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Desde 2011, quando Sócrates quase a afundou, a nau Portugal navega em águas difíceis. Mas agora pode estar iminente uma nova tempestade nos mercados mundiais. Infelizmente, o “grande timoneiro” nomeado pela frente de esquerda, António Costa, parece querer atirar-nos directamente contra as rochas. Será que os portugueses vão conseguir dobrar o Cabo das Tormentas económicas?

Ainda 2016 mal começou, e já as campainhas de alerta soam: o mundo está a caminho de mais uma crise económica. Os sinais, como O DIABO vem sublinhando nos últimos meses, estão claramente presentes: o poder de compra da classe média ocidental nunca recuperou depois do desastre económico e financeiro de 2008 e a Zona Euro está estagnada, tendo demorado oito anos a voltar aos níveis económicos anteriores à grande recessão. Os EUA, embora estejam a crescer, nunca recuperaram a pujança consumista de outros tempos. A máquina económica mundial compensou estas perdas com a suposta ascensão de regiões outrora pobres, como a China, ou o Brasil, mas agora também estes países se encaminham para a crise.

Navios em terra, tempestade na economia

No dia 13 de Janeiro, O DIABO recebeu a informação de que não haveria nesse dia um único navio de carga a fazer viagens transatlânticas, um fenómeno que, caso comprovado, seria inédito na história recente da economia mundial. Os nossos repórteres consultaram então os ‘websites’ de navegação comercial VesselFinder.com e MarineTraffic.com, onde confirmaram que, àquela data, não havia, de facto, um único navio de carga em trânsito entre a Europa e a América. Nos restantes oceanos, o tráfego também era ligeiro. A maioria dos navios estava ancorada, à espera de ordens para zarpar.

Nos Media de Nova York, o tema foi tratado com pesar. O ‘New York Post’ afirmou mesmo que “é um terrível sinal económico, é prova de que o comércio está literalmente parado”.

Mares vazios. O comércio transatlântico estava completamente parado
Mares vazios. O comércio transatlântico estava completamente parado

Em 2015, os armadores mundiais gastaram 20 mil milhões de euros em navios de carga novos, na expectativa de uma economia muito mais pujante. Desde os anos 90, graças à deslocalização de fábricas, todos os anos vastos milhares de toneladas de matérias-primas eram levados de África e da América Latina para a China e Índia, onde eram transformados em produtos que, por sua vez, eram transportados para os consumidores ocidentais.

A capacidade média dos navios de contentores duplicou na última década. Foi, talvez, uma aposta errada. A ausência de consumo, combinada com um excesso de oferta, significa que a franquia média para transportar um contentor entre a Ásia e a Europa caiu para 233 dólares (214 euros), um valor 32 por cento abaixo dos valores de 2014, e agora abaixo dos custos de transporte. Em resposta, o maior armador mundial, a Maersk, anunciou que ia dispensar 4.000 trabalhadores, e que iria diminuir a sua frota operacional de forma a diminuir custos.

Crise mundial

As exportações da Alemanha, o centro das exportações europeias, caíram cinco por cento no ano passado, e o banco de investimento Deutsche Bank anunciou prejuízos de 6 mil milhões de euros, enquanto o Barclays vai despedir 19 mil trabalhadores.

Na China também se sente a crise iminente. A fuga de capitais continua, com os investidores a retirarem o seu dinheiro para lugares mais seguros. Só em 2015 a China perdeu 200 mil milhões de euros em investimentos. O controlo apertado da economia por parte do Partido Comunista Chinês impede qualquer reacção rápida aos enormes problemas que o país enfrenta, e burocratas politizados tomam decisões no lugar de técnicos. Nos EUA ironiza-se com a frase “é hora dos amadores”. Quando a bolsa chinesa entrou em queda livre, o Governo tentou tomar controlo dos mercados, causando graves perdas a milhões de chineses e estrangeiros e originando uma profunda quebra na confiança que os investidores tinham na economia da República Popular. No dia 7 de Janeiro, a venda desesperada foi tal que fez história: foi o dia de funcionamento mais curto de sempre de uma bolsa quando, ao fim de 30 minutos, as autoridades suspenderam as negociações. A queda nesse dia foi de sete por cento em meia hora. O Estado tentou salvar os mercados comprando ele próprio acções, tendo gasto 200 mil milhões nesta missão, aumentando ainda mais a dívida soberana do país, que tem subido consideravelmente nos últimos anos.

A crise no “Reino do Meio” arrastou todos os restantes, especialmente o Brasil, que se aproxima da bancarrota. A braços com uma profunda crise económica – estima-se que a economia irá perder três por cento do seu valor este ano – sete por cento do orçamento nacional brasileiro destina-se a pagar juros da dívida. A primeira capa do semanário “The Economist” de 2016 trazia em título “A queda do Brasil”. Os baixos preços do petróleo, que agora se prevê que cheguem aos 16 dólares por barril, valor mais baixo dos últimos 30 anos, deixam os países dependentes de petrodólares, como a Venezuela, o Brasil e Angola, ainda com mais dificuldades em sair da crise. Por sinal, tudo países onde a ideologia de esquerda se sobrepõe ao lúcido diagnóstico técnico do estado da economia.

