Carlos Moedas, o cavaleiro solitário

Os cartazes não enganam. Moedas está a concorrer em nome próprio à Câmara Municipal de Lisboa, apesar de ter congregado o apoio de vários partidos. A opção dos cartazes é provar que vai seguir uma linha autónoma e quem o conhece garante que vai esquadrinhar todos os cantos de Lisboa nos próximos meses. A primeira acção de campanha foi a colocação do primeiro “outdoor” no Marquês do Pombal. O “slogan” é “Lisboa pode ser muito mais do que imaginas” e o candidato promete empenhamento e resiliência.

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Neste momento já são conhecidos os principais candidatos à Câmara de Lisboa. A autarquia é governada há quase 15 anos pelos socialistas, mas o PSD quer dar a volta aos péssimos resultados dos últimos anos e conquistar a cidade. A grande coligação de Moedas por Lisboa quer acabar com o reinado da esquerda na capital do país.

Recorde-se que, depois da demissão de Carmona Rodrigues e a realização de eleições intercalares o PS ganhou a autarquia. Em 2013, Costa convidou Fernando Medina, que na altura era deputado, para número dois, já a pensar na possibilidade de sair para liderar o PS. Foi isso que aconteceu e dois anos depois decidiu deixar a câmara para se dedicar em exclusivo ao partido.

Medina assumiu o cargo e candidatou-se pela primeira vez nas últimas autárquicas, em 2017. Perdeu a maioria absoluta, mas ganhou as eleições com 42 por cento dos votos e governou a câmara em coligação com o Bloco de Esquerda. É este Fernando Medina que Moedas quer cilindrar nas próximas eleições.

Sem amarras e a construir um programa eleitoral próprio, Carlos Moedas destaca-se por não fazer parte da chamada máquina partidária, o que já está a deixar muita gente desesperada. O acordo com o CDS é o mais avançado e em surdina a questão dos nomes para os lugares está a causar grande sururu. Mas Moedas não cede e insiste em ter uma equipa com que possa governar e não uma manta de retalhos saída das lutas intestinas dos partidos. Explicou que deixou a sua vida para se focar em Lisboa.

Neste momento, o ex-Comissário Europeu e administrador da Gulbenkian, Carlos Moedas, está a negociar com todos. Para já, da chamada “grande direita”, só o Iniciativa Liberal decidiu ter um candidato próprio, Bruno Horta Soares.

Globalmente, são discussões intensas e centradas na cidade de Lisboa e no que é preciso mudar na capital.

Audição parlamentar

Esta semana, o antigo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro disse no Parlamento que nunca discutiu problemas do GES e BES com a “troika”, que eram tratados com outros membros do Governo.

“Eu não tinha tempo físico para estar em reuniões, nem a ‘troika’ tinha tempo para isso, para estar a falar comigo sobre os problemas que estava a discutir com outros e que não dependiam daquilo que era a minha função”, disse Moedas na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Em resposta ao deputado Duarte Alves (PCP), o actual candidato autárquico à Câmara Municipal de Lisboa pelo PSD e CDS-PP reiterou que “esse ponto de discussão nunca existiu” nas reuniões que manteve com a “troika”.

Questionado sobre se a resolução do BES e uma outra actuação do governo poderia ter posto em causa a saída limpa do programa da “troika”, Moedas disse que não podia responder sobre “o que é que teria sido diferente”.

“A minha focalização era real-
mente nessa finalização do programa da “troika”, mas ela não dependia de mim, mas daquilo que eram as conclusões das instituições exteriores a Portugal, que estavam cá, e de que nos conseguimos livrar”, tinha já dito anteriormente o antigo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

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