Um 25 de Abril vergonhoso

“A partir de agora, qual é a autoridade moral que o Desgoverno tem para impor restrições, sejam elas quais forem? Nenhuma!”

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Este Desgoverno vai vivendo em estado de graça e colhendo os respectivos louros graças à militância, sensatez e voluntariado da grande maioria do povo português.

Desde que se teve conhecimento do Covid-19, em Dezembro passado, revelação feita à revelia do Governo comunista chinês, que, quiçá, tinha planeado só o fazer após o Carnaval e depois de ter a certeza que conseguiria dizimar metade da Europa e uns largos milhões mais de cidadãos por este mundo fora, que o Desgoverno português deveria ter iniciado a estratégia de combate ao mesmo e diligenciado no sentido de se apetrechar de todos os utensílios necessários a esse mesmo combate – máscaras, ventiladores, luvas, etc. – dentro das disponibilidades do mercado.

Com uma “iluminada” à frente da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que afirmava categoricamente e de sorriso nos lábios que “o vírus não chegará a Portugal” e “este vírus, ao contrário de anteriores, não se transmite através das pessoas”, apoiada por outros incompetentes, quer na DGS, quer no Ministério da Saúde, o Desgoverno desvalorizou a situação e continuou a assobiar para o lado, muito preocupado com as cativações que lhe têm permitido satisfazer as exigências dos camaradas da extrema-esquerda (PCP / BE / VERDES / Ex- LIVRE / PAN) que, em contrapartida, vão servindo de muleta ao PS, permitindo que continuem a Desgovernar o país.

Ao contrário do que a comunicação social e o Desgoverno querem fazer crer, o possível sucesso do combate ao COVID-19 não se deve a nenhuma estratégia do Desgoverno, que se manteve expectante, de fronteiras abertas, permitindo a entrada de milhares de infectados em Portugal, mas sim às medidas empresariais e pessoais que, por iniciativa própria, foram tomadas face à hecatombe que se começou a viver em Espanha e às notícias vindas de Itália.

Antes de qualquer medida anunciada, lembro que já as empresas estavam a colocar colaboradores em “teletrabalho” e que as creches encerravam, o que muito indignou a incompetente e imbecil da Directora da DGS, e que, no fim-de-semana de 13 de Março, perante os dados que vinham de Itália, mas sobretudo de Espanha, e também com o surgimento dos primeiros casos em Portugal, as pessoas, repito, por iniciativa própria, se encerraram em casa, iniciando uma quarentena voluntária. O encerramento dos estabelecimentos de ensino foi feito, não por iniciativa governamental, mas por imposição da União Europeia – na véspera, recordo, a Direcção da DGS, em conferência de imprensa, anunciava não haver razões para tal – e todas as medidas entretanto tomadas, que pecaram por muito tardias, foram-no sempre aos soluços e a reboque do que se ia passando noutros países e, muitas vezes, resultado de pressões vindas de autarcas e, sobretudo, dos Presidentes das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Partindo do princípio de que os números divulgados são correctos – algo em que não acredito, e prova disso é a proibição de os autarcas divulgarem os números das suas Autarquias (quem não deve, não teme) e os desmentidos de alguns Presidentes de Câmaras Municipais face a números anunciados e as declarações de gerentes de Agências Funerárias na reportagem da TVI – o êxito alcançado deve-se quase exclusivamente à disponibilidade e iniciativa privadas, isto é, à população em geral, e pouco às medidas do Governo, que continua a efectuar um muito reduzido número de testes. Como habitualmente, António Costa e o PS vivem à custa do esforço e iniciativas alheias.

