A corrupção agravou-se apesar dos organismos criados para a combater, aos quais houve o cuidado de não dar condições para que funcionassem. Demitiu-se por “indecente e má figura” e o Presidente convoca eleições antecipadas.
O povo está zangado, muito zangado com o estado a que isto chegou, com a Função Pública em desagregação geral e a sociedade traumatizada com tantos “avanços” fracturantes. O polvo cresceu tanto que chega a todo o lado. Travá-lo é essencial.
Tornámo-nos numa sociedade dominada pelo Medo. Medo de não parecermos progressistas e fomos a favor da morte e contra a vida e a família que o Papa Francisco tanto critica. Medo da austeridade e fingimos que “a culpa é do Passos” e que virámos a página da austeridade, mas sabemos que perdemos poder de compra. Medo da pandemia, fechámo-nos em casa (sabíamos que o SNS estava um caos) e a economia afundou. Medo que os fundos europeus acabem e nem os temos sabido aproveitar.
Diz-se que somos uma sociedade muito envelhecida e dependente do Estado e, por isso, com medo de mudanças indispensáveis. Os nossos avós estão certamente muito preocupados com o futuro de filhos e netos, e desejando que voltem para Portugal, para junto dos seus.
A sociedade tem de ser capaz de recuperar a liberdade e independência do Estado, para produzir riqueza, única forma de sair do buraco em que nos metemos ou nos meteram. Não temos verdadeira liberdade de escolha, apenas aceitamos ou recusamos o que as direcções partidárias impõem. O número de independentes incluídos nas listas partidárias tem sido no passado um bom indicador. Não os “verdadeiros independentes” das listas de PNS, tão independentes que logo que escolhidos se tornam militantes socialistas, por exemplo M. Temido.
Que vençam soluções equilibradas, credíveis, não extremistas, a pensar no bem comum para o presente, mas também para o futuro. O povo e não o “polvo” é quem mais ordena. ■

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