Daí, também, a sua concepção de “metáfora”: “Ao contrário do que se ensina nas escolas, a metáfora não é qualquer relação entre imagens. É, sim, a transposição da imagem sensível para imagem representativa e da imagem representativa para imagem simbólica” (p. 228). Eis, ainda segundo Orlando Vitorino, todo o firmamento e fundamento da “fazenda poética”: “A fazenda poética, que é a transposição ou metáfora que vai da imagem sensível à imagem simbólica, tem por condição prévia a intuição do mundo inteligível” (p. 230). Sendo que esta, a intuição, “tão própria ao pensamento filosófico como ao pensamento poético. O que os distingue é que o pensamento filosófico forma do inteligível o conceito enquanto o pensamento poético forma o símbolo” (p. 230). Sendo que, como reitera, “nesta distinção entre pensamento filosófico e pensamento poético convém acentuar a condição de que, sem a intuição do inteligível, não há um nem outro pensamento” (p. 231).
Tanto um como o outro são assim, ainda que diferentemente, uma ascensão – analogamente à filosofia, “não há poesia sem transposição da imagem do sensível para o inteligível” (ibidem). Mais do que isso: a “finalidade suprema da poesia” é a “invocação do espírito”, que consiste nisso mesmo de levar ao inteligível o sensível que nele teve princípio e origem mas que dele tende, por sua mesma natureza, a cindir-se, afastar-se e separar-se. Foi esta cisão que José Marinho teorizou como cisão da verdade que se prolonga em todos os seres que emergem do trânsito pelo tempo e o espaço” (p. 235). Daí, enfim, a “aliança” entre filosofia e poesia – ainda nas palavras de Orlando Vitorino: “É exercendo a liberdade que a poesia invoca o espírito. E se poesia não é filosofia, uma aliança todavia existe entre elas. A aliança consiste em invocar uma o espírito que a outra segue, pensamento e movimento” (p. 241). Reiterando: arte, poesia e filosofia são assim, ainda que diferentemente, uma ascensão.
Novo Apelo aos Amigos da NOVA ÁGUIA
No dia 10 de Março, lançámos o nº 25 da Revista NOVA ÁGUIA e, poucos dias depois, com a declaração do “estado de emergência”, foram canceladas todas as sessões de apresentação agendadas. Agora, o cenário ameaça repetir-se com o nº 26 da Revista, lançada a 22 de Outubro. A anunciada sessão na Fundação António Quadros, no dia 31 de Outubro, foi entretanto cancelada. O mesmo aconteceu com o Ciclo das “Tertúlias da Cultura Portuguesa”, que tem decorrido no Palacete dos Viscondes de Balsemão – as sessões de Outubro e Novembro foram igualmente suspensas, a par de outras sessões que iríamos anunciar em breve. Por tudo isso, reiteramos pois o nosso Apelo aos Amigos da NOVA ÁGUIA – dados todos estes cancelamentos, solicitem que a NOVA ÁGUIA vos chegue, de novo, por correio (contactos: info@movimentolusofono.org | 967044286). ■




