Governo paga bem aos Amigos

NOMEAÇÃO DE COMISSÃO EXECUTIVA DO 25 DE ABRIL DEBAIXO DE FOGO Cinco anos e meio a ganhar para “celebrar” um dia

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A nomeação, pelo Governo de Costa, do comentador socialista Pedro Adão e Silva para comissário executivo das comemorações do 50º aniversário do golpe de Estado de 25 de Abril pôs a nu, esta semana, a prodigalidade do Governo quando se trata de pagar aos seus apaniguados e lançou os meios políticos numa acesa polémica.

À direita, o Chega, a Iniciativa Liberal, o PSD e o CDS criticaram a nomeação invocando três razões: a inutilidade de uma contratação a três anos de distância da data a celebrar, e mantendo-se depois por mais dois anos para além dessa data; os honorários principescos atribuídos a Pedro Adão e Silva; e o inequívoco engajamento partidário do nomeado, que frequentemente tem ultrapassado a independência própria de um comentador para se manifestar um defensor incondicional do Governo do seu partido.

“Para que é que é necessário nomear um comissário executivo com toda esta antecedência para comemorações que vão decorrer em 2024 e com o lugar a terminar em 2026?” – perguntou o presidente do PSD, Rui Rio. 

E fez as contas: “Vai ficar ao todo cinco anos e meio, a 4.500 euros por mês, o que dá seguramente mais de 320 mil euros ao todo”. Rio já tinha comentado, nas redes sociais, que “o PS tem os seus ‘comentadores independentes’ espalhados pelos diversos canais para vender a propaganda socialista e tentar destruir os adversários… mas esse trabalhinho tem um preço”. 

Não se sabe bem porquê, António Costa considerou “insultuosas” aquelas declarações e o seu ‘alter ego’ Fernando Medina acusou Rio de “dizer o mesmo que André Ventura”, sem contudo desmentir qualquer dos factos invocados pelo líder ‘laranja’.

Já o presidente do CDS-PP considerou que a escolha do socialista Adão e Silva “insulta os portugueses” e dirigiu-se directamente ao primeiro-ministro: “António Costa, exijo que escolha outra pessoa, de preferência com indiscutível currículo para a função, reduza drasticamente os custos e a duração desta comissão… E tenha respeito pelos portugueses!”.

Numa nota enviada às redacções, Francisco Rodrigues dos Santos afirma: “Num momento em que o país se vê a braços com uma grave crise económica, que coloca em causa famílias e sectores económicos essenciais para a sobrevivência do país, o Governo não olha a meios para promover um dos protegidos do ‘socialistão’, amplamente conhecido enquanto porta-voz da propaganda socialista e comentador da bola, e oferece-lhe um cargo durante seis anos pago a peso de ouro e recheado de mordomias”.

O facto de Pedro Adão Silva ser professor auxiliar do Departamento de Ciência Política do ISCTE, para além de comentador em vários órgãos de comunicação social, como a TSF e o Expresso, serviu ao Presidente da República para considerar, numa tentativa frustrada de apaziguamento, que o nomea-
do é um “respeitado politólogo” e “muito consensual” – embora tenha acrescentado que “sobretudo à esquerda”.

Mas as declarações de Marcelo não conseguiram pôr água na fervura de uma polémica que continuava a subir de tom à hora a que esta edição seguia para a rotativa.

Para além de um elevadíssimo salário ao longo de cinco anos e meio, Adão e Silva disporá ainda de ajudas de custo e de uma vasta equipa de “colaboradores”, igualmente pagos.

Comentando por sua vez a nomeação, o líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, contestou “a nomeação directa” e lembrou as “assumidas ligações partidárias” de Adão e Silva ao PS. Figueiredo criticou a nomeação “sem concurso, sem escrutínio e sem transparência” da Comissão Executiva das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. 

Também André Ventura, líder do Chega, contestou a nomeação numa carta ao primeiro-ministro em que pediu esclarecimentos sobre os critérios que levaram o Governo a escolher Adão e Silva. O deputado afirma na missiva que «não se compreende» o critério da nomeação de um «sujeito com claras ligações ao Partido Socialista», a menos que «o Partido Socialista entenda ser o proprietário da data que se pretende comemorar» e «agente eliminador do pluralismo político e democrático que a ela está subjacente».

Para além da Comissão Executiva, as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril contam ainda com uma Comissão de Honra presidida pelo antigo PR Ramalho Eanes. ■