Aprender a matar em Gaza

Verão é tempo de férias – e para quem tem a sorte de viver à borda do Mediterrâneo, como os israelitas, mergulhar nas águas do mar, quase mornas, e brincar na areia é normal durante este período do ano. Mas não longe, um pouco a sul de Tel-Aviv, mais concretamente na faixa de Gaza, o Hamas reserva outro tipo de “brincadeiras” para as crianças palestinianas.

As férias de Verão, para os extremistas islâmicos, constituem um período de excepção para incutir nos mais pequenos o ódio aos judeus e a Israel. Nada melhor para isso que organizar colónias dedicadas aos primeiros contactos e treinos com o armamento de guerra que servirá para atacar, e se possível matar, o odiado vizinho. A “colónia de férias” do Hamas está apta a receber, treinar e formatar cerca de 100 mil jovens, potenciais futuros “mártires islâmicos”.
O treino militar e a verdadeira lavagem ao cérebro efectuados pelo Hamas às crianças de Gaza não são uma novidade. Com o apoio do Irão, utilizam-se todos os meios possíveis para incutir o ódio a Israel nos mais jovens. Começa nos jardins infantis, mantém-se nas escolas e prossegue nas universidades. E nem vale a pena mencionar as pregações dos ímãs nas mesquitas, um grande clássico na difusão de ideias belicistas. A reformatação do pensamento da juventude palestiniana prossegue com o tipo de linguagem empregue nos meios de comunicação locais, chegando-se mesmo ao cúmulo de até as banais “palavras cruzadas” servirem de meio de propaganda antiocidental e, principalmente, anti-Israel. Tudo serve para incutir desde a mais tenra idade uma ideologia radical que glorifica a Jihad (“guerra santa”), o terrorismo e a luta armada contra Israel, com o objectivo de “libertar a Palestina do Rio Jordão até o Mar Mediterrâneo”.
E, nesta perspectiva, os acampamentos de Verão para crianças são uma peça importante. Ali os mais jovens familiarizam-se com os treinos militares, como utilizar e manusear facas e armas de fogo; aprendem as subtilezas do combate corpo-a-corpo e têm ainda direito a longas marchas forçadas. O programa estival dedicado às crianças não estaria completo sem uma faceta cultural. Assim, os participantes forçados nestas jornadas também encenam peças em que se representam cenas de luta, simula-se a captura de soldados israelitas ou disparos de “rockets” contra Israel.
O recrutamento e registo para as colónias de férias são realizados por meio dos “sites” e redes sociais do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina, e em bancas mantidas por membros dos dois grupos, em mesquitas e noutros locais públicos em toda a Faixa de Gaza. Altas autoridades do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina comparecem regularmente às cerimónias de abertura e formatura dos campos, onde proferem discursos.
Escudos humanos
No dia 8 do passado mês de Julho, o Hamas lançou a colónia de férias para 2023, com a participação de mais de 100 mil crianças dos dois sexos. As colónias de férias deste ano decorrem sob o lema “Escudo de Jerusalém”, dando a entender que o grupo terrorista pretende usar as crianças na luta contra Israel.
Os pequenos participantes nestas jornadas de férias estão a ser treinados para realizar ataques terroristas e servirem de escudos humanos na Jihad contra Israel. E estão a ser ensinados que serão recrutados para participarem da batalha para “libertar” Jerusalém. Desnecessário será dizer que os palestinianos não reconhecem os direitos e a história dos judeus em Jerusalém.
Em Junho de 2022, o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Mohammad Shtayyeh, sem surpreender ninguém, negou qualquer vestígio de história judaica em Jerusalém: “Estamos nos arredores da capital eterna, a jóia da coroa, o ponto onde o céu e a terra se encontram, a flor de todas as cidades, o objecto de desejo dos corações dos crentes muçulmanos e cristãos que vêm a ela para rezar na Mesquita Al-Aqsa e caminhar pela Via Dolorosa para rezar na Igreja do Santo Sepulcro, que testemunhou a assinatura do Pacto de Umar, no qual o Califa Umar prometeu ao povo de Iliya (Aelia Capitolina/Jerusalém em árabe) que nenhum muçulmano rezaria na igreja deles. (Jerusalém) tem antiguidades cananitas, romanas, islâmicas e cristãs e são só deles e não há qualquer espécie de vestígio”.
Khaled Abu Askar, chefe do Comité Superior das Colónias de Férias do Hamas, salientou o seguinte durante uma entrevista à imprensa em Asdaa Entertainment City, em Gaza, perto de Khan Yunis: “Reunimo-nos hoje na cidade de Asdaa, onde se encontram simulações de vários marcos de Jerusalém, para anunciar o lançamento das nossas colónias de férias, as colónias de Quds (Jerusalém) Shield. Asseguramos ao mundo que a cidade de Jerusalém, com suas relíquias sagradas, é a bússola de todo o palestiniano livre e honrado”.
Abu Askar afirmou que o Hamas se preocupa com a geração jovem e deseja investir nela. Também disse que os jovens palestinianos estão a ser sistematicamente visados para minar as suas crenças, comportamento, moral e patriotismo. De quem é a culpa? De Israel, claro.
“A ocupação e os seus colaboradores estão a injectar enormes quantias de dinheiro e empenho para desviar a geração da sua religião e da sua pátria”, referiu ainda. O representante do Hamas destacou que o seu grupo deu o nome de “Escudo de Jerusalém” às colónias “para incutir o valor de Jerusalém nos corações dos jovens e o direito dos palestinianos à Cidade Santa, além de promover o papel nacional da geração da libertação e elevar a sua determinação”.
