O crescente poderio chinês e o declínio das democracias europeias

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O regime de partido único chinês, personificado no seu presidente comunista Xi Jinping – irmão gémeo do Grande Líder Kim Jon-un da Coreia do Norte –, desde há uns anos a esta parte tem desenvolvido uma política expansionista da sua economia. E não só. A pandemia do coronavírus, veio, temporariamente, condicionar essa política expansionista, mas o escopo principal está presente naquilo que a China realmente pretende: dominar o mundo. 

Por estranha curiosidade (e azar), a Covid-19 teve origem naquele mercado imundo e infecto da cidade de Wuhan onde se pratica o comércio de animais selvagens sem as mínimas condições de salubridade num amontoado conspurcante de gente, suor, excrementos e sangue. Refira-se que não se afasta, também, a hipótese de que o vírus tenha sido desenvolvido nos laboratórios do Instituto de Virologia de Wuhan e, acidentalmente, tenha transposto os muros desse laboratório. O que é certo, e se sabe, é que a morte do jovem médico que alertou o governo chinês de que algo de grave se estava a passar veio adensar o mistério da verdadeira causa que provocou esta pandemia pelo planeta.

Mas volvemos à questão do crescente poderio da China. O que proporcionou a ascensão económica deste país? Recordemos que foi há cerca de duas décadas que a República Popular da China foi integrada – em Dezembro de 2001 – na Organização Mundial do Comércio (OMC). A partir desse momento, a República Popular da China não perdeu a oportunidade de desenvolver um sistema económico baseado nas premissas da economia de mercado livre / capitalismo. 

Mal-grado esta oportunidade que resultou do facto de a China ter aderido à Organização Mundial do Comércio com as vantagens advenientes de progresso civilizacional, o gigante asiático abdicou das ideias democráticas e da organização política, económica e social do próprio sistema democrático. Mas será a China, pelo seu percurso histórico, político e cultural, um país capaz de absorver e interiorizar ideias democráticas? Claro que não.

Como se tem verificado, os chineses têm vindo a explorar desenfreadamente as matérias-primas, os minerais e as madeiras em África; têm adquirido empresas falidas e semi-falidas de sectores chave de países em via de desenvolvimento; na Europa adquirem empresas que os europeus não conseguem preservar, consolidar, rentabilizar e relançar economicamente.

Por outro lado, a China tem forçado a criação de bases militares em locais geo-estratégicos com a finalidade de consolidar a sua presença militar e, de certa forma, intimidar os países das áreas circundantes. Xi Jinping, desde que foi eleito presidente da China, no ano de 2013, com todos os poderes que lhe foram conferidos por uma assembleia de partido único, nunca escondeu a ambição de transformar a China – ele próprio o afirmou – até ao ano de 2049 (ano do centésimo aniversário da República Popular da China) na primeira potência económica e militar do planeta. E é esse o caminho que está a trilhar. 

Num dos seus discursos ao Congresso Nacional do povo, Xi Jinping afirmou a intenção de “lançar uma reforma do sistema de governação global”, proclamando que “o comunismo é o único caminho verdadeiro”. Persuadido de que concretizará estes objectivos, Xi Jinping, em Março de 2018, perante os membros do partido único e perante o unanimismo ideológico, anunciou que não entregaria o poder e iria alterar a Constituição (como chegou a fazê-lo) de forma a ter a possibilidade de permanecer, vitaliciamente, presidente da China. 

Xi Jinping pretende, por isso, ainda em vida, controlar a economia a nível mundial e, paralelamente, dispor do exército mais poderoso a nível planetário. Com esta perspectiva já a curto e a médio prazo, receia-se que o Velho Continente, o Canadá, a Austrália, os Estados Unidos, o Japão e outros países desenvolvidos onde prevalecem as democracias, se sujeitem e se prostrem a uma Nova Ordem Mundial criada pela China, escorada, na rectaguarda, por um poderoso exército municiado por um desmesurado arsenal de armamento bélico e nuclear. Exactamente como a Coreia do Norte de Kim Jon-un. 

Esta ascensão, dentro de poucos anos, da China a primeira potência económica e militar só virá demonstrar que Xi Jinping, desde que alcançou o poder, urdiu e gizou um plano a médio prazo para a China alcançar a hegemonia mundial. E vai no caminho traçado. O presidente chinês pretende, à outrance, ultrapassar os Estados Unidos e infundir respeito (e medo) ao país que, actualmente, tem como presidente o errático e imprevisível Donald Trump. 

De notar que, no entanto, Trump foi eleito numa democracia liberal e, certamente, quando cumprir o mandato será substituído (ou não) através do voto popular por outro candidato à presidência dos Estados Unidos. Se o povo assim o desejar. No caso da República Popular da China, Xi Jinping irá perpetuar-se no poder, sustentado pelo partido único rendido ao Grande Líder. Na verdade, ao dissimulado ditador chinês nada lhe dizem os valores liberais, os valores da democracia, a separação de poderes, a liberdade de imprensa, ignorando e desprezando, pura e simplesmente, a própria ideia e conceito de democracia representativa pluripartidária. 

E é a este homem, misto de bonzo imperturbável e messias que afirma que “o único caminho verdadeiro é o comunismo”, que as democracias mundiais se vêm subjugando, dobrando a cerviz ao investimento e ao capital chinês e não se dando conta de que, com o decorrer do tempo, estão a cavar as suas próprias sepulturas, com a China a aguardar a melhor altura  para com as pazadas finais do investimento comunista cobrirem as sepulturas onde irão jazer as democracias laxistas e desprevenidas. 

Não será despicienda nem será de esquecer a afirmação profética de Xi Jinping: “o comunismo é o único caminho verdadeiro”. ■