Fernando Negrão em Setúbal: A nossa Democracia precisa de alternância

O candidato autárquico do PSD em Setúbal, em declarações a O DIABO: “A nossa Democracia, principalmente a sul do País, necessita de alternância para adquirir mais vitalidade, de mais liberdade para atenuar o controlo e a manipulação, de mais modernidade para podermos vir a estar à altura das melhores cidades médias da União Europeia. As pessoas já começaram a perceber, como se tem vindo a constatar pelos resultados das eleições nos últimos anos” – afirma

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Vai encabeçar uma lista do PSD à autarquia de Setúbal. Ainda está a negociar uma nova AD? Que partidos gostava de ter a apoiar a sua candidatura?

O PSD concorrerá sem alianças com qualquer outro partido político, uma vez que pretende apresentar ao eleitorado de Setúbal um programa próprio orientado pelo pensamento social-democrata, no qual a economia, o emprego e a justiça social são pilares fundamentais para uma efectiva qualidade de vida.

No anúncio da candidatura disse: “vou ser candidato por Setúbal. Uma velha luta, retomada agora, para fazer de Setúbal uma cidade onde muitos querem trabalhar e viver”. Foi candidato em 2005 a Setúbal, e em 2007 em Lisboa. O que o levou a recandidatar-se neste momento?

O trabalho autárquico é um trabalho de proximidade no qual, com a participação de todos, é possível criar coesão social e maior justiça social, através de uma acção concertada nos problemas existentes e nas soluções mais adequadas.

Foi sempre minha vontade ter esta oportunidade e na terra onde vivo há 60 anos.

E, por isso, de novo aqui estou e agora a pôr à disposição de Setúbal a experiência de uma vida.

PS e PCP lideram a autarquia desde o 25 de Abril. É tempo de mudar?

É, de facto, tempo de mudar. Quem fez e faz a sua vida neste concelho sabe que agora Setúbal ou dá o salto para a modernidade e para o desenvolvimento sustentável, com quem não esteve comprometido com responsabilidades autárquicas até agora no concelho ou, então, o marasmo regressará à cidade e ao concelho, com o sério risco de ser aqui criado mais um anexo de Lisboa.

Quais as suas prioridades para o concelho, caso vença as eleições?

Tem que começar com a criação de instrumentos virados para a atracção de empresas para o concelho com vista à criação de riqueza e de emprego. Reorganizar a cidade, criando melhores soluções para o trânsito e mais soluções para o estacionamento. Apoiar o desenvolvimento – turismo, agricultura e indústria – com a sustentabilidade e o ambiente como chapéu. Começar a fazer um planeamento novo, de modo a recuperar o espírito de bairro e em cada um ter as soluções para as necessidades mais imediatas (uma creche, uma farmácia, uma mercearia, um ginásio).

É deputado há vários mandatos, ocupando-se, nomeadamente, das questões de Justiça. Actualmente é vice-presidente do Parlamento. Essa experiência é uma mais-valia para ir liderar uma autarquia?

Ocupando-me das questões da segurança, de apoio social na sequência da experiência adquirida como Ministro da Segurança Social e das funções exercidas, designadamente como director-geral da Polícia Judiciária e da liderança em inúmeras comissões na minha acção na Assembleia da República, o conhecimento da “máquina do Estado” adquirida ao longo de anos e, por fim, a experiência adquirida enquanto vereador na Câmara de Setúbal, durante um ano, e na Câmara de Lisboa durante dois anos.

Passar do poder legislativo a um executivo é um desafio?

É mais um desafio que é feito consciente de que estou para ele preparado, de que quero levá-lo a cabo e de que para ele me sinto preparado.

Quais são as principais riquezas do concelho?

A principal riqueza do concelho é a sua diversidade, uma indústria forte e criadora de emprego, um turismo a fazer o seu caminho e com potencialidades para muito mais, um espaço rural com vinhas de alta qualidade e queijos únicos. E, acima de tudo, a sua população que quer mais desenvolvimento e emprego, mais atenção ao ambiente, à qualidade de vida e mais justiça social.

Preocupa-o um Verão quente em matéria de incêndios?

Quanto aos incêndios, é preciso continuar a insistir na prevenção e a fazer o que foi começado, bem como apoiar e estar atento às necessidades dos nossos bombeiros.

Está politicamente activo há muitos anos. Qual foi o seu percurso?

Fui Juiz de Direito durante 18 anos em vários locais do país, designadamente em Setúbal. Fui director-geral da Polícia Judiciária. Fui e sou deputado, com intervalos para o exercício de funções como o de Coordenador Nacional de Combate à Droga, Ministro da Segurança Social, da Família e da Criança e membros de várias organizações internacionais.

Para além disso fui vereador na Câmara de Setúbal durante um ano e na Câmara de Lisboa pelo período de dois anos.

Vive em Setúbal e é deputado por Setúbal. Como avalia a prestação de Maria das Dores Meira (PCP) nos seus três mandatos em Setúbal.

Foi uma presidente dedicada, com uma ideia para a autarquia, que soube dar alento à população para acreditar no seu concelho, que fez os dois primeiros mandatos com energia que se foi esbatendo no terceiro, pois, como é normal em democracia, ao fim de alguns anos a mudança começa a fazer-se sentir e a ser mesmo uma necessidade

Como está a saúde da nossa Justiça?

A Justiça em Portugal não está bem, sofre dos mesmos problemas de toda a nossa administração pública, que sabemos vasta, mas sem qualidade para dar respostas eficazes aos problemas.

Quando se quer fazer do Estado o monopólio da relação com os cidadãos, o resultado é a desvalorização dos seus funcionários e a degradação dos seus serviços.

Como está a saúde da nossa democracia?

A nossa democracia, principalmente a sul do País, necessita de alternância para adquirir mais vitalidade, de mais liberdade para atenuar o controlo e a manipulação, de mais modernidade para podermos vir a estar à altura das melhores cidades médias da União Europeia. As pessoas já começaram a perceber, como se tem vindo a constatar pelos resultados das eleições nos últimos anos.

Tem algum animal doméstico?

Dois cães!

As férias são passadas em Portugal ou no estrangeiro?

No estrangeiro, porque é lá que temos os nossos filhos, na esperança que voltem o mais breve possível. ■