A tirania mesquinha das ciclovias

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2021

Em Barcelona, como em Bruxelas ou Lisboa, três cidades que tive a oportunidade de visitar neste mês, vive-se uma pequenina tirania com requintes de malvadez, de entre todas as tiranias mesquinhas e quotidianas que os regimes liberais nos presenteiam.

Como todas as tiranias do mundo moderno, é daquelas tiranias disfarçadas de boas intenções. 

Em cada uma destas cidades pode-se presenciar umas linhas marcadas no chão das estradas e ruas, com tracejados mais ou menos marcados, intermitentemente pontilhados pela figurinha de um homenzinho numa bicicleta. Chamam-lhe ciclovias, mas se falarem com os taxistas destas cidades eles provavelmente responderão, em diferentes línguas e sotaques, que se trata de facto de umas valentes cachaporradas.

Esta tirania mesquinha das ciclovias, algumas delas pintadas em lugares tão remotos ou inacessivelmente elevados que até um profissional da Volta a Portugal pousaria o pézinho no chão para carregar a bicicleta pelas cangostas acima, ocupa faixas da via pública e faixas da paciência pública.

Os ciclistas, alçados à classe de veículo a motor, conduzem as suas biclas pelas ciclovias e pelos passeios, metem-se nas vias comuns, atravessam vermelhos, atropelam as pessoas normais nas passadeiras, trinta por uma linha. Têm todos os privilégios dos motores e todos os privilégios dos pedestres e mais alguns pós de nobreza. Já o resto da escumalha que tem de ir para o trabalho a pé ou de carro tem de se render à superioridade racial dos velocípedes e de todos esses autênticos deficientes mentais nas câmaras municipais das cidades europeias que pregam este novo evangelho da bicicleta, que é como quem diz, as cidades pertencem agora às monomanias ecológicas e aos elitismos bacocos dos desempregados privilegiados e já não às pessoas normais.

Já não há paciência. 

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Os casos de covid aumentam mas a mortalidade proporcional diminui. A grande maioria das pessoas infectadas leva vidas normais, num mundo onde já não faltam meios de tratamento, vacinas, certificados disto e daquilo, máscaras assim e assado.

Depois de dois anos a brincar às charadas e a fazer todos estes sacrifícios desmesurados, todas estes remédios piores que a maleita, já está na hora de voltar ao normal.

Está na hora de acabar com as limitações às viagens e com os requisitos de testes e certificados que se amontoam sobre as pessoas que querem ou precisam de visitar ou passar pelo nosso país. Estrangeiros e portugueses. Acima de tudo, acabar com os ridículos localizadores que se pede às pessoas para preencherem sempre que cá põem os pés. ■