A mentira, aliás, como é apanágio dos socialistas, e de António Costa em particular, ao contrário do que o Presidente da República assegurara aos portugueses – “não haverá mentira” – tem pautado o comportamento do Desgoverno. Não tendo tomado medidas em devido tempo e perante o flagelo mundial, não compraram máscaras e perante a escassez das mesmas, ao invés de reconhecerem a falta, não, inventaram ser contraproducente o uso das mesmas (além de mentiram, passam outro auto-atestado de incompetência e imbecilidade); possivelmente insatisfeitos com esta mentira, pela boca do Primeiro-Ministro e posteriormente do Ministro dos Negócios Estrangeiros, com a maior das latas, anunciam não haver falta de nada no SNS para o combate ao COVID-19, no que foram prontamente desmentidos pelos profissionais de saúde e outras instituições, como os bombeiros, por exemplo, honestos e não alinhados ou subjugados ao Partido. A mentira vinda desta gente (Desgoverno), não espanta, o que espanta é o silêncio do Presidente da República perante a mesma.

Dentro das medidas governamentais que eu aplaudo, foi declarado o “estado de emergência” e anunciadas medidas, supostamente rigorosas, impossibilitando a circulação de pessoas para fora do seu Concelho de residência durante o período da Páscoa, exceptuando, logicamente, os casos de força maior. Igualmente foi anunciado o cancelamento da Peregrinação a Fátima no 13 de Maio e muitos outros eventos de carácter religioso e pagão, como Procissões, Feiras ou as Festas dos Santos Populares, o que as pessoas, mesmo que intimamente agastadas e contrariadas, na enorme maioria dos casos acataram civilizadamente. 

Em qualquer situação de conflito, seja guerra ou crise, o exemplo tem sempre que vir de cima, o que até à data pouco se viu. E se pouco se tinha visto, foi completamente assassinado (o exemplo) com o anúncio da celebração do 25 de Abril na Assembleia da República, com a presença de, para além dos deputados, diversos convidados num total previsto inicialmente de 300 pessoas. A indignação foi tal que o número baixou para os 130. Vergonhoso, escandaloso e altamente reprovável. 

Isto só é possível num país cujas Autoridades estão convencidas de estarem acima da Lei, impunes (isso já sabemos – é ver o que se passa com a corrupção) e isentas de crítica, por termos um Presidente da AR que é uma nódoa e uma vergonha e por, ao invés de um Governo, termos um Desgoverno constituído por um grupo de amigalhaços sem qualquer sentido de decência. Gente desprezível que não merece qualquer tipo de respeito ou consideração. Para nos darmos ao respeito, temos que primeiro respeitar os outros, o que não acontece com esta gente. 

Proíbem-se eventos, nomeadamente casamentos com mais de 100 pessoas; obrigam-se a realizar funerais sem exéquias; cancelam-se eventos religiosos; adiam-se baptizados; proíbe-se a celebração da Missa, e suas excelências, de cravinho ao peito, acima de tudo e de todos, juntam 130 energúmenos – peço desculpa, mas não encontro outra definição – para celebrar uma data política. Será que convidaram alguma entidade comunista vinda da China, portadora do vírus? Já agora seria aconselhável de forma a mostrarem ao mundo a sua imunidade. 

Como um mal nunca vem só, há rumores de que também se preparam celebrações para o 1º de Maio. Julgava que a renovação do “estado de emergência” até ao dia 2 de Maio tinha como um dos principais objectivos evitar precisamente o ajuntamento de pessoas nestas duas datas. Como me enganei, e como ingénuo fui! Realmente, chego à conclusão de que nas cabeças desta gente os neurónios há muito que foram atingidos por um vírus desconhecido cujo nome não me atrevo a revelar.

A partir de agora, qual é a autoridade moral que o Desgoverno tem para impor restrições, sejam elas quais forem? Nenhuma! Ao contrário do que os abrileiros querem fazer crer, não se trata de uma questão ideológica, mas sim de uma questão de honestidade política, coisa que falta a esta gente.

A iniciativa parte do Presidente da Assembleia da República, o que não espanta, face aos seus tiques ditatoriais e atitudes pouco democráticas ultimamente demonstradas, mas o Desgoverno, se fosse um Governo, simplesmente deveria recusar o convite, invocando exactamente os Valores da coerência, hipocrisia e igualdade. O mesmo esperava eu que tivesse feito o Presidente da República.  

Uma coisa é certa, este 25 de Abril será sempre, e ficará historicamente, como o “25 de Abril da Vergonha”! ■