A isenção de impostos, os perdões fiscais e dinheiros europeus atribuídos pelos governantes socialistas raramente vão para a população ou empresas competitivas, mas quase sempre para a meia dúzia de negócios ruinosos ligados ao PS, para quem as leis são feitas à medida. Os governos socialistas não promovem um verdadeiro capitalismo de mérito e livre concorrência, mas um capitalismo de e para camaradas, grotescamente viciado e doentio. Com Sócrates, os portugueses, considerando a paridade do poder de compra, pagavam dos preços de electricidade mais altos da Europa. Continuam a fazê-lo com Costa e assim continuarão por mais décadas se votarem nos seus sucessores. Os sobrecustos de energia que os portugueses pagam devido aos vários negócios de camaradas do PS chegam a ser 700 por cento acima do preço livre do mercado ibérico. Como é possível?
Perante a passividade – a parecer cumplicidade – do fisco e do ministério das Finanças do governo PS, a EDP vendeu, no final de 2020, seis barragens da região do Douro à “Engie” por 2,2 mil milhões de euros, sem esta, sequer, pagar imposto de selo no valor de 110 milhões, quanto mais outras obrigações fiscais, como IRS e IMT, que qualquer cidadão ou outra empresa que não pertença a negócios de camaradas do PS teriam de regularizar. O PS em 2021 está, pois, tão ou mais socrático que em 2007.
Relembremos que o Programa Nacional de Barragens, que incluía várias destas barragens de afluentes do Douro, foi iniciado em 2007 por José Sócrates, que nada percebia de energia, mas queria, a conselho de Mexia, da EDP, nove barragens novas, mesmo em rios com caudal pequeno, logo onde os rendimentos energéticos eram baixos mas os custos elevados. Isto além dos crimes ambientais contra os ecossistemas desses rios, a troco de três mil milhões de euros para apenas se obter um por cento da energia que o país consumia. Teria sido muito mais rentável para os portugueses, e muito mais eficiente energeticamente, reforçar a potência das barragens já existentes ou promover a eficiência energética, que é a capacidade de se alcançar o mesmo resultado consumindo menos energia.
No entanto, nunca interessa a todos estes camaradas de negócios ligados ao PS o melhor interesse dos portugueses, mas sim gastarem o mais possível o nosso dinheiro. Relembremos que Pinho, ministro de Sócrates, numa visita às obras da barragem do Baixo Sabor em 2009, recebia palmadas nas costas de Mexia – como a TV mostrou a todos os portugueses – além de várias ofertas, menos públicas, de Mexia e Salgado, como a cátedra na universidade de Columbia e a casa em Nova Iorque, segundo revelaram as revistas “Visão” e “Sábado” e o “CM”. Sócrates, que também lá estava, ao lado de Mexia e Pinho, em tom jocoso, afirmou que “só faltava cimento,” como se ninguém tivesse de pagar tamanhas infraestruturas.
Segundo a jornalista Sandra Felgueiras, com o PS sempre a ajudar nos negócios das barragens da EDP, esta evitou pagar centenas de milhões de euros ao Estado em penalizações por atrasos na construção, em 2007, e em impostos de transacção, após a venda, em 2020, segundo os jornais “Público” e “Eco”. Agora já sem Sócrates, mas com os seus seguidores incorrigíveis no PS a praticarem o que “aprenderam” com ele em negócios obscuros, quer em barragens, quer em energias renováveis.
Os preços gigantescos garantidos pelo PS aos seus camaradas de negócios na energia contra os interesses dos consumidores e empresas são, como já referimos, até 700 por cento mais caros (290 euros/MWh pela electricidade de origem fotovoltaica; 80 euros/MWh pela electricidade de origem eólica) que o valor da compra para as empresas de energia no mercado livre da península ibérica (40 euros/MWh). Os lucros para a meia dúzia de camaradas de negócios do PS são assim obtidos à custa de uma sobrecarga de preços esmagadora, e única em toda a Europa, que recai sobre milhões de portugueses. De 2006 a 2018, segundo os cálculos do Professor Abel Mateus, os portugueses pagaram 22 mil milhões de euros a mais e nos próximos 11 anos poderão pagar outros 20 mil milhões. Isto em grande parte por causa dos negócios da EDP no passado e no presente, como as barragens ou as energias renováveis. Como pode um povo assim parasitado há décadas prosperar ou erguer a cabeça e sair da pobreza sem ter que emigrar para longe destes preços e deste PS?
