Que o Ano Novo nos traga um pouco mais de decência

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O balanço do ano que agora termina resume-se em duas simples (mas terríveis) palavras: “annus horribilis”!

Internacionalmente, para além das catástrofes naturais que voltaram a assolar o mundo, a invasão da Ucrânia foi, e é, o facto mais importante e devastador que ocorreu.

Putin, depois da invasão da Crimeia, que serviu de teste para preparar o 24 de Fevereiro, só possível perante a cobarde, imbecil e estúpida passividade de um Ocidente decadente e complexado de esquerda, prosseguiu a sua cruzada de retoma do antigo Império Soviético, cujo desmantelamento não perdoou e lhe ficou atravessado. Os seus propósitos baseiam-se nas atitudes e justificações de Hitler e de Estaline para os inúmeros e bárbaros atropelos cometidos, seguindo à risca a cartilha dos dois ditadores.

As consequências desta guerra levada a cabo por actos absolutamente condenáveis, sinónimo do terrorismo mais selvagem e cruel possível, que desta feita, felizmente, mobilizou o Ocidente, travando, ou pelo menos adiando, a progressão da conquista russa, ainda vão no adro, isto apesar de se poder desde já quantificar a brutal destruição do país invadido, dos assassinatos e torturas cometidos pelo exército russo e o massacre das populações através da destruição das infra-estruturas vitais, sobretudo durante um Inverno rigoroso – verdadeiros crimes de guerra. Igualmente, no campo económico e social é ainda prematuro prever as verdadeiras consequências desta guerra e o tempo que levará a recuperar. Uma consequência imediata e impensável até ao dia da invasão foi a do pedido de adesão à NATO da Finlândia e da Suécia, algo que os antigos ditadores russos (soviéticos) tinham conseguido travar, o que por si só demonstra a intranquilidade e receio vividos naqueles países.

A nível interno, os oito meses da maioria absoluta do Partido Socialista transformaram-se numa das páginas mais negras da Terceira República.

Para além dos tiques autoritários, diria mesmo ditatoriais, aliás vindos e demonstrados desde há muitos anos por diversos elementos do PS – ministros, deputados, secretários de Estado, autarcas e militantes –, atingindo agora níveis nunca vistos, nem mesmo durante a maioria absoluta de Sócrates, os sucessivos escândalos demonstrativos dos cambalachos, da cultura de “jobs for the boys and girls”, do compadrio, da passividade face a irregularidades gravíssimas e atitudes muito pouco éticas, é de bradar aos céus e factor de grande preocupação a que, ao que tudo indica, infelizmente e para espanto geral, parece não ser a opinião do Senhor Presidente da República. Para o primeiro-ministro, António Costa, nada de anormal se passa…

Jamais o país chegou tão baixo no que diz respeito à falta de Valores. Nunca o país assistiu a tantos exemplos condenáveis vindos das diversas áreas governativas – Autarquias, Governo, etc. – a maior parte directa ou indirectamente relacionados com o primeiro-ministro, António Costa (pessoas da sua “confiança” e bastante próximas), sem que sejam tomadas as adequadas medidas, isto é, a imediata demissão de cada um dos visados e a crítica pública dos actos praticados.

A velha e antiga imagem dos três macacos – cego, surdo e mudo – é o espelho deste des(Governo). Efectivamente, António Costa, o eterno “optimista”, como foi caracterizado pelo Senhor Presidente da República, prossegue, convencido de que é dono da razão, a sua política da desgraça, encapotada por engenharias financeiras que enganam o pagode levando-o a acreditar no abaixamento de impostos, no aumentos de pensões, etc., com o único objectivo de angariar votos e permanecer no poder, não só até ao final da actual legislatura, como eventualmente conquistar de novo o poleiro, isto se não conseguir esconder uma nova situação crítica e, à semelhança dos seus anteriores camaradas – Soares, Guterres e Sócrates – “fugir” e deixar a batata quente para terceiros, que obviamente se tornam presas fáceis para a demagogia e mentira socialistas.

Já não bastavam todas as vicissitudes políticas, nacionais e internacionais, e ainda tivemos que assistir a mais uma decadente e saloia atitude dos nossos governantes ao se deslocarem ao Qatar a fim de assistirem aos jogos da Selecção Nacional. Que o fizessem numa final, ou até numa meia-final, compreendia-se, agora num mero jogo de qualificação, além de ridículo e de esbanjamento dos dinheiros públicos, é sinónimo de uma falta de visão e respeito pela crise que atinge o povo português, só possível por quem não tem o mínimo de consideração alheia.

Este Inverno finalmente trouxe chuva, mas infelizmente mal distribuída, causando inúmeros estragos pelo país, nomeadamente na capital que, exactamente por ser a capital, se tornaram mais mediáticos. Efectivamente, no curto espaço de uma semana, por duas vezes Lisboa viu-se quase paralisada devido às inúmeras inundações que impossibilitaram o trânsito rodoviário, causando milhares de euros de prejuízo, muitas vezes deixando pessoas sem a totalidade dos seus bens.

Desde logo surgiram críticas e o apontar o dedo ao actual Presidente da Câmara, sobretudo vindas das hostes esquerdistas, esquecendo-se de que durante os últimos largos anos a CML foi liderada por socialistas. Pergunta-se: o que andaram a fazer? Então estes problemas surgiram apenas agora? É um final de ano triste em todos os sentidos. Triste face aqueles que perderam tudo nas cheias; triste pelos prejuízos causados; triste porque se constata novamente que a esquerda não perde uma oportunidade para demonstrar toda a sua hipocrisia e cinismo, toda a sua falta de vergonha e de pudor, mesmo que à custa da desgraça alheia – que adoram para desde logo lançarem “n” promessas demagógicas.

E o ano não poderia terminar de forma mais trágica. Refiro-me à condecoração imposta pelo Professor Marcelo Rebelo de Sousa a Amílcar Cabral, antigo líder de um grupo terrorista que assassinou cobardemente militares portugueses, que desencadeou uma guerra estúpida baseada em interesses pessoais (a Guiné está hoje muito pior do que estava em 1963), na qual perderam a vida inúmeros portugueses. É uma afronta e um ultraje a todos aqueles que cumpriram o seu dever, mas, sobretudo, uma falta de respeito pelos que deram a vida – e suas famílias – e aos que ficaram deficientes.

Que o Ano Novo nos traga um pouco mais de decência, mas sobretudo, Paz!