Literatura e música de volta!

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A pandemia está ressuscitando os clássicos da literatura mundial e, naturalmente, a de língua portuguesa. O confinamento das pessoas leva à leitura ou à releitura de obras lidas há décadas por uns e, surpreendentemente, desconhecidas de outros.

Nas livrarias, estão esgotados os russos, franceses, ingleses e espanhóis, traduzidos para muitos idiomas desde sempre. E os nossos não ficam atrás.

Quem acompanha as cotações de livros oferecidos na Internet verifica que edições antigas (não apenas de clássicos) não só estão escasseando como subiram de preço. Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e Fernando Pessoa estão entre os portugueses mais procurados neste momento no Brasil. Além de Machado de Assis e outros esquecidos, como Joaquim Nabuco, Pedro Nava – grande memorialista – e Antonio Olinto, cujo A Casa da Água dobrou de preço. Jorge Amado costumava brincar com Olinto dizendo que ele escreveu o livro que ele deveria ter feito, que começa em Minas e passa pela Bahia, até chegar a África.

Livros de história e biografias estão esgotados nas livrarias que conseguiram abrir suas portas ou estão atendendo pela Internet e mandando pelos Correios.

Neste quadro actual, a historiadora Mary del Priore, de grande produção abordando os anos do Império no Brasil, viu seus livros esgotarem. Ela é autora de trabalhos fundamentais para se conhecer os personagens da monarquia, em textos romanceados e interpretados. Possui cerca de 20 publicações sobre personagens do período Imperial, desde José Bonifácio, o Patriarca da Independência, à Condessa de Barral, a grande paixão do Imperador Pedro II. E tem o livro que narra a pouco conhecida vida do Príncipe Pedro Augusto Saxe-Coburgo, que o acompanhou no exílio e enlouqueceu em função da República. Era o preferido do Imperador e alimentava esperanças de ser escolhido, caso a Princesa Isabel, personagem de outro livro da historiadora, não tivesse filhos.

Mary del Priore aventurou-se na abordagem da Rainha de Portugal, D. Maria I, mãe de D. João VI.  Defende a tese de que a monarca, na verdade, não era louca, como ficou na história. Mas, sim, sofria de grande depressão, pelos problemas pessoais e institucionais que viveu.

Na semana passada, com o aniversário do movimento de 1964, o tema voltou às livrarias, com o especial Os Anos de Chumbo, estudo raramente imparcial, de Luiz Octavio Lima, jornalista premiado com seus livros e reportagens, que faleceu há meses, dias depois de entregar o livro à editora Planeta. Metrópole à Beira-Mar – O Rio Moderno dos anos 20, de Ruy Castro, está esgotado também.

Entre os dados positivos desta quarentena mundial, sem dúvida, está a volta, mesmo que forçada, do hábito da leitura e da música. Há-de registar-se também que o Youtube tem permitido a saudosistas ouvirem músicas dos anos 1930 e 1940, cuja lembrança ressurgiu pelo livro de Ruy Castro.

No mais, desligar do assunto do coronavírus obedece também a recomendação médica. Especialmente de psicólogos e psiquiatras.

Viva a leitura e a música!!! ■