Climaníacos de pacotilha

Há cerca de 10.000 anos houve grandes transformações no clima (Europa e Ásia), a temperatura subiu, os gelos fundiram-se e o clima tornou-se quente e seco.
A transformação climática por essa altura foi de tal forma drástica que os animais de clima frio desapareceram e surgiram novas espécies vegetais e animais. O habitat das populações transmutou-se, ficando assim reunidas as condições para que os homens abandonassem as grutas e melhorassem substancialmente a sua forma de vida, deixando de ser itinerantes para se tornarem sedentários. O clima foi definitivamente o factor determinante para o aparecimento das comunidades autónomas agropastoris, e o estilo de vida da humanidade mudaria para sempre.

Um pouco de História.

Os primeiros pequenos grupos de homens e mulheres que habitavam por essa altura a Península Ibérica viviam em comunidades que partilhavam entre si os abrigos, a comida, os utensílios e os perigos. Para se protegerem do frio e dos animais ferozes refugiavam-se em grutas e outros abrigos existentes nas rochas. As peles de animais também serviam para se vestirem. Estas comunidades viviam da pesca, da caça, e da recolecção.
Rezando a História desta forma, coloca-se a questão que nos obriga a reflectir: se as comunidades recolectoras por todo o planeta sobreviviam exclusivamente com as dádivas da natureza, a que se deveram estas profundas alterações climáticas?
Não foram certamente por acção humana. Não existiam combustíveis fósseis, nem efeito de estufa, nem muito menos poluição atmosférica. Tudo era idílico, puro, descontaminado e natural. Ainda assim, a temperatura subiu exponencialmente, deu-se o degelo, ao ponto de ditar o fim de espécies vegetais e animais existentes, determinando a radical e definitiva transformação na forma de vida das populações humanas.
Como se explicam, então, estes fenómenos de metamorfose climática ocorridos no tempo dos dinossauros, esses enormes bichos ancestrais, cobertos de escamas que povoaram a terra durante milhões e milhões de anos, e que de repente seguiram a via da extinção? A única explicação plausível será certamente sustentada por causas naturais, incontornáveis e cíclicas da dinâmica terrestre.
*
Actualmente, assistimos com frequência a recorrentes distúrbios da paz social promovidos pelos designados “activistas” do clima que colocam o ónus da culpa das alterações climáticas unicamente na pegada humana, e com isto, destroem obras de arte, obstruem o trânsito, colam-se a aviões, causam danos a bens da propriedade alheia, lançando o caos inconsequente, com o aval dos Media, em nome de uma causa maior, salvar o planeta.
Estes movimentos desagregadores e histéricos, na sua maioria patrocinados por partidos políticos de esquerda, encerram em si um espírito de conflito revolucionário, populista e não reformista.
Nada mudará, climaticamente falando, com jovens exacerbados a destruírem montras ou a cortarem o trânsito, enquanto trabalhadores labutam diariamente e pugnam por chegar a tempo ao seu local de trabalho. A História já se encarregou de reduzir à irrelevância, os anarquismos e as visões libertárias que inspiram, pela sua espectacularidade, espíritos mais inquietos e pouco capazes de contribuir para as soluções.
Ao invés, apenas despertam sentimentos negativos e chocantes, inflamando opiniões e comportamentos. Poderiam, eventualmente, movidos pelo seu espírito diligente, recorrer a outros meios mais ortodoxos, como já outros jovens fizeram de forma astuta e admirável, para expressar as suas apreensões; contudo, perante a sua incapacidade de participar no sistema democrático, optam pelo caos e pela desordem social.
Qual o limite e para onde nos transportarão estes radicalismos demagógicos que não levam a lado nenhum, nem conduzem a nenhuma solução? Qual o patamar seguinte em nome de uma causa que em grande parte nos transcende? Não se salva o planeta com cólera, demagogia e destruição.
É séria e preocupante a politização das alterações climáticas, transformando-o no novo apocalipse, sendo que algumas figuras avançam nos seus discursos aterradores, com datas definitivas para o fim do mundo. Sempre existiram pregadores apocalíticos que no curso da História, desde a queda de Roma, aos eclipses do Sol, atemorizavam tudo e todos, e no processo amealhavam uns cobres e dominavam mentes.
O fim dos tempos, a escatologia, sempre esteve presente no pensamento coletivo das sociedades. Aparentemente, a predisposição natural para a destruição mitológica do presente afigura-se como uma necessidade e um estranho desejo de rompimento com a ordem das coisas, em troca de um amanhã, supostamente, melhor.
Os artifícios apocalíticos recorrentes revestem-se de gráficos, estudos e amostras, instrumentos de uma versão manipulada da ciência, que pretendem demonizar a nossa atividade humana, manter-nos todos em sentido, e afirmam categoricamente que o fim está próximo e que todos iremos perecer. As alterações climáticas serão as carrascas para mortes dolorosas e lancinantes, cujo réu é o capitalismo do Ocidente.
O Planeta está a aquecer? Está. Os padrões climatológicos tradicionais estão a alterar-se? Estão. Estão a acontecer desastres naturais? Estão. Todos estes fenómenos já acontecem desde há milhões de anos, são cíclicos. Só assim se explica, por exemplo, o afloramento de granitos com milhões de anos, de aspecto liso e arredondado, fruto da acção do último período glaciário, que existem no alto da Serra da Estrela.
A histeria escatológica com que se vive a modificação climática é tão perigosa quanto as alterações climáticas: os povos conflituam, as populações sobrevivem com temor, terror, nervosismo e ansiedade em relação a um inimigo invisível e iminente.
Desde o australopithecus ao homo sapiens, sapiens, o ser humano já deu provas da sua extrema capacidade de adaptação e de superação, quando sujeito a ambientes ou habitats díspares e desfavoráveis. Estou crente que mesmo em cenários dramáticos a espécie humana tenderá a perdurar e a ser resiliente; todavia, colocam-se em questão contextos e cenários que são difíceis de prever, nomeadamente os que envolvam más intenções sob o jugo da manipulação científica ou engenharia genética, que poderão constituir sérias ameaças à nossa continuidade neste planeta.
Em condições ditas normais de procriação, tal como os grandes dinossauros há milhões de anos atrás perderam as escamas e se transformaram em aves de pequeno porte e coloridas, também o ser humano se adaptará a novas condições de sobrevivência e assegurará a continuidade da espécie.
Serão os argumentos conscientes e os largos consensos humanistas de uma sociedade civil forte, vibrante, exigente e fiscalizadora, que nos salvarão, e nunca os ditames demagógicos do COP28, e muito menos as atitudes cirúrgicas e despóticas de revolucionários oportunistas de pacotilha! ■

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimos artigos