É isso aí, meu irmão… Vamo seguindo!

0
755

O Brasil foi a votos este fim de semana. Cabia a mais de 156 milhões de eleitores decidir o destino do país para os próximos quatro anos. De um lado o actual presidente, Jair Bolsonaro, militar de formação, com posições muito polémicas e contestadas relativamente ao Covid, minorias étnicas e dependentes do Estado, muito mais preocupado com a economia do que com questões ambientalistas ou de género. Do outro, Lula da Silva, ex-presidente, ex-presidiário, condenado em processos crime de corrupção e solto por uma decisão muito contestada (e que alguns dizem comprada) do Supremo Tribunal Federal, que fez da tolerância e do ambiente as grandes bandeiras de campanha.

As clivagens entre ambos eram tão grandes que não se tratou de um processo político, antes de um processo de intenções e de carácter. O povo brasileiro tinha, por isso, um grande dilema: ou votava no execrável, intolerante e misógino (no dizer dos seus opositores) Bolsonaro, ou no corrupto, analfabeto e incompetente (pela boca dos bolsanaristas) Lula da Silva. Nunca esteve em causa a política, o político ou o Brasil. Apenas e tão só o homem e um balão de ensaio sociológico que a comunicação social nacional e internacional fizeram por amplificar.

Sabemos hoje que, num país onde o voto é obrigatório (daí uma abstenção que ronda apenas os 20%) e que conta com mais de 53 milhões e meio de eleitores analfabetos ou que não concluíram sequer o ensino fundamental, foi Lula da Silva quem saiu vencedor da contenda. Ainda que por margem mínima (cerca de 2 milhões de votos), mas será o petista a governar o Brasil. O respeito pela vontade dos eleitores e a aceitação do primado da democracia que quem tem mais votos vence (válido para todos menos para a esquerda portuguesa), não nos coíbem de tecer algumas apreciações críticas. Não à pessoa – é o menos importante – mas a um sistema que permite o cabecelato governativo, não em função da competência, das ideias, dos programas, mas de preferências pessoais, como se um concurso de misses se tratasse.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas •