E depois, a tempestade económica

De dia para dia a situação da economia piora. Depois da crise dos mercados e do colapso previsível do sector do turismo, Portugal, tal como os outros países da União Europeia, está a viver numa situação em que se sucedem os encerramentos das unidades produtivas e do comércio. Uma situação de cascata em que uns sectores vão ‘puxando’ os outros para a impossibilidade de continuarem abertos e conseguirem pagar a fornecedores e trabalhadores.

0
326

A semana começou com Mário Centeno, no seu papel de presidente do Eurogrupo, a afirmar que o surto de Covid-19 está a ter um impacto na economia como em “tempos de guerra”. E numa altura em que escasseiam certezas e crescem todas as dúvidas, Centeno quis dar um tom de optimismo e garantiu que a Europa recorrerá a todas as suas armas para travar uma batalha que antecipa “longa”.

“Estamos a viver num estado de emergência com este surto de coronavírus. O confinamento forçado está a trazer as nossas economias a tempos semelhantes aos de uma guerra”, declarou Mário Centeno, na mensagem de vídeo, divulgada antes do início de uma reunião de ministros das Finanças da Zona Euro, que teve lugar por videoconferência.

Foi um Eurogrupo “dedicado às consequências económicas deste vírus”. Centeno adiantou logo de início que ia apresentar “uma declaração que estabelece uma resposta política coordenada da UE”, que “contém iniciativas para travar e tratar a doença, apoio a nível de liquidez às empresas, particularmente às PME, apoio a trabalhadores e famílias”. No fundo, acrescenta, “medidas que ajudarão a colmatar este fosso até que o vírus esmoreça”.

O presidente do fórum informal de ministros da Zona Euro assegura ainda que “as regras da UE a nível orçamental e de ajudas de Estado não constituirão um obstáculo” no apoio às economias, apontando que “a flexibilidade está lá, e será integralmente utilizada”. Centeno refere que “os esforços nacionais” são complementados com as “iniciativas lideradas pelas instituições europeias, com a Comissão Europeia, Banco Europeu de Investimento (BEI) e também o Banco Central Europeu (BCE)”. “Juntos, estamos a dar uma resposta poderosa. Mas sabemos que o vírus não atingiu o seu pico. Não podemos ter ilusões: estes são os primeiros passos numa luta temporária mas longa”, completa Mário Centeno.

Os ministros das Finanças europeus reuniram, com sentido de urgência “sem precedentes”, para acordarem medidas que mitiguem o impacto económico do surto do novo coronavírus, que ameaça seriamente mergulhar a economia europeia na recessão.

• Leia este artigo na íntegra na edição em papel desta semana já nas bancas