Caos na Cultura: ministra encontra ‘bode espiatório’

Sem ponta de sentido de Estado, o Executivo de Costa é cada vez mais um clube de amigos. Agora, para esconder o caos na pasta da Cultura, Graça Fonseca encontrou um ‘bode expiatório’.

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Graça Fonseca, a ministra da Cultura, faz parte do clube de amigos do PM. Ele tinha trabalhado com ela na Câmara de Lisboa e, tal como Cabrita, entrou no Governo depois da “barraca” de João Soares, que ofereceu uma bordoada a um colunista que o criticara.

A “tribo da cultura” detesta a personagem da actual titular da Cultura. E ainda mais agora, depois de ela ter optado por demitir o director-geral do Património Cultural, Bernardo Alabaça. Graça precisava desesperadamente de um bode expiatório, já que a remodelação deve estar para breve e ela quer manter o lugar.

A inesperada exoneração, na sexta-feira, do director-geral do Património Cultural, Bernardo Alabaça, motiva as maiores críticas à ministra da Cultura por parte do presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto. No “Observador”, este responsável refere que a decisão de Graça Fonseca, justificada com a presumível “inoperância” do maior organismo sob alçada do Ministério da Cultura, revela apenas a incapacidade da própria governante. “Se virmos o percurso desta ministra, todo ele tem sido feito aos trambolhões”, afirma.

A APOM tem sede em Lisboa e representa desde 1965 instituições e profissionais da área, tendo várias câmaras e museus municipais como sócios. João Neto, de 55 anos, licenciado em História pela Universidade Lusíada e pós-graduado em Direito do Património pela Faculdade de Direito de Lisboa, sugere que a ministra não tem um projecto para a área do Património. Garante que sem mecenas do sector privado muitos museus não conseguiriam fazer exposições ou conservar as colecções.

O também director do Museu da Farmácia, que abriu portas em Lisboa em 1996, diz sobre a gestão da pandemia: “Muitos erros deveram-se ao desconhecimento da História”.

Em seu entender, precisamos de estabilidade para resolvermos as questões e ganharmos o futuro. Não é com esta exoneração que isso se consegue. “Ao apresentar a inoperância da Direcção-Geral do Património Cultural como uma das razões para a exoneração, a senhora ministra não criticou apenas o director-geral, mas os funcionários da DGPC, o que é profundamente injusto. Têm sido meses muito duros por causa da pandemia, o que tem provocado uma disrupção nos museus, palácios e monumentos e na própria DGPC. Ao falar de inoperância, a senhora ministra deveria também pensar na sua própria actuação. Não podemos esquecer o que tem acontecido no Ministério da Cultura”, afirma ainda João Neto.

E o director do Museu da Farmácia continua: “Basta relembrar um caso: foi preciso a sociedade civil movimentar-se para que o senhor Primeiro-ministro tivesse tomado consciência de que a cultura não estava contemplada no Plano de Recuperação e Resiliência. Em versões iniciais do documento, a cultura não aparecia. Pergunto: como é que a ministra, que está dentro do Governo, só se apercebeu disso depois de grande pressão mediática e da sociedade civil? Se há alguma inoperância, é muito injusto culpar os outros”.

PSD quer ouvir Alabaça

Entretanto, o PSD quer ouvir no Parlamento, com carácter de urgência, o ex-director-geral do Património Cultural, Bernardo Alabaça, na sequência da sua exoneração, e o CDS-PP revelou que tem igualmente a mesma intenção.

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