A Igreja minada e desrespeitada

Depois do papado de João Paulo II, que desarticulou a ala esquerdista revolucionária da Igreja, ressurgem movimentos e prelados que certamente nunca abandonaram a Teologia da Libertação, título sob o qual se escondiam os marxistas de batina e o seu projecto do “socialismo católico”.

O bondoso Papa Francisco parece equivocado, ou ingénuo, ao tratar de temas que não os religiosos, tolerante com a participação política do clero e, principalmente, omitindo-se na afronta a posturas sagradas para a instituição da qual é o Chefe Supremo. Isso sem falar nas relações com políticos controversos, cercados de indícios de desonestidades, como corrupção e cumplicidade em questões como aborto e casamento diferenciado, aceitas por parte da sociedade, legais nas democracias, mas que a Igreja deveria, pelo menos, manter à distância e não aceitar. Há semanas recebeu carinhosamente Lula da Silva e depois o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, ambos com as esposas, ambos de uma linha não muito em acordo com o que a Igreja defende. Em Cuba o clero está restrito a uma meia dúzia.

Choca aos católicos a leitura nos “media” de declarações infelizes como a de membros do alto clero de que “há muitos sacerdotes homossexuais que são óptimos religiosos”. Deveria respeitar a opção de todos e no caso dos sacerdotes recomendar um afastamento da Igreja, pelo princípio da castidade em vigor no credo romano. Também causa incómodo a frequência com que o querido Papa Francisco acolhe visitas de políticos cercados de suspeitas, como os casos de Cristina Kirchner e Lula da Silva. Ao brasileiro, que teve condenações anuladas e não inocentado, chegou a afirmar ter sido perdoado pela Justiça brasileira. Falta que pode ser atribuída à Nunciatura em Brasília, que não manteve o Sumo Pontífice informado da realidade que envolve um político tão controverso. Também o Vaticano não se pronuncia sobre a acção política do cardeal de Aparecida, D. Orlando, que nas últimas eleições brasileiras foi claro na sua opção pelas esquerdas. Poderia, ao menos, transferir o prelado para uma arquidiocese mais discreta. João Paulo II dividiu a de São Paulo para minimizar a militância de D. Evaristo, cuja renúncia por idade foi prontamente aceite.

A questão do socialismo e do comunismo tem manifestações claras e inequívocas para os católicos e, claro, mais relevantes ainda quando se trata do clero.

Leão XIII, muito antes da Revolução Russa, afirmou que “socialismo e comunismo querem destruir os alicerces da sociedade civil”. O Papa da “Rerum Novarum”, base da doutrina social da Igreja, enfatizava que a preocupação social, os cuidados que os trabalhadores e suas famílias mereciam por parte do empregador e do Estado eram obrigação da sociedade cristã, que tem compromissos com a caridade e a solidariedade. Oportunamente lembrava que o comportamento do poder público estava nos mandamentos da lei de Deus, no “não furtar” e no “não cobiçar as coisas alheias”. Ou seja, nada de corrupção ou de confisco de bens. Os detalhes cabem às organizações da sociedade e não à Igreja. Em 1959, o Papa João XXIII endossava Pio XII ao alertar que o católico não podia votar em candidatos que adoptavam ideologias ateias e que negavam Deus.

O Papa Paulo VI que, quando Cardeal de Milão, respondia pelo título de “cardeal vermelho” naqueles anos da guerra fria, tentou anular o decreto de seu antecessor, Pio XII, que considerava sacrilégio a militância marxista do católico e excomungava os que desrespeitassem o decreto, que é de 1948.

Os católicos com formação lamentam o distanciamento da missão evangelizadora da Igreja, o que tem permitido no mundo cristão o crescimento de seitas e ritos ditos “evangélicos”, pois estes pregam com a Bíblia na mão e não com o manifesto de Karl Marx disfarçado de preocupações sociais. A Igreja deveria voltar a zelar pelas leis de Deus, pela pregação da caridade, da bondade, da ética, do respeito às tradições do pensamento cristão, do que ditam as escrituras e não sobre as polémicas dos homens de carácter político ou ideológico.

A influência da política temporal na Igreja teve recentemente o lamentável episódio da omissão do Vaticano na violação da Basílica do Valle de los Caídos, em Espanha, de onde um governo esquerdista sequestrou os restos mortais do General Franco, desconsiderando serem as basílicas território protegido. E, mais ainda, ignorando que Franco foi um benfeitor da Igreja, da cristandade, que nos anos da guerra civil houve mais de cem templos incendiados ou saqueados e dez mil religiosos assassinados com requintes de crueldade. João Paulo II beatificou mais de dois mil religiosos, como os agostinianos de Granada e as freiras de Cerro de los Ángeles, nas proximidades de Madrid, onde até hoje há a imagem em pedra de Jesus marcada pelas balas dos comunistas.

O momento pede não apenas a mobilização dos que defendem a liberdade, a livre empresa, a ordem, mas também dos homens de fé na preservação de uma instituição que foi e ainda é a base da civilização ocidental.

Em 1943, em plena guerra, Estaline arranjou tempo para reunir a Internacional Comunista para tratar da tomada do poder no pós-guerra e recomendou que a prioridade seria a infiltração nas Forças Armadas e no clero. Explicou ainda que a grande derrota do comunismo foi em Espanha, onde militares e religiosos foram determinantes no revés das forças comunistas.

Por fim, e não menos importante, a omissão no caso da prisão e expulsão de padres e freiras na Nicarágua.

Uma vergonha!

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