EVA CABRAL

Em Portugal, António Costa e outros responsáveis governamentais lançaram foguetes pelo hipotético convite que o ministro Mário Centeno teria recebido para passar a liderar o Eurogrupo. Deslumbramento tolo ou publicidade enganosa?

O lugar é prestigiante e o ministro das Finanças português teria sido sondado para presidente do Eurogrupo. O primeiro-ministro e líder da geringonça encheu o peito e defendeu que Mário Centeno é tão bom que o País não pode prescindir dele em ‘full time’, ocupadíssimo que está a salvar as Finanças Públicas portuguesas e (talvez mesmo) a servir de farol para os seus pares.

Problema desta narrativa? A história é épica, mas ridícula. Na sexta feira, o Eurogrupo reuniu em Malta e Jeroen Dijsselbloem disse que nenhum ministro pediu a sua demissão, indo continuar no cargo independentemente dos comentários que fez sobre os povos do Sul em matéria de acerto na condução das Finanças Públicas.

Dizendo de forma clara: não está vago o cargo de presidente do Eurogrupo.

Mário Centeno terá aparentemente sido convidado para um lugar que não está vago, e passou ainda pela vergonha de o seu secretário de Estado das Finanças ter afirmado na reunião de Malta que Portugal mantém o pedido de demissão do presidente do Eurogrupo, considerando que Jeroen Dijsselbloem não percebeu que o problema nas suas declarações foi a ideia subjacente e não as palavras.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.
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  • Paulo Reis

    Para mim não passou de uma noticia criada para promover Mário Centeno, aproveitando ser o dia 1 de Abril. O lugar está ocupado e o credor não se vai subjugar ao devedor.
    Portugal, infelizmente, está bem visto no estrangeiro. Veja-se a atitude de Angola, o pedido de retirar a imunidade aos filhos do embaixador do Iraque e o tempo que a Suiça está a demorar com os pedidos das famosas cartas rogatórias. Estão-se todos a c.g.r para o ministro Santos Silva. Uns nem respondem, os outros mandam-no calar……Ai Portugal, Portugal