Mão amiga recordou-me recentemente um texto que publiquei há tempo com o título “O manicómio nacional” que começava assim: “O manicómio é o local onde os doidos procuram dizer e fazer o contrário do que dizem e fazem as pessoas normais. Se é assim como penso, Portugal, ao escolher fazer o contrário do que é feito na maioria das democracias ocidentais, está transformado num manicómio. Trata-se do manicómio da TAP, o manicómio das leis de habitação, o manicómio da política ferroviária, do aeroporto, da energia, do funcionamento da Educação, da Saúde e da Justiça. Em todos estes manicómios Portugal está a fazer o contrário do que é feito na generalidade dos outros países europeus”.
Acontece que ao ler o último número do “Expresso”, verifiquei que os portugueses estão muito descontentes com as principais questões do manicómio governativo, que em geral são as que enumerei, sem que a oposição do principal partido, o PSD, mostre ter ainda respostas coerentes para as resolver, nem mostra ter as pessoas capazes de as corrigir. De facto, o manicómio é semelhante nos dois partidos, PS e PSD, devido em ambos surgirem pessoas na opinião pública sem o saber e a experiência capazes de tratarem os complexos problemas da governação. O que pode ser a razão do PSD se esgotar na crítica ao Governo dos casos e casinhos e não tratar com consistência dos problemas que, segundo o “Expresso”, preocupam os portugueses e isso apesar de ter no seu seio pessoas capazes de o poderem fazer.
Por um acaso virtuoso, li também o último número do “Sol” e deparei-me com uma entrevista do ex-ministro do PSD Luís Mira Amaral, que detalha com grande rigor os problemas do manicómio, mas detalha principalmente com extraordinário rigor e sabedoria as soluções para todos esses problemas. Não por acaso, porque Mira Amaral é um dos portugueses mais bem preparados do ponto de vista do conhecimento económico e, simultaneamente, com maior experiência da economia e das finanças nacionais, como da indústria nacional e internacional. Como resultado pensei noutros portugueses com semelhantes qualificações para me espantar, que na sua maioria são pessoas da área política do PSD, que o PSD não usa para falarem daquilo que sabem e das soluções que preconizam.
Acontece ainda que ao procurar no PS iguais qualificações não as encontro, porventura porque durante o último quarto de século, apenas no Governo de António Guterres surgiram governantes com elevadas qualificações, como Sousa Franco, Veiga Simão, João Cravinho, Daniel Bessa, Marçal Grilo, etc.. Depois disso, nos Governos de José Sócrates e de António Costa é um quase vazio, com os resultados conhecidos e foi a partir daí que nasceu o manicómio.
Mas voltando à área do PSD, para além de Luís Mira Amaral, recordo muitos outros nomes como Miguel Cadilhe, Luís Filipe Pereira, Paulo Macedo, Pedro Nunes, Luis Alves Monteiro, Laborinho Lúcio, como muitos outros. Ou seja, o PSD tem na sua área política muitos quadros com experiência governativa e empresarial que hoje faltam ao PS, mas que o PSD não usa e, porventura, pelas mesmas razões. Claro que muitos considerarão que são quadros com uma idade avançada, mas são esses os quadros necessários para tirar o país do manicómio e enquadrar os muitos jovens com qualidade que existem na sociedade portuguesa, ainda que sem a experiência e a sabedoria necessárias.
Assim, quando o Presidente da República não vê o PSD preparado para a governação é sobre isto que está a falar e não está sozinho, há um grande número de portugueses que pensa o mesmo. Recordo que há muitos anos, ao conhecer um dos primeiros governos de Mário Soares, fiquei chocado por ver Salgado Zenha, um advogado, como ministro das Finanças, mas apenas até saber que havia secretários de Estado como Artur Santos Silva e Victor Constâncio. Ou seja, é isto que quero dizer sobre o actual momento político e sobre o PSD, a necessidade de mostrar ao país as soluções que o partido preconiza para resolver os problemas que preocupam os portugueses e usar a qualidade e a experiência acumulada no partido afim de enquadrar uma nova geração de governantes. Porque repetir a impreparação que existe hoje na governação do PS seria um desastre imperdoável para Portugal.
Uma outra questão são os novos partidos à direita do PSD, porque esses não têm os quadros com a experiência necessária, razão das suas políticas surgirem na opinião pública sem a coerência e a sabedoria que garantam contribuir para eliminar o manicómio da nossa vida política. Sendo que o Chega é um problema em si mesmo, porque a sua participação apenas reforçaria o manicómio em que já vivemos, o que facilita a vida ao PS ao mesmo tempo que complica a do PSD. Mas que se resolve mostrando ao país que o PSD tem a experiência, o conhecimento, as ideias, as políticas e os quadros que faltam ao Chega para resolver os problemas que afligem os portugueses. O CDS poderá ajudar, pelo que votar no CDS nas próximas eleições será um passo na direcção certa.
Finalmente, o PSD tem de deixar de concentrar a sua mensagem pública na mera crítica ao Governo de António Costa, que é algo que os portugueses já sabem bem, razão por que estão insatisfeitos. Por isso o PSD tem de desenvolver políticas coerentes para cada uma das preocupações dos portugueses e mostrar que tem gente capaz de o fazer. Por exemplo, é extraordinário que o PSD não trate a política ferroviária, onde o PS põe em causa um dos principais valores da política económica da social-democracia europeia e que é o valor da concorrência no desenvolvimento económico. Quando o PS defende e protege o monopólio da “CP” e da “Medway”, onde está o PSD para defender a ligação ferroviária ao centro da Europa e dar corpo à política ferroviária de intermobilidade da União Europeia?
Após quatorze anos dos Governos socialistas de José Sócrtaes e de António Costa o país está exausto e não existe alternativa política que não passe pelo PSD, razão mais do que suficiente para o partido usar a experiência acumulada para iniciar uma nova estratégia de progresso e de desenvolvimento do país. ■