2016 “cataclísmico”

Face aos sinais de um profundo abrandamento comercial, o RBS-Royal Bank of Scotland emitiu o parecer de que 2016 pode ser “cataclísmico”, e recomendou aos investidores que vendam “tudo menos obrigações de qualidade elevada”, pois a desaceleração económica chinesa e a estagnação na zona euro podem conduzir a uma perda de 20 por cento de todos os investimentos. Pouco depois dos avisos do RBS, o líder de estratégia da Société Générale, Albert Edwards, avisou que podemos enfrentar este ano uma crise ainda pior do que a de 2008: “Os novos desenvolvimentos na economia mundial vão atirar os Estados Unidos de volta à recessão, e a crise financeira vai voltar”.

O economista critica os banqueiros centrais em ambos os lados do Atlântico, mas em especial os da Reserva Federal, banco central dos EUA, que voltaram a aumentar as taxas de juro: “estamos a entrar em deflação, e a banca central não o consegue ver”. O risco de deflação é especialmente temido pelos economistas mundiais, que receiam uma estagnação prolongada como aconteceu no Japão, onde o PIB e os ordenados não crescem há mais de vinte anos.

Edwards nota também que, “caso a economia mundial regresse à recessão, então é o fim da zona euro”, pois duvida de que a subida drástica do desemprego que irá acompanhar tal recessão seja aceite pela França, Espanha e Itália.

E agora, “grande timoneiro”?

António Costa derrubou o anterior Governo para se assumir como líder de uma frente de esquerda cujo objectivo era “acabar com a austeridade” com uma varinha mágica e “restaurar a prosperidade económica”. O novo cenário mundial significa, no entanto, que a “pesada herança” dos cofres cheios que o anterior Governo lhe deixou poderá não chegar para aguentar a estabilidade do barco.

Costa, o “grande timoneiro” da frente de esquerda
Costa, o “grande timoneiro” da frente de esquerda

Pior, o “grande timoneiro”, pelos vistos, sucumbiu ao canto das sereias vermelhas, e tudo está a fazer para que Portugal tenha novamente de enfrentar sem dinheiro a forte borrasca que se aproxima. A medida da limitação do horário de trabalho a 35 horas (exclusivo para a Função Pública, a “plebe” terá de trabalhar 40) foi enviada para o Parlamento sem que o PS faça ideia de quanto é que vai custar aos cofres públicos. Mário Centeno, o primeiro-imediato de Costa e também ministro das Finanças, confessou que “neste momento não há uma estimativa” sobre o impacto da medida. Já a Unidade Técnica de Apoio Orçamental revelou, na última semana, que os planos de António Costa vão exigir um endividamento extra de 11 mil milhões ao País. Muitos programas de Sócrates, como a empresa pública Parque Escolar, vão ser reactivados, neste caso com 340 milhões de euros.

Como se soluciona este problema? Simples: não se paga ao FMI. Costa decidiu que só vai pagar uma parcela do dinheiro que Portugal devia ao Fundo, protelando para um futuro ainda mais incerto o momento em que o País se livrará desta organização, que José Sócrates chamou para dirigir os destinos das finanças portuguesas. Infelizmente, a imprensa do sistema “esquece-se” de referir que, em qualquer dos casos, Portugal irá continuar a pagar juros sobre os empréstimos recebidos.

O volume total da dívida pode revelar-se nova fonte de problemas, pois em caso de nova recessão será um forte argumento contra a confiança dos mercados. Confiança, essa, que já não é muito boa, tendo em conta as ameaças de re-nacionalização da TAP e incumprimento das obrigações assumidas pelo Estado Português. Sintomaticamente, o ‘Financial Times’ da passada sexta-feira critica amargamente “as tentativas para alterar ou anular os contratos do sector dos transportes, incluindo a privatização da companhia aérea nacional”, e avisa que o programa seguido por António Costa “deverá ter um impacto negativo no ambiente empresarial durante vários anos”, algo que não poderá facilmente ser revertido, pois Costa “enfrenta a tarefa impossível de coordenar os pedidos dos seus parceiros de esquerda e a comunidade de investidores internacionais”.

Já Philippe Bodereau, director-geral da Pimco, uma das maiores empresas de investimento do mundo, nos colocou por completo noutro clube de países que não o das Nações europeias: “O novo Governo português não é o primeiro a recorrer ao confisco de activos e à conveniência populista. A Venezuela e a Argentina também estão neste grupo”. Bela companhia…

Mas, tal como no Titanic, os mentores da frente de esquerda ocupam lugares de primeira classe e têm prioridade no acesso aos botes salva-vidas. O desgraçado do português comum irá ao fundo com o navio, afogando-se nas frias águas da crise económica, como já se tornou costume.