António Costa e a Coreia do Norte

António Costa e a Coreia do Norte

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Manuel Silveira da Cunha

Este artigo é uma breve exposição do sistema de transporte norte-coreano, sobretudo uma análise do uso do automóvel. É um modelo que parece inspirar António Costa, primeiro-ministro de Portugal, que afirmou que os Portugueses das cidades têm de “começar a habituar-se a viver sem automóvel”. O exemplo norte coreano parece ser assim o grande modelo inspirador de António Costa.

Apesar de em muitos países, como a Alemanha, a indústria automóvel ser um extraordinário motor de desenvolvimento, apesar de a Google estar a desenvolver um modelo de condução autónoma, que dará mobilidade a pessoas de idade avançada ou com problemas de mobilidade ou incapacidade visual, dando aos cegos um transporte autónomo e permitindo a pessoas sem carta poderem actuar em situações de emergência, levando, por exemplo, um familiar doente ao hospital, apesar do automóvel amigo do ambiente, seja este eléctrico, híbrido, movido a hidrogénio, a ar comprimido, libertando ou vapor de água ou com zero emissões, cuja investigação é um assunto de ponta em todo o mundo, António Costa parece que segue o modelo da idade da pedra e nega ao comum cidadão o uso do automóvel naquilo que parece ser uma orientação estratégica do seu governo. Um modelo que iniciou na câmara de Lisboa e que tornou um inferno as deslocações automóveis na capital.

Esta política, que vem a ser seguida pelo sucessor de Costa, um tal Medina, visa escorraçar os lisboetas, dar à vida de quem cuida de crianças ou de idosos ou doentes, agora em Lisboa, depois em todo o País, uma espécie de angústia infernal, existencial e depressiva que tem a ver com um problema crucial das sociedades modernas, a liberdade de movimento e de circulação. Os transportes públicos são infames e perigosos, a higiene horrível, a cidade é orientada para os tuc tuc e os dispositivos turísticos, o ódio ao cidadão e o amor ao turista são o mote.

Vejamos então como funciona a Coreia do Norte, um modelo que terá de ser adaptado a Portugal por Costa, mas que parece ser claramente o mote inspirador da governação. Seguem as medidas:

1. Apenas 7.5% das estradas da Coreia do Norte são alcatroadas, uma boa ideia para aplicar em Portugal, sem exagerar: dar ordem para lavrar 80% das estradas existentes, transformar 80% as ruas de todas as cidades em hortas comunitárias com carreiros apenas pedonais. Ficaríamos assim com 20% das estradas actuais, um passo no caminho da Coreia do Norte. Em Lisboa, a cidade da Europa em que se perdem mais horas ao volante, já se começou na baixa pombalina.

2. As faixas de rodagem das auto-estradas coreanas têm velocidades próprias diferentes, o máximo são 70km/h. Sugerimos uma velocidade máxima de 80km/h, o modelo norte-coreano parece demasiado radical, mesmo para Costa. Na faixa mais rápida circulariam apenas as viaturas oficiais dos ministros e oficiais muito importantes. A exemplo da Coreia do Norte, a viatura de Costa, supremo senhor do automóvel e único autorizado a ter mais de 2.5 litros de cilindrada e o único autorizado a ter mais de seis cilindros no motor, circularia nesta faixa. Na segunda faixa, limitada a 60km/h, circulariam os turistas e as autoridades policiais. Na terceira faixa, limitada a 43 km/h (mesmo assim 3km acima do limite norte-coreano), circulariam os locais. Os cidadãos portugueses teriam de pagar um imposto de cem mil euros por carro por ano, e teriam de ter um passaporte especial para poderem estar a mais de 30km de casa, sob pena de espancamento e confisco do automóvel. Para irem mais longe teriam de apresentar um salvo-conduto assinado pelo próprio António Costa. As viaturas com mais de 4 anos teriam de circular apenas entre a meia-noite e as cinco da manhã.

3. O combustível teria de ter um certificado especial provando que foi comprado do lado de cá da fronteira e não obtido ilegalmente: esta exigência iria ao encontro das ideias patrióticas do ministro Caldeira Cabral.

4. Tal como na Coreia do Norte, apenas a carros com mais de uma pessoa no seu interior seria permitido circular. Excepto os turistas e viaturas oficiais, a começar pelo topo de gama de António Costa, poderiam circular apenas com condutor. Marcelo Rebelo de Sousa poderia, a título excepcional, conduzir na segunda faixa quando não de serviço oficial e seria equiparado a turista nessa situação. Apenas Costa e Medina poderiam circular na faixa rápida mesmo quando em viatura particular.

5. Seriam comprados furgões de transporte de gado e camiões de banco corrido para transporte comum de cidadãos nos transportes públicos, facilmente seriam adicionados milhões de lugares de transporte a preços económicos. Os veículos seriam comprados aos excedentes militares da Coreia do Norte.

Ficam aqui as sugestões, a bem da Nação. Não esperamos recompensa, mas apenas a adopção destas medidas salutares que habituarão o cidadão lusitano, mas não o turista, a “ter de viver sem automóvel”. Já estivemos mais longe.