Ministra da Administração Interna desistiu de ir chorar para os incêndios

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EVA CABRAL

Na segunda vaga de fogos, a ministra da Administração Interna desistiu de vestir o colete da Protecção Civil e de ir chorar para o terreno.

Com Constança Urbano de Sousa recolhida ao gabinete do Terreiro do Paço e ao Parlamento, o CDS continuou na última semana a exigir a cabeça da ministra, enquanto o PSD aproveitou a audição na Assembleia da República para a incentivar a pedir desculpas pelas “falhas do Estado” no combate aos incêndios.

Preparada para o fogo parlamentar, Constança Urbano de Sousa estribou-se na tese do Governo, ou seja, que as falhas do SIRESP não são de hoje, e que já durante o executivo PSD/CDS este sistema de comunicações falhava. A ministra deu mesmo números sobre as intermitências de funcionamento do sistema – 235 horas em 2013. E calou qualquer hipótese de assumir as suas responsabilidades políticas pelos mortos de Pedrógão Grande, e que deviam levá-la a demitir-se, tal como Jorge Coelho fez na tragédia de Entre-os-Rios.

Telmo Correia, do CDS, insistiu na demissão, como o partido já tinha feito antes, e afirmou que a ministra da Administração Interna “falhou redondamente”, não só nos casos de Pedrógão Grande, em Junho, como quanto às suas prioridades de prevenção, nomeadamente na tentativa de controlo dos incêndios no “ataque inicial”.

Já o Bloco – no seu papel de suporte ao Executivo da geringonça – colocou algumas perguntas sobre os custos do sistema, voltou a defender a nacionalização do SIRESP e concluiu ser “inadmissível que, passados 10 anos, continue a falhar”.

Jorge Machado, do PCP, defendeu igualmente a passagem do sistema para o Estado, dado que “nunca funcionou bem nem como devia”. Questionou se não seria de equacionar a utilização, a curto e médio prazo, dos meios dos bombeiros e dos militares.

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