EVA CABRAL

Mais do que a verdade dos factos, mais do que a boa gestão da coisa pública, mais do que a autenticidade das relações entre governantes e governados, o que interessa a António Costa é “a imagem”. Perante o drama e a tragédia, a sua primeira preocupação é saber se ficou bem ou mal no retrato…

Armando Rafael, chefe de gabinete de António Costa, foi encontrado sem vida, nas instalações da Câmara Municipal de Lisboa, vítima de morte súbita. Licenciado em Direito, Armando Rafael tinha 45 anos e iniciara a sua vida profissional como jornalista do ‘Diário de Notícias’, onde chegou a redactor principal. Participou activamente nas campanhas presidenciais de Jorge Sampaio e acompanhou António Costa quando este assumiu cargos governamentais, tendo sido seu chefe de gabinete no Ministério da Justiça. Recentemente, tinha suspendido a sua actividade jornalística para de novo acompanhar António Costa, agora como seu chefe de gabinete na Câmara Municipal de Lisboa. Morreu em Novembro de 2007.

Face à morte, qual foi a primeira preocupação de Costa? Contratar uma empresa de comunicação que tentasse minorar os danos de imagem e reputacionais pela morte do seu chefe de gabinete, e também seu amigo desde os tempos da Faculdade de Direito. Foi então contratado João Tocha – reputado consultado no mercado – que mais tarde veio a acusar Costa de nem sequer ter pago o então combinado.

A busca neurótica da boa imagem por parte de Costa atingia as raias da vergonha na morte do Armando. Quem esteve no funeral de Armando Rafael – como eu e quase toda a redacção do ‘DN’ – logo notou o incómodo de Costa. Ele e o povo socialista de um lado da sala que dá acesso ao forno crematório. Os jornalistas e companheiros de outras vidas no outro.

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  • A preocupação pela “imagem” deve ser uma questão familiar…

  • Amilcar Rainho

    Mas como é que isso é possível….? Se o estafermo tem cara de pau…….! É agora que está no governo penso que nem a família o quer ver por perto…..

  • Elabrador

    Por mim até pode colocar um colar de flores. Um PM que vai de férias com o País a arder não merece, nem nunca irá merecer o mínimo de crédito. Mesmo que ao longo dos tempos engraxe os sapatos duas vezes por dia, nunca será um bom governante. O artrigo diz parte do problema.