Duarte Pacheco em Torres Vedras: É preciso pôr fim a 45 anos de gestão socialista

“Se o PS voltasse a ganhar as eleições autárquicas em Torres Vedras, estaria no poder mais tempo que Salazar e Marcelo Caetano juntos. E os Torrienses não têm a coragem de dizer igualmente ‘basta’ já no próximo Outono?” – questiona o social democrata Duarte Pacheco, que encabeça uma AD a Torres Vedras, em resposta a um questionário d’O Diabo.

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Vai encabeçar uma coligação de PSD, CDS-PP e o PPM à Câmara de Torres Vedras nas próximas eleições autárquicas. Ter uma AD a apoiar a sua candidatura é uma experiência enriquecedora?

Para alguém que viveu a experiência da AD de 1979, liderada por Sá Carneiro, Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles, a sua força, a sua alegria, a sua energia e vontade de mudança, é muito reconfortante poder encarnar esse espírito e ir para uma batalha eleitoral com o apoio desses três partidos históricos da democracia portuguesa.

Está em aberto a hipótese de mais partidos se juntarem a esta coligação?

Nesta plataforma eleitoral serão bem-vindos todos os partidos e cidadãos que desejem pôr fim a 45 anos de gestão socialista neste concelho e se disponibilizem para construir um projecto que vai “Afirmar Torres Vedras”.

A sua candidatura tem por o lema “Afirmar Torres Vedras”, “dar mais peso a Torres Vedras nas negociações de investimentos estruturantes para o concelho”. Quer concretizar?

A verdade é que, apesar da obra realizada, existem investimentos na área da saúde (Novo Hospital Distrital) e das acessibilidades (Estrada da Cidade para Santa Cruz, ou IC11), só para dar dois exemplos, que apesar de consensuais há várias décadas entre todos os Torrenses, nunca saíram do papel… E ninguém questiona porque tal acontecerá. Quer se esteja com governos liderados pelo PS ou do PSD? Alguma incapacidade da Autarquia deverá existir…

O PS lidera Torres Vedras há mais de 40 anos. É tempo de mudar?

Esta semana estamos a comemorar o 47º aniversário que pôs fim a uma longa ditadura. No dia 25 de Abril de 1974, os portugueses disseram “basta” e mudaram o regime. Se o PS voltasse a ganhar as eleições autárquicas em Torres Vedras, estaria no poder mais tempo que Salazar e Marcelo Caetano juntos. E os Torrienses não têm a coragem de dizer igualmente “basta” já no próximo Outono?

Por vezes ouço dizer “o PS está lá mas fez obra”… Mal seria se em 45 anos, e com centenas de milhões de euros de orçamento, estivesse tudo igual em Torres. Aí também se poderia dizer “… a ditadura também fez obra, uma ponte sobre o Tejo, aeroportos, escolas, Hospital de Santa Maria ou de São João”, por exemplo. Logo, o importante é a comparação com outros países ou concelhos… Portugal perdeu terreno na esfera económica e social face aos nossos parceiros europeus, tal como Torres Vedras perdeu terreno face a concelhos vizinhos, por exemplo Mafra, seja nas acessibilidades, na projecção turística da sua costa, ou nos equipamentos escolares.

Logo, é mesmo “Tempo de mudar”.

Quais as suas prioridades caso vença as eleições?

Haverá tanto que fazer…

Mas face ao que já disse a prioridade será “Afirmar Torres Vedras”, para ganhar a influência nacional que permita resolver os problemas estruturais já identificados, nomeadamente na Saúde e nas Acessibilidades, sem esquecer uma gestão rigorosa dos recursos que provêm dos impostos pagos pelos Torrienses, para resolver os problemas concretos de cada munícipe, seja na limpeza atempada de caixotes de lixo, dos passeios para peões em condições ou da manutenção em condições dos espaço verdes, desportivos e culturais das diversas freguesias.

É deputado há vários mandatos ocupando-se das questões de Finanças Públicas e economia. É uma mais-valia para ir para uma autarquia?

Acredito que sim. A experiência parlamentar deu-me visão de mundo, a possibilidade de identificar boas práticas de gestão pública em muitos locais e conhecimentos que me vão permitir pegar no telefone e procurar desbloquear respostas para muitos problemas de Torres Vedras. Acresce que, como membro da comissão de Orçamento, tenho especial sensibilidade para evitar o desperdício de cada cêntimo que é pago pelos portugueses.

Passar do poder legislativo a um executivo é um desafio?

Claro que é… As competências dos órgãos são diferentes… Mas existe algo em comum – o espírito de missão e a vontade de servir a causa pública.

Já tem experiência autárquica anterior?

Sim, fui vereador oito anos em Sobral de Monte Agraço e levo 24 seguidos como deputado municipal.

O que vai fazer em relação a um Hospital para Torres Vedras?

É fundamental a construção de um Novo Hospital do Oeste. Esta necessidade é consensual. Mas os municípios nunca se entenderam quanto à sua localização… E os governos adiam a decisão “sine die”, na expectativa de se gerar esse consenso.

Sinceramente, já não acredito que o consenso seja possível e como não há mais tempo a perder, é necessário avançar com quem quiser estar no comboio!!!

Quais são as principais riquezas do concelho?

Torres Vedras é um concelho maravilhoso, com potencialidades fabulosas que só precisam de ser tratadas e divulgadas… Uma costa atlântica pouco explorada; somos o maior produtor de vinho do país e poucos sabem disso; somos os grandes produtores de hortícolas do país, mas não projectamos a nossa marca. Temos património histórico que não é potenciado… é mesmo necessário “Afirmar Torres Vedras”.

Preocupa-o um Verão quente em matéria de incêndios?

Como a qualquer português… Espero que o Governo esteja preparar em condições a campanha de combate e peço a Deus que não aconteça uma qualquer calamidade.

Está politicamente activo há muitos anos. Qual foi o seu percurso?

Vivi intensamente a revolução e o período pós-revolucionário, apesar de ser uma criança. Mas o ambiente político da época levou-me a ingressar na JSD e depois no PSD. Aos 23 anos fui candidato à Presidência da Câmara do Sobral e, pouco depois, entrei no Parlamento. Ao longo dos anos, foram muitos os cargos concelhios, distritais e nacionais que exerci no PSD. Na Assembleia da República tenho merecido a confiança dos meus pares para integrar a Mesa da Assembleia e, mais recentemente, para concorrer em nome de Portugal para presidente da União Inter Parlamentar, sendo o primeiro português a liderar esta organização que tem mais de 130 anos e envolve parlamentos de 174 países.

Como está a saúde da nossa Democracia?

Nós, portugueses, somos muito pessimistas… Se virmos tudo o que fizemos e alcançamos com estes anos de democracia, só podíamos ficar felizes. Agora, a democracia é frágil. Como uma flor, que se não for regada pode morrer… Logo, temos de trabalhar diariamente para lhe dar as vitaminas que ela necessita e tratar dos quistos que vão aparecendo.

Tem algum animal doméstico?

Sim, dois. A Kira e o Ronaldo… felinos que nos acompanham sempre!!!

As férias são passadas em Portugal ou no estrangeiro?

Um misto. Procuro fazer sempre uma semana de férias de neve, pois adoro o ski, e as melhores pistas são no estrangeiro. De igual modo procuro fazer uma semana mais “cultural” para conhecer uma cidade ou país diferente. O restante é mesmo por cá para descansar… Se possível sem pegar mesmo no carro. ■