Finalmente parece que já há uma candidatura à Câmara Municipal de Lisboa (CML) pelo PS.
Foi necessário esperar que tivessem passado mais de três quartos do presente mandato autárquico para se conhecer o rosto da personalidade socialista que irá disputar a presidência do executivo municipal da capital portuguesa que, actualmente, se encontra nas mãos do social-democrata Carlos Moedas, ao que sabemos, concorrerá a segundo mandato à frente do governo da cidade. Restando apenas saber, concretamente quanto a essa matéria, em que moldes se irá apresentar ao respectivo sufrágio local. Isto é, qual a configuração da coligação político-partidária, liderada pelo PSD, que irá suportar as inerentes listas candidatas às restantes autarquias do concelho, designadamente à Assembleia Municipal de Lisboa e às 24 Assembleias de Freguesia da cidade.
Ficámos, assim, a saber na noite da passada, segunda-feira, – mais ou menos sem grande surpresa – que tal candidatura socialista à CML será encabeçada por Alexandra Leitão, actual líder do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República. De igual modo não se sabe ainda qual o modelo concreto dessa e demais candidaturas socialistas às restantes autarquias da cidade. Ou seja, se Alexandra Leitão irá submeter-se à livre escolha dos cidadãos eleitores recenseados no município de Lisboa em listas próprias do Partido Socialista ou em coligação com outros partidos da esquerda (e já agora quais?) e grupos de cidadãos independentes, tal como ocorreu em diversos actos eleitorais para as autarquias locais da capital portuguesa no passado recente.
Seja como for, está, pois, encontrada a segunda personalidade política que poderá, com objectividade, aspirar a exercer o cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa. E, nesse sentido, estão preenchidos os requisitos para nos podermos debruçar com alguma profundidade sobre essa escolha efectiva – o que representa internamente no seu próprio partido –, quais as suas características pessoais e políticas principais e como se compara globalmente ao actual incumbente e seu principal adversário político neste sufrágio eleitoral pela conquista do poder do maior e mais importante município do país.
Feito o enquadramento da questão que esta semana proponho analisar neste espaço de opinião, cumpre dizer que Alexandra Leitão é uma reconhecida jurista, com carreira profissional ligada à academia, nomeadamente enquanto professora na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Conta também com uma vasta experiência política e administrativa, tendo durante a última década exercido algumas funções relevantes. Como já referido, é actualmente deputada à Assembleia da República, tendo sido eleita líder parlamentar da bancada do PS. Anteriormente foi ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública e secretária de Estado Adjunta e da Educação no Governo de António Costa. Percurso este que lhe ofereceu alguma credibilidade técnica no que respeita ao conhecimento do aparelho do Estado e à implementação de políticas públicas.
Não indiferente ao seu relativo reconhecimento público será também o facto de ter passado a pertencer ao painel fixo do programa televisivo de debate político que há mais anos está no ar, embora com diferentes designações e difundido em diversos períodos por diferentes canais de notícias, actualmente na CNN Portugal e denominado “O Princípio da Incerteza”, onde semanalmente se junta a Pacheco Pereira e a Miguel Macedo sob moderação do jornalista Carlos Andrade.
Todavia, do ponto de vista estritamente político, i.e., da acção política que o exercício do seu cargo actual por excelência pressupõe, Alexandra Leitão tem revelado enormíssimas fragilidades, denotando-se com demasiada frequência uma certa tendência para um autoritarismo que se escondia e desconhecia, a par de uma não menos abstrusa presunção de superioridade intelectual e moral, mesmo até em relação ao seu próprio líder Pedro Nuno Santos. De resto, veiculam as más-línguas, haver dentro do PS quem diga em surdina que esta candidatura à CML foi a fórmula que o partido encontrou para se libertar da sua sufocante presença contínua no processo de decisão e condução da estratégia política nacional do partido que lidera a oposição.
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