Espírito liberal, de um dinamismo contagiante e de um frenesi imparável, dotado de rasgada visão, Duarte Pacheco foi o ministro do Estado Novo que melhor encarnou a grandeza da concepção e o ímpeto construtivo. O Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, admirava-o no seu afã de criar e de renovar. E manteve nele a sua inteira confiança, até a tragédia interromper prematuramente uma vida vivida a alta velocidade.

Entre 23 e 25 de Abril de 1928, o Chefe do Governo, General Vicente de Freitas, envia a Coimbra Duarte Pacheco, nomeado Ministro da Instrução Pública há apenas alguns dias, com o propósito de reiterar o convite a Oliveira Salazar para sobraçar a pasta das Finanças.

A missão oferecia-se plena de escolhos, atenta a atitude que o catedrático de Direito assumira em 1926. Então, desiludido com a confusão política reinante em Lisboa, decidira, pura e simplesmente, abandonar o elenco governativo para o qual havia sido convidado, regressando às suas aulas na Universidade.

Embora se desconheça em que fonte se baseia o grande biógrafo do futuro Presidente do Conselho, Embaixador Franco Nogueira, é por ele que ficamos a saber que o encontro tivera lugar ao termo da missa no Colégio Novo, a que Salazar assistira.

A conversa jamais foi relatada por qualquer dos dois interlocutores. Porém, pelo resultado à vista dois dias depois, com o Professor já em Lisboa, conclui-se que os argumentos apresentados terão sido convincentes. Não sem que, diga-se de passagem, a aceitação só fosse decidida no dia seguinte e após aturadas consultas com amigos próximos.

Assumindo o Ministério das Finanças, Salazar passa a integrar com Duarte Pacheco o mesmo Governo, embora por pouco tempo. Em Novembro, o titular da Instrução deixará o Executivo por força de uma remodelação então levada a cabo.

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