Costa, o seu ministro Matos Fernandes e o secretário de Estado João Galamba, no Conselho de Ministros, aprovaram a resolução 63/2020, com metas obrigatórias das mais elevadas do mundo, para a produção de um dos mais caros combustíveis mundiais, o hidrogénio, num investimento público que, como sempre, vai ser extravagante e resultar em ainda mais dívida e em preços dos mais altos da Europa. Em 2021, no PS, há uma cultura socrática incorrigível e insanável de incompetência e irresponsabilidade (para além de provável falta de ética), exatamente igual a 2007.
Voltemos à questão do desperdício em barragens novas de Sócrates, Mexia e Pinho. Foi efectuado o aumento da potência das barragens existentes desde 1950. O reforço da barragem de Venda Nova, no rio Cávado/Rabagão, teve mais do dobro do custo-benefício que a construção das novas barragens. Compare-se, também, o custo de construção da barragem nova do Baixo Sabor, 625 milhões de euros, com os apenas 150 milhões de euros gastos em reforçar cada uma das barragens existentes, as do Picote e Bemposta.
Sócrates iludia-nos, pois, ao afirmar que eram as barragens novas que nos iriam dar a autonomia e a independência energética do resto do mundo. Já nessa altura Portugal gastava 52203 GW/hora e o total das nove barragens apenas daria uns projetados 1672 GW/hora, ou seja, apenas 3,2 por cento de electricidade necessária, equivalentes a um por cento da energia gasta no país. Por serem tão pouco eficientes, passados 13 anos sobre o programa nacional de barragens, a EDP já se está a livrar das que foram construídas. Isto quando, num passado recente, a EDP afirmava que eram estratégicas para justificar o investimento e as novas concessões. Foram apenas mais um pretexto de negócio entre políticos e ex-políticos, sem grandes benefícios para o país. O custo inicial foi de 3,5 mil milhões de euros, mas a sua concessão, que incluiu até os recursos hídricos do rio, foi atribuída por um período que vai de 65 a 75 anos! Até a lei da água foi mudada para os concessionários poderem ser donos da água e nos venderem um bem público que era nosso há gerações.
Os portugueses poderão assim carregar, ainda por muito mais décadas, a cruz da incompetência, irresponsabilidade e egoísmo ganancioso do PS, que já dura há quase vinte anos, num total desprezo pelo interesse da população; relembremos que mesmo a “Troika” veio para cá por causa do PS.
Não admira, portanto, que segundo um inquérito do ISC/ISCTE a propósito do 25 de Abril de 2021, só 10 por cento dos Portugueses – talvez os milhares de boys do PS e seus familiares, nomeados para tudo, sem saberem nada – achem que vivemos em democracia plena. A esmagadora maioria – 74 por cento – afirma que a nossa classe governante não os representa. Os portugueses vivem, pois, indignados contra meia dúzia de negócios de camaradas do PS, numa economia e justiça viciadas, com benefícios sempre só para eles.
Tais negócios fazem lembrar a dúzia de clubes de futebol ricos que queriam um campeonato viciado, com lugares e riqueza garantida só para eles, sem terem de provar mérito no campo. Felizmente os fãs do futebol pelo mundo inteiro revoltaram-se e evitaram tal sistema degenerado e grotescamente não competitivo, do sempre mais para os mesmos. É altura dos eleitores portugueses fazerem o mesmo e revoltarem-se contra o PS, da economia viciada a favor dos negócios ruinosos misturados com política. ■




