Podemos ser obrigados a regressar ao carvão

O Governo abordou empresas eléctricas, entre elas a EDP, para avaliar em que condições seria possível retomar produção nas centrais de Sines e do Pego – revelaram esta semana o semanário Expresso e o jornal online Observador.

Menos de três meses depois de ter encerrado a última usina de produção de energia a carvão, a Central do Pego, o Governo faz marcha-atrás e admite que, nesta fase da vida mundial, é possível que Portugal tenha de continuar a recorrer àquela forma de energia, aliás ainda em utilização em grande parte dos países da União Europeia.

Matos Fernandes, que esta semana deixou finalmente a pasta do Ambiente, manteve uma posição de teimosia nesta matéria, forçando o encerramento do Pego apesar dos avisos dos técnicos de que a medida era prematura, dada a dependência de Portugal em termos energéticos. Logo em Janeiro ficou claro que Matos Fernandes se tinha precipitado, quando tivemos de recorrer à compra de energia no mercado espanhol – por ironia, energia produzida em centrais espanholas… a carvão! Espanha aposta, de resto, no pleno: mantém em produção todos os tipos de energia, incluindo a nuclear.

Na sua proverbial arrogância, o ministro não quis dar o braço a torcer, fazendo questão de se apresentar como “mais ambientalista” do que os outros países da União, que afinal se mostraram mais realistas e sensatos.

Esta semana, contudo, o Expresso e o Observador revelaram que, apesar de o discurso oficial não ter sofrido alteração, o Governo, através do gabinete do secretário de Estado da Energia, João Galamba, abordou a EDP e a dona da Tejo Energia para avaliar da viabilidade, ou até a possibilidade técnica de retomar a produção nas centrais encerradas de Sines e do Pego.

O Expresso adiantou que a iniciativa de contactar a EDP terá partido, mais especificamente, da Direção-Geral de Energia e Geologia, o organismo da administração pública responsável pela energia e que está debaixo da tutela do Ministério do Ambiente e Ação Climática (MAAC). Deste contacto, apurou-se, resultou a instrução para suspender o processo de desmantelamento daquela que já foi a maior central do país.

Segundo o Observador, “o carvão tem suscitado as discussões mais acesas no sector energético, mas uma afirmação parece consensual: num sistema muito exposto às fontes renováveis, quanto mais tecnologias estão disponíveis, maior é a segurança do abastecimento. Também é verdade que Portugal não tem usado toda a sua potência térmica disponível em gás natural, recorrendo às importações de Espanha essencialmente por razões económicas (preço) e não por falta de capacidade. Até Fevereiro, as compras ao outro lado da fronteira abasteceram 25% do consumo nacional”.

O jornal recorda que a central de Sines começou a ser desmantelada há um ano, e apesar de muito equipamento ter sido transferido para outros países onde a EDP mantém a produção carbonífera, “dois dos quatro grupos ainda poderiam ser reativados numa potência instalada de mais de 600 MW”.

Já na Central do Pego “o processo de desmantelamento ainda não começou e os trabalhadores que conhecem esta tecnologia ainda estão na empresa ou a fazer formação para requalificação profissional na área das energias renováveis”. E o Observador conclui: “é possível reativar o carvão, mas quanto mais tarde demorar a decisão, mais difícil e mais caro”. ■

Artigo anterior
Próximo artigo
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimos artigos