A elite na música popular e no futebol do Brasil

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Sem prejuízo da grande contribuição de brasileiros de origem mais humilde, muitos afrodescendentes, deve-se notar que a elite, no sentido de nascidos em famílias tradicionais ou antigas, de classe média para cima, é significativa, relevante e não costuma ser observada tanto no futebol como na música popular, duas marcas do Brasil.

Certamente este “esquecimento” deve-se a mais um tolo preconceito esquerdista, tão na moda, que acha que todo mundo musical deveria ser de pares de Pixinguinha, Zeca Pagodinho, Elza Soares, Jamelão, Tim Maia ou Milton Nascimento. Entre afrodescendentes, há muita gente que nasceu na classe média alta, como Gilberto Gil, Eliana Pittman, Jorge Benjor – o pai era estivador, mas ele estudou no Colégio São José, marista, de classe média alta – e Jards Macalé, garoto de Ipanema, como Severino Araújo, nordestino da famosa Orquestra Tabajara. O samba é popular, está no sangue dos brasileiros, mas não tem raça, nem classe social. Aliás, como o futebol, que chegou ao Rio, no final do século XIX, com os engenheiros e técnicos ingleses da Fábrica Bangu e se tornou paixão nacional. Como eram poucos, convidaram os operários para formar equipas.

Nos anos 1920, a equipa do Fluminense de futebol já era composta por dez médicos, por exemplo. O que não invalida que nossos grandes jogadores tenham origem modesta e sejam afrodescendentes, como Zizinho, Sabará, Didi, Garrincha, Jairzinho e Pelé. Mas estão ao lado de “europeus” como Ademir, Zico, Zagalo, Tostão e outros.

A elite na MPB, especialmente com o advento da Bossa Nova, era a própria zona sul do Rio. Francis Hime, Antonio Carlos Jobim, Ronaldo Bôscoli, Nelson Motta, Wanda Sá, Nara leão, Roberto Menescal, o diplomata Vinicius de Morais, Chico Buarque de Holanda e tantos outros.

Estamos a assistir hoje no Brasil a um movimento fora de nossa realidade e da nossa melhor tradição. Somos o povo mais miscigenado do mundo, racismo e outros preconceitos, entre nós, têm a mesma presença que em diversos países, como sempre foi. A nossa formação foi o luso-tropicalismo a que se referia Gilberto Freire. Fomos e somos portugueses na cultura, que a partir do século XIX recebeu judeus, italianos, alemães espanhóis e sempre portugueses. No século XX asiáticos, especialmente japoneses. Libaneses passaram a ser relevantes, espalhados em todo país. Tudo integrado, inclusive os recentes asiáticos, em que são já raros os casos de casamentos entre oriundos do Japão. Temos uma legislação moderna que pune a discriminação. E mais, temos uma sociedade que rejeita com veemência este tipo de comportamento. O preconceito que salta aos olhos, e não é menos condenável, está relacionado ao social.

Mas a esquerda, chegando ao poder com Lula, insiste em falar em “ministros negros, mulheres, etc.”, sem preocupação com o mérito de cada um. E a esta pregação do conflito racial, social ou religioso, agora a verdadeira indústria das acusações de racismo e assédio sexual, levianamente tratados pelos “media” e pela Justiça. Reputações são destruídas, sem provas, evidências.

Até nos anos em que vigia a escravidão – como em todo mundo – o comércio era feito tanto por brancos como por alforriados e mulatos, como regista o grande historiador e académico José Murilo de Carvalho na sua respeitada obra. Falar em racismo num país que tem, entre os seus maiores literatos, Machado de Assis, Lima Duarte, José do Patrocínio é brincadeira. E no reinado de Pedro II nobres negros, como o Barão de Guaraciaba, que chegou a ter mais de mil escravos. Eram outros tempos. Até os ingleses que andaram armados em antiesclavagistas já evitam o tema pois usaram e abusaram da prática no Caribe. 

Cota ou estímulo é para os mais pobres, como as vagas para alunos oriundos da rede pública nas universidades públicas. Injusto é universidade grátis para alunos ricos.

Estamos a assistir hoje no Brasil – e noutros países – a um movimento fora da realidade e da melhor tradição. Trata-se do povo mais miscigenado do mundo, racismo e outros preconceitos, entre nós, têm a mesma presença do que nos demais países, ou menos. Existe uma legislação moderna que pune este tipo de aberração. E mais, uma sociedade que rejeita com veemência este tipo de comportamento. O preconceito social que salta aos olhos, não é menos condenável.

Esta gente que está a voltar gosta de acentuar diferenças, pregar divisões, semeando atritos no seio de um povo com tradição na bondade, solidariedade e fraternidade. Mas vive a pressão do “nós contra eles”, cujo espaço nos próximos quatro anos vamos começar a perceber depois de formada a equipe.