Governos portugueses viciados em pedinchice

Com classes políticas com vícios pedintes assim, nunca há dinheiro que os faça mudar de vida e começar a pensar finalmente no bem da população e do país que lhes paga. Já demos aos actuais governantes de Portugal e da actual direcção do Partido Socialista quase três décadas para demonstrarem como aplicam o dinheiro europeu. Para que uma verdadeira mudança acontecesse era necessário reformar o Estado e a política.

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O primeiro-ministro e depois presidente Robert Mugabe, juntamente com os seus ministros que nunca questionavam nada e só beneficiavam com o empobrecimento da população, governaram o Zimbabwe durante quatro décadas. Desde os anos 80 até 2017 receberam infindáveis milhares de milhões de ajuda humanitária e para investimento da União Europeia, China e Estados Unidos. O dinheiro fácil foi geralmente desbaratado sem grandes critérios pelos que diziam sempre amém a Mugabe sem nada debater. Como consequência, em 2020 a economia do Zimbabwe continua devastada, a sua população pobre e os cidadãos desesperados para emigrar como forma de poderem trabalhar sendo pagos dignamente.

Outro conhecido ditador durante décadas, que também não gostava que o questionassem nos ‘Media’ ou no parlamento, Mobutu, tinha frota de muitos Mercedes e palácios desvairados, desviando fundos de ajuda humanitária europeia e mantendo a população do Congo/Zaire pobre. Geralmente, as coisas nunca correm bem para a população com governantes assim; tais economias estão sempre abaixo da média e nos últimos lugares dos seus continentes.   

Paradoxalmente, e mesmo que tenham muitos recursos como sol e outras fontes de energia, são sempre mal geridos os países onde a classe política está viciada em ajuda internacional. Havendo a ilusão do dinheiro fácil, os dirigentes não debatem nem pensam, censurando todos os outros cidadãos que pensem. 

Não há em tais países com políticos pedintes qualquer incentivo para a competência ou para a ética da classe política que, assim, tem “líderes” e jovens clones herdeiros na forja para a “liderança”, toda a vida políticos, fracos profissionalmente, incapazes de gerar riqueza, só de a desperdiçar. Isto porque estão sempre à espera de vir mais uma esmola de fora para esconderem a sua incompetência interna. 

Uma classe política na mendicidade nunca se prepara tecnicamente e olha sempre para o lado em questões de ética, nepotismo e compadrio com amigos dos negócios, enquanto vai enriquecendo significativamente. 

Em contraste, a população desses países é sempre mais endividada, mais pobre, mais mal paga e emigra mais que países semelhantes e até com menos potencialidades nos mesmos continentes, mas que não recebam ajuda, tendo que singrar por mérito próprio. Têm mais qualidade e são melhores líderes e exemplos para a sociedade, classe políticas focadas em criar riqueza e poupar dinheiro em vez de estarem sempre no peditório ou a aumentarem a dívida nacional. 

Já os  países com uma classe política disfuncional, pouco ambiciosa e nada estratégica, que se contenta com receber as migalhas dos países com governantes frugais e funcionais, são geralmente insolventes, não sendo capazes de atrair sedes de empresas internacionais lucrativas ou desenvolver ‘clusters’ nacionais que tenham realmente de dar lucro em vez de sugar fundos e dívida pública. É tudo feito ao sabor do vento, em vez de com planeamento, e desperdiçam-se as maiores vantagens competitivas, sempre à espera de mais uma fornada de dinheiro aparentemente fácil e positivo, mas que tais políticos arranjam sempre maneira de tornar em saldo negativo com dívida, recessão e austeridade. Isto apesar de mandarem anunciar nas televisões estatais ou dos amigos que são políticos fenomenais e gloriosos sem comparação no mundo. 

Saddam ou Chavez, outros exemplos de políticos desperdiçadores de riqueza, e respetivos herdeiros, que não gostavam de debater política nem tinham estratégia para a sua nação, desperdiçavam em luxos próprios, família e amigos a imensa riqueza do subsolo e consequente dinheiro fácil. A família de Saddam coleccionava Ferraris raros. A população nada ou pouco via disso. Os resultados estão à vista no Iraque e Venezuela actuais já há décadas.

Costa e as suas várias fornadas de jotas sem preparação técnica, que nos governam desde os anos 90 e já planeiam governar-nos até 2030, portanto também por pelo menos 40 anos, também sempre tiveram uma predilecção, reveladora do seu carácter, por muitos motoristas e muitos Mercedes novos pagos com dinheiro público. 

Ainda mais reveladoramente, sobre comparações com certas classes políticas internacionais já aqui referidas, uma larga maioria dos quase 200 governantes e deputados escolhidos por Costa são clones jotas toda a vida políticos com pouca ou nenhuma preparação e experiência profissional relevante para cargos de tamanha responsabilidade. 

