O 25 de Novembro ainda causa muitos pesadelos à extrema-esquerda portuguesa

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Bem-haja General Eanes por Diogo Gil Gagean

O que deveria ser feriado mais importante da democracia portuguesa, infelizmente não é celebrado.

O 25 de Novembro causa muitos pesadelos à extrema-esquerda portuguesa, que viu afundadas as suas aspirações de domínio totalitário nesta data.

Infelizmente, a direita portuguesa continua muito tolhida na celebração desta data, não consigo descortinar porque razão é que a Iniciativa Liberal é o único partido a celebrar esta data oficialmente.

O PSD deixa umas notas soltas proclamadas por Luís Montenegro, que “apenas” mostra gratidão aos que impediram que se desvirtuasse completamente o 25 de Abril.

Só o líder do CDS Nuno Melo parece comungar da minha opinião publicamente de que o 25 de Novembro deveria ser feriado nacional.

Pena é que a direita pós-Cavaco nunca tenha avançado categoricamente para a celebração da data. Nem com Durão/Santana, nem com Passos Coelho.

A extrema-esquerda não quer discutir o período que dista entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, e a direita aparentemente também não o quer.

O medo foi e sempre será o maior inimigo da nossa direita tradicional, a direita dos negócios que levou a melhor sobre a direita dos valores. O 25 de Novembro mostra bem o quanto a direita continua a viver cismas e o que a extrema-esquerda aproveita em benefício próprio, como se fossem os únicos com direito a festejar o 25 de Abril.

Uma direita de valores fortes nunca deixaria que a definição de liberdade ficasse apenas na boca da esquerda, mas arrancaria a palavra e fazia dela sua com a celebração do 25 de Novembro.

Todos sabemos que o objectivo final do PREC era a instauração de uma tenebrosa ditadura de esquerda em Portugal. Além de toda a literatura existente sobre esta matéria, aconselho os leitores a procurarem a entrevista que Álvaro Cunhal deu a Oriana Fallaci para o Jornal “L´Éuropeo”, a 6 de Junho de 1975, que o Manuel Castelo-Branco partilhou no seu mural do “Facebook” e a quem desde já agradeço a partilha.

A certa altura da entrevista Cunhal afirma “…em Portugal, doravante não existirá qualquer hipótese para a instauração de uma democracia como as da Europa Ocidental. Nunca mais…”.

Nesta simples e curta afirmação de Cunhal reside o espírito do PREC e o que a esquerda não quer discutir.

Quem contribuiu de maneira superior para o fim do PREC e para a instauração de uma verdadeira democracia em Portugal foi o general Ramalho Eanes.

Figura maior da nossa história, Ramalho Eanes merece há muito um lugar no Panteão e na nossa memória colectiva. Ramalho Eanes deu a machadada final na esquerda militar e começou a definir o Portugal democrático. Ainda hoje a figura do general em cima do “Renault” assombra o sono dos marxistas.

Confesso que tenho uma profundíssima admiração pelo homem moralmente superior que é Ramalho Eanes, o homem que serviu sempre a pátria, o homem que recusou ser marechal e que recusou um milhão de euros que lhe eram devidos, que os reclamou por uma questão de princípio.

Ramalho Eanes fala pouco, fala apenas quando acha que é necessário, mas quando fala deve ser ouvido com atenção. A sua grande qualidade é o seu humanismo, como ficou bem patente na última entrevista que deu à RTP: “Nós os velhos… se for necessário, oferecemos o nosso ventilador ao homem que tem mulher e filhos”.

Alguém imagina algum destes novos políticos a fazer uma afirmação destas?

Eanes é odiado pela academia, que insiste em minorar a sua importância no Portugal democrático e por uma grande franja da comunicação social, que prefere não referir o general para não ter de explicar às pessoas o que impediu que acontecesse.

Eanes foi eleito Presidente da República, em Julho de 1976, com 62% dos votos; se fosse hoje dificilmente seria eleito com o seu ar austero e pouco dado a afectos, “selfies” e turbilhão de comentários. Mas que deixa saudades deixa, o seu sentido de dever e de Estado dificilmente serão repetidos nas próximas décadas.

Ao melhor Presidente da República da história de Portugal deixo o meu agradecimento eterno, pois é graças a ele que sou livre.

Um bem-haja, general Ramalho Eanes.


Um anexo do 25 de Abril por Diogo Gil Gagean

E querem elevar o 25 de Novembro a feriado! Fará isto sentido? Não há dúvida de que a data é importante na história de Portugal contemporâneo e um marco no processo de consolidação da democracia, mas se isto é comummente aceite e a generalidade das pessoas o reconhece, é preciso ter noção das coisas e dos factos.

O 25 de Novembro foi o culminar de um ano agitadíssimo e profuso de datas, todas elas importantes no processo pós-revolucionário, nomeadamente o 11 de Março ou o 28 de Setembro, e o 25 de Novembro foi quase como um ponto de ordem ao caos instalado. Tudo seria diferente e quiçá pior, se Novembro não chegasse.

De qualquer modo, a ambição de insuflar a data de tamanha importância, revela muito de quem a patrocina e se empenha na sua sobrevalorização.

É uma realidade que o 25 de Abril foi uma revolução ainda assim “fofinha”, feita com jeitinho, sem desvalorizar sofrimentos e perdas, e permitiu que o novo e o antigo convivessem em confronto latente nos tempos seguintes. Ainda assim, a importância do 25 de Abril, até por aquilo que representa simbólica e historicamente, não é de modo nenhum equivalente ao mesmo dia de Novembro. Eu atrevo-me a dizer que o 25 de Novembro é um anexo do 25 de Abril, complementa a data, mas não lhe equivale em nenhum sentido.

Os patrocinadores da campanha pró-25 de Novembro são aqueles que desvalorizam a revolução dos cravos, ou, pelo menos, os que não simpatizam com a data e nem se importavam que ela não tivesse acontecido, quase me atrevo a dizer que são os derrotados no 11 de Março, uma direita saudosista, que sempre existiu e que vai progressivamente saindo da toca.

Os truques são os clássicos e passam por algum revisionismo histórico e a invenção de heróis e vilãos, que não existiram ou, pelo menos, não existiram dessa forma.

Houve heróis, claro que sim. Houve derrotados, com certeza, principalmente os extremos à esquerda e à direita, mas a categoria de complemento, não lhe pode dar nunca (à data) a importância de feriado.

A medida que o Presidente da Assembleia da República deu à celebração do dia é a correcta, fazer-lhe a referência e sublinhar-lhe a importância é suficiente.

A intenção de sequestrar a data, usando-a para desvalorizar o 25 de Abril, incomoda-me e quase me apetece dizer como o Pinheiro de Azevedo: “É que estou farto de brincadeiras, brincadeiras hã…”, “não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me irrita”.

P.S. – Há uma direita moderna que é necessária e não se vê, que não é a IL, nem este PSD, muito menos o Chega. Enquanto isso, os recessos populistas destapam-se.