Catarina Martins, a amiga de Lula da Silva

Catarina Martins, a amiga de Lula da Silva

0 2781

Manuel Silveira da Cunha

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, vem afirmar que o que está a acontecer no Brasil é um golpe de Estado realizado pelo poder judicial apoiado pelos meios de comunicação social!

A frase em si é um absurdo: seria um golpe de Estado, ou seja uma subversão do Estado de Direito, se forças sem autoridade ou investidas de um poder real tomassem pela força ou por meios astuciosos, não legais portanto, as rédeas do país. Não se trata de nada disso, é preciso colocar os pontos nos ii. Cegos por complexos ideológicos, os senhores do bloco de esquerda, próximos de uma putativa esquerda brasileira representada por Lula da Silva e por Dilma, condenam as acções judiciais como golpistas! De facto o Sr. Inácio Silva, enquanto presidente, beneficiou de um esquema monumental de corrupção que financiou campanhas sucessivas dele próprio, de Dilma e fez entrar quantidades enormes de dinheiro nos sues bolsos, que fariam um homem humilde como José Sócrates chorar de inveja por não ter amigos do calibre das grandes construtoras brasileiras e apenas o Multibanco Silva.

Inácio Silva, o tal de Lula, tinha num cofre privado, num banco, uma escultura do “Aleijadinho” António Francisco Lisboa, nascido em 1730, famoso escultor português do Brasil colonial. Uma peça que faltava no Palácio do Planalto, tire o leitor as conclusões. Se o Sr. Lula é um vulgar ladrão, como tal merece ser investigado pelo poder judicial. A escultura, e muitos outros bens sonegados ao erário público brasileiro, são apenas uma evidência de todo o resto. O poder judicial apenas quer levar à justiça os corruptos e os ladrões como Lula e, provavelmente, Dilma Roussef, que ainda terá de ser criteriosamente investigada.

No Brasil os poderosos defendem-se muito bem, saem da cadeia por bom comportamento com um sexto, leu bem, um sexto da pena cumprida! Em trinta anos de pena saem ao fim de cinco. Mas isso é se forem condenados: existe toda uma teia de intrigas, de subornos, de imunidades que evitam as investigações.

O novo poder judicial brasileiro é constituído por jovens magistrados que, oriundos de uma classe média urbana, moralmente conservadora, ainda têm algum sentido ético e moral. Sonham com uma democracia avançada do tipo europeu nórdico ou, em menor grau, pelo menos do tipo americano. O seu sentido de justiça e a impunidade vigentes levam estes magistrados a tomar medidas que, normalmente, não tomariam. A divulgação das escutas entre Dilma e Lula pode ser, damos de barato, condenável; não será certamente criminosa, porque isso teria de ser tipificado num código criminal e um juiz nunca faria algo que fosse um crime. Mas tem uma justificação, a do desespero do poder judicial, desprovido de meios, face a um poder político tentacular, mafioso, corrupto.

Lula e Dilma não são de esquerda ou direita, são, esses sim, vulgares criminosos. Dilma subverteu o Estado de direito ao nomear Lula ministro, sem qualquer função que justifique o seu título, para escapar à prisão. Neste contexto de obstrução à justiça, a divulgação das escutas é o último meio que resta a um magistrado para que os políticos tenham alguma vergonha na cara, coisa que, já se demonstrou, não têm.

Vergonha na cara não tem Catarina Martins ao defender corruptos e mafiosos porque são da putativa esquerda. É esta cegueira que levou Bernardino Soares a defender que a Coreia do Norte é uma democracia. Não faltará muito a Catarina Martins para chegar ao mesmo triste fim.

SIMILAR ARTICLES