Marcelo mantém Governo à rédea curta

Marcelo Rebelo de Sousa vai avaliar as medidas do executivo de António Costa em matéria de Economia e do Plano de Recuperação e Resiliência com uma rédea curta. Depois do início do desconfinamento de 5 de Abril, o Presidente não perdeu tempo e ouviu o Governador do Banco de Portugal, o polémico ex-ministro Mário Centeno. Marcelo exige estar informado acerca dos dossiers da Economia e das Finanças e interpela directamente governantes, especialistas e partidos.

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O segundo mandato está mesmo a trazer à cena política um Presidente mais interventivo e António Costa deixou de contar com o seu respaldo persistente, como aconteceu nos seus primeiros cinco anos em Belém.

Uma semana depois de ter promulgado o diploma com o reforço de apoios “nascidos” de uma coligação negativa no Parlamento, Marcelo obriga políticos a fazerem novas contas políticas e económicas.

Reconstrução económica

No dia em que se iniciou a segunda etapa do processo de desconfinamento do Governo, na segunda-feira passada, e os alunos dos segundo e terceiro ciclos retomaram as aulas presenciais, Marcelo Rebelo de Sousa observou que esta reabertura progressiva significa também o início de “uma nova fase, que é a fase da reconstrução económica e social”.

“Esta viragem significa que vamos agora olhar um bocadinho para aquilo que vai ser a vida do país nos próximos anos”, afirmou, insistindo que “além de recuperar dos efeitos da pandemia, há que reconstruir virando para o futuro a economia e a sociedade portuguesa”.

“Vai ser o esforço deste ano, do ano que vem, dos anos seguintes”, realçou.

Questionado sobre a notícia de que as medidas excepcionais de apoio à economia e de resposta ao Covid-19 agravaram o défice em 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, o Presidente da República referiu que “todos os países do mundo e todos os países da Europa, em particular, tiveram de enfrentar a pandemia”.

“E o enfrentar a pandemia significa, naturalmente, um esforço para todos: para o Estado, para as empresas, para o sector social, para todos os portugueses. E, portanto, é esse esforço que justifica olharmos para o futuro e apostarmos naquilo que vai ser a reconstrução económica e social do país”, completou, sem fazer mais comentários sobre este assunto.

Recorde-se que em causa está um relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), segundo o qual as medidas excepcionais de apoio à economia e de resposta ao Covid-19 agravaram o saldo orçamental em 3.800 milhões de euros, 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020, em contas nacionais (ver pela secundária).

Atenção ao Orçamento

Apesar da diferença de estilo neste segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu ter a mesma linha de actuação do primeiro mandato e que continuará com a “salvação preventiva de orçamentos”, justificando decisões com os tempos de crise, seja pandémica, seja económico-social.

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