Grandes portugueses dos tempos dos comendadores no Brasil

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Ao longo do século XX, quando nova onda migratória de portugueses chegava ao Brasil, em especial ao Rio de Janeiro, o sentimento de amor a Portugal e reconhecimento pela obra de reconstrução nacional empreendida por António de Oliveira Salazar, a partir de 1929, foi uma marca a ser sempre lembrada.

Foram muitos os portugueses que fizeram fortuna e tiveram gestos de generosidade para com a terra natal, em doações e depois outros tantos no investimento produtivo. Uma safra de portugueses de todas as camadas sociais, desde os que chegavam para a construção de família e património, saindo do zero, aos que buscavam gerar negócios e abrir oportunidades e melhor vida no Brasil daqueles anos. Nobres, como o Barão de Saavedra, Visconde de Castelo Novo, Visconde de Salreu, Conde da Covilhã.

Entre os comendadores, muitos se tornaram inesquecíveis, como Gervasio Seabra, que criou um império empresarial, construiu um prédio até hoje emblemático no Rio, com um projecto tendo por base o então famoso Edifício Dakota, em Nova York. Foi pai de Nelson e Roberto, grandes criadores de cavalos de corridas e personagens da melhor sociedade do Brasil, e o seu sobrinho, Adriano, até criou um município no Paraná, de nome Adrianópolis. Adriano foi um grande amigo do presidente Américo Tomás e acolheu-o quando exilado no Rio, e sua viúva Lenita, chegou a hospedar o casal Aníbal Cavaco Silva, em viagem particular, e José Nunes Martins, este chegando muito modesto e construindo fortuna.

José Nunes Martins era natural de Oliveira do Conde, e deu à cidade significativas doações, uma das quais um centro de saúde, sendo hoje nome de rua e com busto em praça pública. Quando da inauguração da Praça Brasil-Portugal e da fundação que leva seu nome, contou com a presença do Presidente do Conselho António Salazar e do embaixador do Brasil, Negrão de Lima. É nome de rua no Rio de Janeiro também. O Comendador Nunes Martins teve seu filho Sérgio casado com uma descendente de José Bonifácio Andrada, o Patriarca da Independência, Vera, neta do presidente António Carlos de Andrada e filha de Lahyr Tostes, deputado constituinte de 46 no Brasil.

José Nunes Martins recebeu o reconhecimento tanto em Portugal como no Brasil pelos seus feitos, deixando descendência nos netos José Ricardo e Fátima Tostes Martins.

O sector do comércio de alimentação até hoje tem a marca dos empreendedores portugueses, como Valentim Diniz, criador do “Pão de Açúcar”, pai de Abílio; Arthur Sendas, cuja empresa foi incorporada ao “Pão de Açúcar”; a família Amaral, das “Casas do Charque”, depois supermercados “Disco”, que adquiriu do empresário e intelectual Augusto Frederico Schmidt, assim como, em São Paulo, a emblemática “Casa Santa Luzia”.

Salazar, que conhecia como ninguém o género humano, tornava comendadores da República Portuguesa aqueles que ganhavam dimensão no Brasil e na América, em especial, e não esqueciam suas origens. Salazar era detentor da admiração da maioria, e beneficiou de fortes doações beneficentes destes homens. Aliás, na mesma época, Mussolini também recebeu grandes doações da comunidade italiana do Brasil e da América e distinguia-os com títulos nobiliárquicos. No Brasil, os Matarazzo e os Crespi eram condes italianos.

No Rio de Janeiro, no bairro operário de Bangu, escapou ao mesquinho veto das esquerdas uma pequena rua denominada Rua António de Oliveira Salazar. Talvez, se fosse uma obra do porte da primeira ponte sobre o Tejo, o nome teria sido “saneado”. ■