Quando o Hamas fala em “libertação”, refere-se ao seu desejo de eliminar Israel, conforme consta explicitamente no artigo 11º do estatuto do grupo: “O Movimento de Resistência Islâmico sustenta que a terra da Palestina é uma Wakf islâmica (legado hereditário) para todas as gerações até ao Dia da Ressurreição, ninguém pode renunciar a ela ou a parte dela, ou abandoná-la ou abandonar parte dela. Nenhum país árabe, nem o conjunto de todos os países árabes, e nenhum rei ou presidente árabe, nem todos eles juntos, têm esse direito, nem tem tal direito qualquer organização ou o conjunto de todas as organizações, sejam elas palestinianas ou árabes, porque a Palestina é um Waqf islâmico ao longo de todas as gerações e até o Dia ou Ressurreição”.
E no artigo 13º: “As iniciativas de paz, as assim chamadas soluções pacíficas e as conferências internacionais para resolver o problema palestiniano são todas contrárias às convicções do Movimento de Resistência Islâmica. Portanto, renunciar a qualquer parte da Palestina significa renunciar à parte da religião, o nacionalismo do Movimento de Resistência Islâmica faz parte de sua fé, o movimento educa os seus membros para aderirem aos seus princípios e levantarem a bandeira de Alá sobre sua pátria enquanto combatem na Jihad: ‘Alá é o todo poderoso’. Mas a maioria das pessoas não está ciente disto”.
Numa outra cerimónia na Faixa de Gaza, o presidente do Comité Administrativo de Rafah, Jum’a Hassanein, salientou que “essas colónias de férias juvenis visam formar a geração da libertação e da vitória”.
Muhammad Barhoum, director da colónia de férias em Rafah, ressaltou que as colónias fazem parte das actividades do Hamas que focam na geração mais jovem devido à sua importância como “geração da libertação e da vitória”.
A exemplo dos anos anteriores, as colónias de férias focam a familiarização dos jovens com inúmeras armas, entre as quais a ‘AK-47’, armas de franco-atiradores, lançadores de ‘RPG’, morteiros e metralhadoras.
Os jovens praticam a montagem e desmontagem das armas, como segurá-las e como usá-las. Também treinam a guerra urbana e na guerra de túneis. Algumas aulas são ministradas por membros mascarados do braço armado do Hamas, das Brigadas ‘Izz Al-Din Al-Qassam’, e algumas até são realizadas em bases militares do Hamas. Uma criança numa das colónias fez uma demonstração de guerra de túnel para Younis Al-Astal, membro do Conselho Legislativo Palestiniano em nome do Hamas, que visitou os campos juntamente com outros oficiais do Hamas. Em algumas das colónias, bandeiras israelitas foram espalhadas no chão para que os jovens as pisassem. Terroristas que realizaram ataques anti-israelitas que resultaram em mortos e feridos são apresentados aos campistas como modelos, os seus retratos aparecem nas colónias e nas actividades das colónias.
Combustível das intifadas
Abdel Latin Qanou, porta-voz do Hamas, salientou que as colónias de férias lançadas este ano pelo seu grupo na Faixa de Gaza representam um passo importante na formação desta geração, incutindo o estatuto de Jerusalém e da Mesquita de Al-Aqsa nas suas almas e vinculando-os ao seu “legítimo direito de retornar a Israel e à libertação”. Qanou declarou que o slogan “Escudo de Jerusalém” visa preparar as crianças para “libertar Jerusalém”.
No passado, a Jihad Islâmica Palestina realizou colónias de férias sob o slogan de “Revenge of the Free”, em que participaram centenas de jovens com menos de 17 anos.
Darwish al-Gharabli, líder da Jihad Islâmica Palestiniana, declarou o seguinte na cerimónia de formatura: “Estas colónias formam uma geração alinhada com o caminho da Jihad e da resistência, acreditar nessa opção e que a Palestina é a questão central e lutar contra os judeus é um acto de adoração. A nossa jihad contra eles continua em todas as arenas. Asseguramos ao nosso inimigo que esta geração levará a bandeira e resistirá com todas as forças”.
Em 2021, o braço armado do Hamas, “Brigadas Izz al-din al-Qassam”, realizou acampamentos de Verão sob o slogan “Espada de Jerusalém”. De acordo com o “site” deste grupo pouco recomendável, “o objectivo das colónias é atiçar as chamas da jihad na geração da libertação, incutir valores islâmicos e preparar o tão esperado exército para a libertação da Palestina”.
O porta-voz das colónias de férias do Hamas, Abu Bilal, salientou que as colónias estão a ser realizadas “na crença do papel dos jovens e por um senso de responsabilidade pela geração mais jovem”. E enfatizou que “os jovens sempre foram os que realizaram as operações armadas e foram o combustível das intifadas e levantamentos”.
Este generalizado abuso infantil por parte dos palestinianos é ignorado pelos meios de comunicação ocidentais, pelas Nações Unidas e pela maioria dos políticos. Da próxima vez que os palestinianos reclamarem por menores mortos ou feridos durante ataques terroristas contra israelitas, valeria a pena relembrar as cenas das crianças nas colónias de férias na Faixa de Gaza, onde começa o processo de transformá-las em combatentes.
Talvez esteja na hora de a comunidade internacional e, acima de tudo, as organizações de direitos humanos responsabilizarem os líderes palestinianos pelo abuso infantil inerente ao treino de seus filhos para se tornarem “mártires” na Jihad, para matarem judeus e na tentativa de destruir a única nação democrática na região. ■

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimos artigos