José Figueiredo

Economista e Professor Universitário

Para que se criasse um ambiente económico favorável ao aumento da riqueza a distribuir, seria necessário baixar a carga fiscal às empresas, reduzir a burocracia e criar uma imagem positiva do lucro. Como todos sabemos, nenhuma destas três condições faz parte do programa do governo do Dr. António Costa.

Após o fim do chamado Programa da Troika, muitos portugueses exultaram com o feito. Afinal, Portugal deixaria de ter a visita imposta dos representantes dos credores, impondo medidas ou fazendo sugestões mais ou menos insidiosas.

Ficou, assim, um País aparentemente mais livre, mas ainda fortemente condicionado. Assistiu-se posteriormente a alguma recuperação económica, nomeadamente quanto ao emprego e também no que se refere à recuperação das actividades relativas à exportação e ao turismo.

No 1º trimestre de 2013, a taxa de desemprego cifrava-se em 17,7%. Os últimos dados do emprego, referentes ao início de 2017, referem que cerca de 10% da população activa continua desempregada. Ou seja, houve uma melhoria significativa a nível do emprego, no período pós-Tróika.

Contudo, a taxa de desemprego reflecte apenas uma imagem muito superficial sobre a realidade económica de Portugal. Senão, analisemos por exemplo, a evolução dos trabalhadores portugueses que auferem o salário mínimo nacional, como se pode ver na Tabela.

Afinal, e de acordo com o Ministério do Trabalho, mais de um quarto da população portuguesa auferia o salário mínimo nacional, e quase um terço das mulheres portuguesas auferiam esse mesmo nível salarial, em 2016.

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