Infelizmente, os cerca de 12.000 assessores nomeados por essa classe política também não colmatam as lacunas técnicas dos superiores governativos. São igualmente, na maioria, clones jotas incompetentes, postos em cargos técnicos por cunha política, após terem demonstrado a fidelidade de nada pensar nem questionar durante várias décadas, preferencialmente desde as jotas.  

Em geral, muita desta gente auto-elogia-se permanentemente e suborna os ‘Media’ para lhes distribuírem elogios e espaço mediático. No entanto, são inaptos profissionalmente, que nunca singrariam no privado independente do Estado, e que trabalham sem ligar muito a ‘benchmarking’ internacional ou resultados, sem grandes iniciativas ou gestão de excelência, para nem sequer mencionar capacidade de gerar lucro nas empresas públicos que gerem. 

Em suma, muitos governantes ou nomeados pelo governo, sem experiencia profissional fora da política nem conhecendo a fundo a área para a qual foram nomeados, apenas enchem os cargos e levam o dinheiro dos contribuintes de Portugal e doutros países europeus em salários injustificados e contratos desvairados com o dinheiro do Estado mal aplicado. Desperdiçam também os recursos do nosso subsolo – e agora talvez até do sol do nosso céu e hidrogénio – em amigos sem grandes critérios sérios de sustentabilidade ou retorno de investimento para os contribuintes. 

Por isso, em geral, nas crises, a classe política portuguesa depende inevitável e invariavelmente da ajuda humanitária europeia para cobrir todos os esbanjamentos megalomaníacos deles e dos amigos nas bonanças. O problema é que essa ajuda envolve cada vez mais e sempre um aumento da dívida. Além disso, mesmo que a dívida agora seja comunal, Portugal vai ter de pagar a sua parte e arrisca-se até a pagar mais do que recebe, uma vez que os grandes beneficiados do novo pacote europeu foram a Espanha e a Itália, justamente no caso deles porque sofreram o choque inicial, logo maior embate, na pandemia.  

Qualquer que seja o pretexto para mais um tostãozinho de Santo António que as crianças pediam, toda a carreira de adulto do primeiro-ministro António  Costa e seus ‘cronies’ de várias idades no governo e parlamento, foi alicerçada sempre a pedirem mais dinheiro dos contribuintes, quer portugueses quer outros europeus.  Infelizmente já abusaram bastante e, desta vez, houve bastante desconfiança.  Dos ministros holandeses aos juízes alemães do Tribunal Constitucional, muitos resistiram à insolvência insolente e descarada de quem governa Portugal desde  os anos 90. Agora só nos ajudam se lhes pagarmos impostos em troca e aumentarmos a dívida. 

Em conclusão, com classes políticas com vícios pedintes assim nunca há dinheiro que os faça mudar de vida e começar a pensar finalmente no bem da população e do país que lhes paga. Já demos aos actuais governantes de Portugal e da actual direcção do Partido Socialista quase três décadas para demonstrarem como aplicam o dinheiro europeu. Não temos quaisquer dúvidas de que uma cultura enraizada de vícios tão graves e incompetência tão clara não passa por milagre a racional, criteriosa e preocupada com a população e bem comum nacional. Não há milagres. 

Só se finalmente mudássemos e melhorássemos a classe política é que a ajuda europeia poderia ser controlada e bem aplicada desta vez. Só nesse caso poderia haver uma oportunidade histórica para aplicar bem fundos europeus pela primeira vez. Para isso acontecer era necessário reformar o Estado e a política. Podíamos salvar vidas e auxiliar os portugueses mais afectados economicamente pela Covid-19, indo recuperar os milhares de milhões desviados para bancos privados e outros negócios de políticos como o hidrogénio, cessando contratos infindáveis com familiares de políticos, ajustes directos e milhares de nomeações de ‘boys’ incompetentes. Pondo primeiro os Portugueses e as empresas portuguesas sustentáveis, mas afectadas pela crise, em vez do partido invisível dos negócios misturados com política que desperdiça há décadas para proveito próprio milhares de milhões de fundos europeus e dívida. 

Isso só acontecerá quando os Portugueses escolherem em primárias e unipessoalmente cada um dos seus deputados e governantes. Só assim a nossa classe política seria finalmente devidamente escrutinada e responsabilizada pelo uso do nosso dinheiro e da dívida que os europeus enviam para aqui. Só com uma reforma assim terminaria o irresponsável desbaratar dos nossos impostos e dos impostos dos outros europeus, que nos põem fora de nós e do país.  

Se não fizermos isso, poderemos esperar sentados e desesperar mais uma vez pelo esbanjar habitual e manjar sempre para os mesmos, já sem qualquer vergonha ou sequer debate. Sem reformas que conduzam a novos e melhores actores políticos, poderá haver uma alegria ou ilusão passageira com esta nova fornada de dívida europeia, mas haverá, indubitavelmente, mais décadas de pobreza portuguesa continuada nos últimos lugares económicos da União Europeia. ■