Quatro mil milhões de motivos

Quatro mil milhões de motivos

Saiu no Diário de Notícias uma entrevista a Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças de José Sócrates Pinto de Sousa, um dos responsáveis pela situação actual da Caixa-Geral de Depósitos e que nós prevíamos neste mesmo jornal, em artigo publicado em 2012, que iria dar em catástrofe.

Segue textualmente com perguntas e respostas e a devida vénia ao DN o texto da entrevista no ponto em que interessa. A ortografia é do DN, que segue o acordês em vez do Português.

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“Teve responsabilidades diretas sobre a Caixa quando era ministro das Finanças, e escolheu um conselho de administração para a Caixa…

Escolhi dois, até.

Quando escolheu Armando Vara fê-lo por considerar que era um bom gestor bancário?

Sim.
E não se arrepende disso?
Não… Atenção! Eu acho que – e não tenho, para já, motivos, e as questões que têm vindo a ser levantadas, para mim, ainda estão por esclarecer -, neste momento, não tenho razões para dizer que foi uma má escolha. Naquele momento era uma pessoa que conhecia, com quem tinha trabalhado no governo, uma pessoa que conhecia a Caixa, porque tinha lugares de elevada responsabilidade na Cai- xa e, portanto, era uma pessoa que me dava con ança para cumprir um cargo: o cargo para que foi, ao m e ao cabo, convidado e que aceitou. Não tive, na altura, quaisquer dúvidas quanto à sua capacidade, que aliás revelou durante o período que esteve na Caixa, a ponto de o doutor Santos Ferreira, quando foi convidado para o BCP, entender convidar o Dr. Armando Vara para o levar consigo para o BCP, porque lhe reconheceu capacidade e competência, porque o mostrou enquanto esteve como administrador da Caixa. Portanto, isso, para mim…”

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Há pouco mais a dizer. Teixeira dos Santos nomeou Armando Vara porque o conhecia! Tinha tido lugares de elevada responsabilidade, creio que um desses lugares de grande responsabilidade teria sido o de caixa num balcão remoto da instituição, o que é realmente algo de muito importante e que valoriza o currículo de qualquer gestor bancário. Uma das razões porque Teixeira dos Santos convidou Armando Vara foi porque “ao fim e ao cabo” ele o convidou e o sr. Vara aceitou!

Uma das grandes valias do sr. Vara foi ter sido reconhecido por um dos homens que conduziu o chamado “assalto do PS ao BCP” (que, entre outras coisas, quase culminava com falência deste banco), o também extremamente competente “doutor” Santos Ferreira!

Felizmente o jornal não cortou as hesitações, engasgos e soluços do Sor doutor Teixeira dos Santos para se perceber o embaraço. O que é espantoso é que Vara foi responsável pelas participações financeiras da Caixa, sector que se revelou catastrófico para a CGD e fantástico para alguns devedores que embolsaram os capitais e que nunca pagaram. O senhor doutor Teixeira dos Santos, que agora trabalha para os angolanos do BIC que lhe compraram o nosso BPN a si mesmo, “não tem, para já, motivos” para duvidar da escolha de Armando Vara e dois conselhos de administração que escolheu para a Caixa, onde aliás pontificavam outras sumidades do nosso sistema bancário como Celeste Cardona, nomeada precisamente em 2005.

Será que mais de quatro mil milhões de motivos não lhe bastam?

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