Vamos lá fazer definitivamente uma cruz no PS

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Dia 30 de Janeiro irá fazer exactamente um ano que o Partido Sócia-lista granjeou a maioria absoluta (embora quem está de fora, e olhando os últimos acontecimentos, quer internos, quer externos, tenha alguma dificuldade em acreditar) perante um eleitorado amorfo, ignorante da realidade internacional, deslumbrado ou amedrontado e, acima de tudo, enormemente alienado da conjuntura nacional, que batia palmas de contentamento à janela pela salvação e parabenizava uma gestão e os seus executantes, que se revelou a curto trecho, e mal a “poeira assentou”, completamente caótica e catastrófica e no limite criminosa; onde se decretaram sucessivos estados de emergência, sem que houvesse uma justificação plausível para tal, como ficou bem patente ao olhar com distanciamento e espírito crítico quanto à letalidade e folclore que foi sendo feito perante um vírus que já foi amplamente reconhecido como não sendo tudo aquilo que foram pintando; onde, prescindindo do mais elementar bom senso, se deixou o Serviço Nacional de Saúde completamente de rastos e a educação praticamente paralisada.

Perante este cenário, só equacionando uma total ausência de noção ou um masoquismo social visceral e patológico próximo da síndrome de Estocolmo, aliado a um “alzheimer” em estado avançado colectivo, se explica que um Governo cada vez mais déspota e despesista, onde se avolumam escândalos e polémicas em catadupa, numa “mise en abyme” literal, infinita e com réplicas de perder de vista, tenha podido reunir tamanha votação expressiva, num país cuja última contagem não de votos, mas de situações gritantes e dramáticas de vida – também elas infelizmente uma absoluta maioria – somavam, ainda o ano passado, já cerca de dois milhões de pobres e outros tantos em risco de pobreza, independentemente, e o que é mais crítico de todo este processo, de muitos deles se escalfarem que nem uns desalmados a trabalhar e de terem uma das maiores cargas fiscais da Europa, sem que tenham o equivalente ao que lhe é retirado do seu suor e lágrimas em termos de segurança ou qualidade de serviços públicos, cada vez mais diminutos e decadentes. E, como se tudo isso já não fosse pouco, um salário totalmente miserável, comparado com outros países em estágios competitivos mais avançados.

Perante este cenário e a tão fraca qualidade demonstrada diariamente pelos governantes do aparelho a todos os níveis e dimensões, deve ser de facto perguntado, com perplexidade, como é possível tamanha incompreensão e, diria até, fenómeno terem sucedido?? Mas, estupefacção à parte – e talvez um certo nível de estupefacientes pelo meio também, quer os que foram tomados a jusante por quem votou e precipitaram este desfecho, quer os que diária e recorrentemente se andam a tomar em doses massivas, quiçá para aguentar tantas e tantas situações que nos envergonham e constrangem –, o que é facto é que quem ande na rua e apalpe o pulso à sociedade civil portuguesa, isto é, meça a temperatura, percebe no imediato que a legitimidade e a carta branca, assim como a simbólica autorização para governar estão paulatinamente a caducar. E para prová-lo estão as inúmeras manifestações sectoriais – e até de pedidos feitos à sua porta, por enquanto apenas pacíficos, de demissão – agendadas, numa altura em que existem arranjinhos e conluios de toda a espécie na cúpula parlamentar que blindam esta transição.

A cruz outrora colocada no boletim, signo de confiança e anuência deste tipo de liderança e gestão, posta pela maioria dos portugueses por acção ou inacção, foi agora substituída por um significante oposto, o da intransigência e repúdio das práticas, uma cruz que todo e qualquer português deve fazer no seu horizonte de intenções eleitorais e da sua vida, de forma permanente e definitiva, que obrigue a que este partido possa iniciar um longo processo de reabilitação da ganância e do êxtase do poder e recentrá-lo naquilo que deveria nortear as suas intenções e as suas acções.

Dito de outro modo, deveremos todos, em bom português, fazer uma cruz, não no famigerado boletim de voto como nos encorajam sempre a fazer, mas antes na ideia e concepção do próprio partido disfuncionalmente em funções, devendo ser aquilo que doravante preocupe todo o português que quer o melhor para o seu país e para os seus conterrâneos. Uma enorme e densa cruz que demonstra veementemente o quão fartos estamos do comportamento déspota e arrogante, caracterizado por uma expressão bonacheirona e demasiado “à vontadinha” – a que se junta um tom de desafio provocatório – posta numa qualquer capa de revista, não condizente, de todo, com as funções de Estado que os seus membros têm e da representação de todos nós, que se quer não apenas sóbria a todos os níveis, mas também respeitadora e exemplar, nada portanto daquilo que tem sucedido.

Esta cruz deve ser também entendida como o jazigo de um partido onde a corrupção e os abusos de poder são a regra, onde praticamente todos os seus membros têm ou terão qualquer tipo de incompatibilidade e onde já se percebeu que não são apenas os frutos, que de quando em vez são substituídos, mas a própria árvore – entendida como o antro pútrido pelo qual todos eles saem – que está totalmente corrompida de forma irreversível.

Há, então – perante todas estas evidências e tendo em conta que cada um de nós teve, tem e terá uma responsabilidade inerente, se não mesmo uma cumplicidade, para com este estado de coisas –, que mostrar qual a sua posição para com toda esta desfaçatez, que não só não dá sinais de abrandar, como parece inclusive ter aumentado o seu ritmo e velocidade para níveis vertiginosos e sem paralelo no passado recente.

Por isso mesmo, e porque tanto o texto como a governação socialista e a permanência destes no poder já vai vagarosamente longa, devemos todos, patriotas e cidadãos responsáveis, dizer em uníssono: “vamos fazer definitivamente uma cruz no PS”, da nossa vida e da nossa política, pois já se percebeu, por tudo o que nos últimos tempos se tem apresentado perante nós, que, deste modo, Portugal e os portugueses não têm futuro algum e quem achar o contrário é co-responsável e conivente pelo estado a que chegámos por um lado e, por outro, pela arrogância que este partido tem vindo a almejar, ousando cada vez mais e superando-se nas acrobacias, algumas delas ousadas, arrojadas e radicais que tem vindo a experimentar, com uma total e desprezível sensação de impunidade e indiferença para com todos aqueles que são afectados pela sua conduta diária e recorrentemente. Acabemos e rompamos com este ciclo!