Tanta Inteligência Artificial e tão pouca inteligência humana

Inês Montargil
Inês Montargil
Médica Dentista Membro da Direção Nacional do CDS-PP
INÊS MONTARGIL
Médica Dentista e membro da Direcção Nacional do CDS-PP

 

Ninguém vive numa ilha – pelo menos, não de forma absoluta. Podemos procurar a solidão, podemos afastar-nos para reflectir, mas nunca estamos verdadeiramente sozinhos. As ideias, as influências, a cultura e os conflitos moldam-nos, quer queiramos, quer não.
Até pode parecer poética esta frase, mas esqueçamos a poesia. Olhemos antes para a realidade – crua, grave, perigosa, assustadora e inquietante.
Desde o início dos tempos, a humanidade oscilou entre a união e o isolamento. O vento que sussurrava em cada canto ainda não sonhava dançar as músicas de hoje. Esse vento, hoje, carrega discursos de líderes mundiais, decisões políticas e ecos de guerra. O mundo mudou, mas será que aprendemos algo?
Os Estados Unidos têm uma história complexa em relação ao isolamento. No início da sua história a política externa americana foi marcada pelo isolacionismo. Queriam evitar envolvimentos em alianças e conflitos internacionais. George Washington em 1796, por exemplo, advertia contra alianças permanentes com outras nações.
Entretanto, noutra parte do globo, em 1922, nascia a União Soviética, unindo a Rússia, a Ucrânia, a Bielorrússia e a Transcaucásia sob uma nova bandeira. Um novo gigante entrava no tabuleiro.
A história muda ao longo do século XX, e envolve-se num cenário mais internacional mudando para uma superpotência mundial.
Hoje, parece que o mundo dá um passo atrás. O isolacionismo volta a ganhar força, principalmente nos EUA, onde a ascensão de Donald Trump e a sua política “America First” trazem de volta a ideia de um país voltado para dentro, colocando os seus interesses acima de qualquer outra nação.
Com esta política de “America First” mostra claramente a prioridade nos interesses económicos, militares e sociais dos Estados Unidos acima dos interesses de outros países. Trump defende a redução do envolvimento dos EUA em conflitos internacionais e acordos globais que, na sua visão, prejudicavam a economia ou a segurança americana.
O que significa realmente este regresso ao passado?
Significa uma postura com consequências graves– e não apenas para os Estados Unidos, mas para o mundo inteiro.
O impacto faz-se sentir a nível global, especialmente na relação com a Europa. As alianças tornam-se frágeis, a desconfiança cresce e o equilíbrio de poder altera-se. A rivalidade entre os EUA, a China e a Rússia intensifica-se, alimentando uma disputa onde cada um procura dominar a economia, a tecnologia e o poder militar.
Mas será que o mundo pode, de facto, viver isolado?
Em resumo, Trump quer um Estados Unidos mais auto-suficiente, com menos envolvimento no exterior, mais foco no crescimento interno e políticas que priorizem os interesses americanos.
A verdade é que vivemos tempos de egoísmo político. Líderes obcecados pelo poder promovem políticas fechadas, fomentam divisões e reacendem conflitos. A história repete-se, e voltamos a assistir a guerras movidas por ambições territoriais, como se ainda vivêssemos na Idade Média.
Quando um líder americano proclama que os EUA são “a maior nação do mundo, invejada e respeitada por todos”, não está a demonstrar força – está a revelar arrogância. Nenhum país cresce sozinho. Nenhuma nação se mantém grande sem alianças.
A vida dá voltas. O mundo está a mudar a uma velocidade vertiginosa, mas parece que estamos a perder a capacidade de aprender com os erros. Dizem que vivemos a era da inteligência artificial, mas a inteligência humana nunca pareceu tão escassa.
A extrema-direita cresce no mundo, mas não é uma direita equilibrada. Continuo a acreditar no CDS como sendo o partido de direita sensata, defendendo os valores mais conservadores, mas com uma abordagem liberal na economia, com políticas moderadas.
Não queremos viver isolados, queremos fazer parte do mundo.
No fim, a única verdade que importa é esta: todos precisamos de todos. O mundo é um só.
Como escrevi anteriormente, Albert Einstein disse: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho a certeza absoluta”.
E tu? Ainda acreditas que podemos viver em ilhas? ■

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