EVA CABRAL

É, até agora, o ‘dossier’ pior gerido por parte do Executivo de António Costa. A demora a encontrar uma solução definitiva para que a CGD materialize o seu processo de recapitalização e de reestruturação negociado com Bruxelas está a deixar as agências de ‘rating’ nervosas. O que se passa no banco público poderá ter uma influência directa na nota que lhe é atribuída, o que condicionará o seu futuro, já que é determinante no acesso ao crédito.

A situação da Caixa Geral de Depósitos é preocupante e António Lobo Xavier – político do CDS-PP actualmente mais dedicado à advocacia e a empresas – disse preto no branco, na SIC, que a instituição já estaria resolvida, pelas novas regras europeias para a banca, caso não fosse pública. Nos meios ligados à banca considera-se que, se não se conseguir proceder ao rápido saneamento da instituição, o risco continua a ser bem real.

A resolução da CGD, que representa 40 % do sistema bancário português, iria repetir o que aconteceu com o antigo BES, onde o Fundo de Resolução teve de actuar injectando 4,9 mil milhões de euros. Neste momento, ainda se está em fase de procurar um comprador para o Novo Banco que irá ‘pagar’ uma pequeníssima parcela deste valor para ficar com a instituição que sucedeu ao BES.

A dimensão da CGD iria ainda dificultar mais uma actuação do Fundo de Resolução, e exigiria um volume de capital muito superior, uma situação muito complicada devido à fragilidade de toda a banca nacional.

Depois de apostar em António Domingues e na equipa por ele formada durante meses, o Executivo de António Costa deixou arrastar-se a polémica sobre a não entrega ao Tribunal Constitucional das declarações de rendimentos e patrimónios, quer do CEO quer da restante equipa. Uma telenovela que terminou com António Domingues a renunciar ao cargo, e a obrigar o Governo da ‘geringonça’ a encontrar outra solução.

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