As Forças Armadas vão ficar reduzidas a Mestres e Doutores?

As Forças Armadas vão ficar reduzidas a Mestres e Doutores?

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BRANDÃO FERREIRA

A coisa vem de trás. Começa aí por meados dos anos 80 do século passado. Os fumos de “glória” do 25 de Abril já se tinham ido há muito, tendo a Instituição Militar saído completamente ferida e rebaixada da Descolonização e do “PREC”. O 25 de Novembro ficou a meio (ou nem isso) e as feridas levam tempo a sarar. Algumas nunca saram. As Forças Armadas ficaram de mal consigo próprias e com a Nação. E esta com aquelas. Nunca ninguém quis admitir isto.

Extintas as escolas industriais e comerciais – erro imperdoável que ainda não foi reparado – quis fazer-se de toda a gente um licenciado numa área qualquer. Pois não temos todos nós direito a tudo e não somos todos iguais? Está, até, na Constituição… Como entretanto o Ministério da Educação implodiu e foi sendo ocupado por sucessivas vagas de gente dificilmente adjectivável, a qualidade do ensino e dos professores; a disciplina nas escolas; a avaliação; a estabilidade dos programas e dos compêndios, da pedagogia, e as próprias infra-estruturas, caíram a pique. Deixou de haver escola para haver choldra.

Daí para cá, poucas melhorias houve, apesar dos sucessivos orçamentos de novos-ricos atribuídos ao sistema – um poço sem fundo, muito à custa do orçamento da Defesa e Segurança…! Parece que rendia votos e apaziguava consciências. Por isso é risível (se não fosse trágico) a tão apregoada qualidade das actuais gerações que brotam do sistema, baptizadas, sem água benta, das “mais bem preparadas de sempre”! Apregoam isto com ar sério e não dei conta, até agora, de nenhum filho d’algo que o rebata. Entretanto, o “negócio” do ensino disparou, sobretudo nas áreas das ciências sociais (que só exigem “papel e lápis”), sem que os poderes do Estado o tentassem regular, assistindo-se apenas a uma inquinada discussão ideológica sobre o ensino privado e o público…

*

O ensino militar, apesar de tudo, resistiu muito melhor (pondo de lado o que se passou nas escolas militares em 1974/75…). Afastados das lides culturais e até dos avanços na guerra convencional, por via das longas campanhas contra-subversivas no Ultramar Português entre 1961 e 1974, foi preciso um esforço de reconversão enorme logo que a estabilidade institucional se foi ganhando a seguir aos eventos ocorridos em 25 de Novembro de 75. Esse esforço fez-se e foi notável. A Força Aérea (FA) e a Marinha recuperaram mais facilmente do que o Exército. A FA porque teve um notável Chefe de Estado-Maior (o General Lemos Ferreira) que impôs uma dinâmica difícil de imitar; a Armada porque foi o Ramo menos afectado pela guerra e porque manteve sempre uma presença e ligação à NATO. O Exército por ser o Ramo mais causticado pelo conflito e pelo PREC; por ter um número de efectivos superior; ser tecnologicamente mais atrasado e, até, por dominar menos a língua inglesa, teve mais dificuldade em “dar o salto”.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
  • Teixeira.net

    Um general Americano disse uma vez algo como isto:
    “Nós não teríamos de entrar em guerra com ninguém se tivéssemos meios de obrigar o inimigo a fazer aquilo que nós queríamos que ele fizesse”.

    O general pôs o dedo na ferida: A associação que fazemos, não há séculos mas há milénios, entre a guerra e o exército e respectivas armas, que evoluíram, claro, é tão grande que não imaginamos outras maneiras/”modus operandi” de as fazer.

    É curioso que os antigos consideravam imoral, armas como o Arco e flecha que matava á distância não dando a oportunidade de defesa como dava o combate com espada ou corpo a corpo.

    Depois, entre uma Espada ou Catapulta e um F-16 ou F-22 Raptor ou um míssil Terra-Ar (“Surface to air”) ou SS (Surface to Surface), ou ICBM (“Inter Continental Balistic Missile”), ou Sistemas de Defesa Anti-Míssil como os Patriot PAC III, SM3 ou os mísseis Cruise Sub-sónicos, Helicópteros, Satélites de Comunicações, Submarinos e toda uma panóplia de armas que conhecemos mais ou menos.

    Depois vêm as Armas Não Convencionais, como: Químicas, Biológicas e Nucleares (todas podendo ser transportadas em ogivas de mísseis). Estas são as mais mortíferas e perigosas pela contaminação do ambiente e número de mortos que provocam.

    Mas existem dois problemas: As armas mais devastadoras e eficazes, desde um caça a um míssil nuclear, dependem de tecnologias sofisticadas e muito caras de modo que poucos países as possuem. E Muitas das que possuem não as sabem fabricar.
    O outro problema é o facto de os países militarmente mais fortes têm um nível de armamento (nomeadamente vários tipos de mísseis nucleares, etc,…) que faz com que não se possam confrontar pois destruíam-se mutuamente além de deixar um nível de contaminação muito perigoso. Isto chama-se não existência de supremacia militar. (CONT.).

    • Teixeira.net

      U.S. DEPARTMENT OF DEFENSE

      News Transcript

      DoD News Briefing: Secretary of Defense William S. Cohen
      Presenter: Secretary of Defense William S. Cohen
      April 28, 1997 8:45 AM EDT
      —————————————
      …Others are engaging even in an eco- type of terrorism whereby they can alter the climate, set off earthquakes, volcanoes remotely through the use of electromagnetic waves.
      So there are plenty of ingenious minds out there that are at work finding ways in which they can wreak terror upon other nations. It’s real, and that’s the reason why we have to intensify our efforts, and that’s why this is so important. ……

      (Como se vê o Dep. Defesa está muito preocupado com estas Armas e não parece dispor da sua tecnologia)