A cobertura noticiosa da Covid-19 (III)

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Dispensava-se pois, por isso, toda essa “pedagogia” (leia-se: histeria) “democrática” (alegadamente “anti-fascista”). Já vão longe os tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso) e não é por ter voltado a “Telescola” que os media devem tratar os portugueses como crianças. Como gosta (e bem) de lembrar o nosso actual Presidente da República, o povo português não nasceu em 1974 (nem, escusado seria dizê-lo, em 1926 ou em 1910) – é, muito longe disso, um povo com quase nove séculos de história. Não sabemos se somos, por isso, um “milagre”, como Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu num discurso recente. Mas somos decerto, pelo menos, um povo adulto, um povo que, desde logo por essa longevidade, tem uma acrescida sageza histórica que o torna mais imune a essas visões simplistas/maniqueístas que tão disseminadas foram, até à náusea, nestas últimas semanas. Já nos basta a disseminação do vírus…

Chamada de textos para a NOVA ÁGUIA

Se pode parecer estranho o desafio de pensar uma pandemia, mais estranho ainda é não a pensar, já que ela parece paralisar o pensamento e deixar o homem entregue à mera condição biológica da sobrevivência e à situação de fragilidade. Mas o pensamento é aquela actividade libertadora pela qual o homem se eleva acima da sua condição biológica para procurar compreender o universo e regressar a si mesmo e à permanente novidade da existência. Ao desânimo e ao abandono devem responder o sentido de um renovado ânimo impulsionado pela coragem, a inteligência e a imaginação inventiva. Se nunca a palavra pandemia teve tanto significado como na época da comunicação à escala planetária, infelizmente, nenhuma idade parece estar tão alheia ao pensamento como esta da contemporânea globalização. As alterações produzidas pelo efeito Covid-19 sobre as diversas comunidades humanas e sobre a relação destas com a natureza, convidam-nos a repensar, de novo, a vida e a civilização, o conhecimento, a saúde, a tradição, a tecnologia, o destino do homem, as nossas próprias circunstâncias. Não é, por certo, da ignorância activa, mas do activo pensamento que decorrerá uma sadia reinvenção do futuro. 

A revista NOVA ÁGUIA vem lançar este convite, aguardando para o seu 26º número as reflexões que desejem subscrever o pensamento de Leonardo Coimbra: “O homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro de um mundo a fazer”. A entrega dos textos (a enviar para novaaguia@gmail.com) deve ser feita até ao final de Junho de 2020.

Reabertura da Sede do MIL: A partir de 18 de Maio, a nossa sede nacional, no Palácio da Independência, em Lisboa, estará de novo aberta ao público. Para agendamento de reuniões: info@movimentolusofono.org | 967044286. ■