BRUXOS. Há uma semana, só se ouvia a frase batida: “tudo é possível”. Subitamente, na segunda feira, toda a gente acertou nas previsões do resultado do dia anterior. “Eu bem dizia”, perorava um. “Eu já sabia”, jactava-se outro. “Era óbvio”, sentenciava um terceiro. Pelos vistos, todos tinham adivinhado quem ganharia a primeira volta da eleição presidencial e quem seria mais penalizado – mas até Domingo guardaram o segredo muito bem guardadinho. É preciso ter lata.
O CRIADOR E A CRIATURA. Toda a gente acha que Luís Montenegro foi o grande derrotado por ter decidido apoiar um candidato perdedor. Não digo o contrário. Mas não vejo ninguém a recordar que quem inventou Mendes como putativo candidato presidencial, quem passou anos a trazê-lo nas palminhas e quem manobrou por ele, num discreto mas persuasivo ‘lobbying’, foi precisamente quem agora diz que “é altura do silêncio”: Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa. Estão esquecidos ou não convém lembrar?
BONIFRATES. Para além das grandes vitórias e das grandes derrotas, mais uma vez ficou à mostra a escandalosa discrepância entre o tempo de antena da extrema-esquerda e a sua real importância. Durante semanas fomos massacrados com reportagens, entrevistas, painéis e debates sobre pseudo-candidatos que representam, todos juntos, menos de 6% dos votantes (mais precisamente, 5,73%). Os quatro figurões da extrema-esquerda (Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto e Pestana da Silva) mereceram, no total, os votos de 258.321 eleitores – menos do que a população de Vila Nova de Gaia. A isto se reduz o radicalismo marxista português, que ocupa diariamente horas e horas de televisão. Foi ver estes bonifrates, durante semanas, com ar de estadistas, a botar faladura, com os porta-microfones engalfinhando-se em zaragata para lhes fazerem pseudo-perguntas às quais eles pseudo-respondiam. Um deles, o Sr. Pestana, recebeu menos de onze mil votos! Estarei a ver mal, ou esta fantochada tem de acabar na comunicação social?
GANHÁMOS! O descaramento da tribo da extrema-esquerda fechou a eleição com chave de oiro, todos cantando vitória, sorrisos de orelha a orelha, abraçando-se emocionadamente, com direito a “declaração final” e a apaniguados agitando bandeirinhas para as TVs. Quem desligasse o som e não soubesse os resultados, ia pensar que tinham ganho as eleições com maioria absoluta.
EXÓTICO. O abandalhamento que foi feito da eleição presidencial está bem exemplificado num dos candidatos unipessoais: o Sr. Manuel Vieira, lídimo representante da estúrdia charrada de Lisboa. Apesar da sua insignificância, a comunidade político-mediática portuguesa andou com ele às cavalitas, conseguindo mesmo mobilizar as atenções da imprensa de esquerda europeia: o The Guardian, que adora fenómenos exóticos em países do Terceiro Mundo, publicou-lhe a “biografia” (digamos assim) e deu ao pobre palhaço asas para ganhar, cá na pasmaceira, mais uns cobres a fingir que tem graça. Rebéubéu, pardais ao ninho!
AMBIÇÃO. Mais uma vez, aquele rapaz algarvio de ambição desmedida voltou a dar com os burrinhos na água. Estava na cara que, depois de um espanhol e de um grego, a vice-presidência do Banco Central Europeu não podia vir para um português: as expectativas de nórdicos e bálticos, há muito refreadas, teriam de ser agora satisfeitas (como foram esta semana, com a eleição de um croata). Mesmo assim, Mário Centeno andou meses a induzir toda a gente em erro com a propaganda de uma candidatura que não tinha qualquer hipótese. Para quê? Para continuar a ver o seu nome badalado cá na paróquia? Ai, se o ridículo matasse!




