Regime venezuelano abandona ex-amigos do PS e proíbe voos da TAP

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Na Venezuela vive uma enorme comunidade de portugueses e de luso- descendentes que estão a passar por uma situação generalizada de fome e de crise social muito grave depois de o sucessor de Chávez, o Presidente Maduro, ter reforçado ainda mais as medidas de repressão. Uma política que levou à condenação por parte de muitos países, deixando a Venezuela isolada, o que agrava as dificuldades do regime ao mesmo tempo que deixa em situação muito precária o seu povo.

A enorme comunidade portuguesa na Venezuela obriga Portugal a ter cuidados reforçados na relação com o regime, mas a actual situação é de alta tensão.

Na passada semana, Juan Guaidó – que se auto-proclamou Presidente Interino – regressou à Venezuela a bordo de um avião da TAP depois de ter feito um périplo iniciado em 19 de Janeiro na Colômbia e que o levou também ao Reino Unido, Suíça, Espanha, Canadá, França e Estados Unidos da América. Nos EUA, Juan Guaidó foi mesmo recebido pelo Presidente Donald Trump, o que tem especial significado em termos de reconhecimento pela comunidade internacional.

Depois deste circuito diplomático, e logo após a chegada de Juan Guaidó a Caracas, o governo venezuelano acusou a TAP de facilitar a sua entrada com “identidade falsa” num avião da companhia. O Executivo de Nicolás Maduro acusou ainda a transportadora aérea portuguesa de ter permitido que um familiar Guaidó viajasse com “materiais proibidos e substâncias explosivas”.

Incidente diplomático

As acusações de Caracas foram feitas, não através dos habituais comentários de imprensa, mas sob a forma de notas oficiais, numa óbvia tentativa para conceder ao caso a importância de um “incidente” diplomático. Em Lisboa, o Governo começou por alegar completo desconhecimento dos factos, mas de nada serviu.

Num comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo venezuelano acusou Portugal de minimizar as acusações de irregularidades no voo da TAP que transportou, desde Lisboa até Caracas, o líder opositor Juan Guaidó. Na nota, as autoridades venezuelanas pedem uma investigação rigorosa.

“A República Bolivariana da Venezuela expressa a sua condenação pelas graves irregularidades cometidas pela companhia aérea TAP, de Portugal, no voo utilizado por Guaidó, uma vez que contrariam as disposições de segurança da Organização Internacional de Aviação Civil” (OIAC), lê-se no documento.

Segundo o comunicado, no voo em questão, foi facilitada a entrada de Juan Guaidó na aeronave, com uma “identidade falsa”, violando as directrizes da OIAC sobre a identificação de passageiros. Da mesma forma, “as autoridades venezuelanas conseguiram identificar que outro passageiro, um familiar e companheiro de Juan Guaidó, transportou materiais proibidos e substâncias explosivas, incorrendo em uma violação ainda mais grave dos regulamentos de segurança aeronáutica”, acrescenta.

Por isso, “a Venezuela requer que as autoridades portuguesas proporcionem as explicações correspondentes e a abertura de uma investigação rigorosa em relação a estas pessoas, uma vez que ambas as situações só puderam desenvolver-se com o consentimento das autoridades policiais de Portugal”. Mais: “Em função do exposto, a Venezuela objecta e considera ligeiras e sem fundamento as declarações do Ministro de Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ao pretender minimizar tão grave situação e desconhecer os riscos para a segurança dos passageiros e para a paz do povo venezuelano”, conclui.

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