A liberdade de imprensa

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Escrever sobre o papel dos Media é sempre um tema delicado, especialmente por quem milita na comunicação há mais de meio século, como é o meu caso. Mas não é sem razão que a imprensa é chamada de quarto poder nas democracias.  

Uma imprensa livre, plural, é parte essencial da democracia. Os regimes totalitários trataram sempre de impor a censura ou o suborno. Os de esquerda, então, avançam no bloqueio da Internet, na proibição de jornais, rádios e televisões privadas e até impedem a circulação de jornais estrangeiros, como ocorre em Cuba e vigeu nos 70 anos de comunismo no Leste Europeu. 

Mas a censura de inspiração stalinista, infelizmente, está muito presente no chamado mundo livre, que reúne as democracias ocidentais. O que começou por uma disfarçada infiltração assume, hoje, posição quase que hegemónica de esquerdistas de diferentes origens, mas tendo em comum bandeiras de ataque a valores e personalidades que não são de seu agrado. Nos EUA, democracia padrão, impressionam as agressões permanentes ao presidente Donald Trump, que, mesmo assim, é o favorito nas eleições de novembro, em função dos bons resultados na economia, no pleno emprego. Ou seja, o bombardeio que sofre nem sempre tem amparo na verdade. 

No Brasil, o presidente Bolsonaro vê os ganhos de seu governo ignorados pela grande imprensa, que dedica grandes espaços às declarações pouco felizes em que o presidente se especializou. Como o povo percebe que o Brasil está no caminho certo, sem demagogia e corrupção, ele continua popular. A situação chegou ao extremo de o ministro da Saúde ter sido questionado na televisão sobre se as diferenças do presidente com o Congresso poderiam prejudicar a acções públicas face ao Coronavírus. No caso de Trump, como no de Bolsonaro, a má vontade dos Media é internacional, fruto da conhecida união das esquerdas, internacionalistas por princípio.

Na Europa, em geral, a manifesta tendência esquerdista dos noticiários parece dominante, excepto na Espanha, onde circulam jornais influentes mais à direita, como La Razón e El Mundo, e o ABC, ainda centrista, mas que não é o mesmo de décadas atrás. Já El País é pautado pela esquerda internacional. 

Garantida a liberdade de imprensa, o direcionamento passou a ser pela seleção de jornalistas e colaboradores. Um atento observador verá que os jornais ligados a grandes grupos económicos, generosamente, admitem dois ou três colaboradores que defendem o capital e os valores cristãos, contra uma dúzia de críticos das empresas, da acção policial, dos valores cristãos em geral. Nas telenovelas brasileiras, o destaque tem sido os casais não convencionais, com cenas explícitas. O objetivo é mesmo o de chocar a sociedade majoritariamente conservadora. Recente levantamento mostrou que a maioria não faz restrições às opções das pessoas, mas, sim, à exaltação de certas escolhas, aliás, assuntos do foro íntimo de cada cidadão.

Curiosa também é a clara e insofismável postura anti-semita da grande imprensa, que coloca Israel como agressora, quando, na verdade, todas as iniciativas bélicas do país são em resposta aos ataques e ameaças diárias dos terroristas que militam em suas fronteiras. Esta postura acabou por alimentar lamentáveis manifestações, como as localidades espanholas que assumiram restrições a empresas de origem judaica. Claro que de comunidades dirigidas pela união das esquerdas – PSOE e Podemos. Esta absurda posição, aliás, só foi severamente criticada pelos dois jornais mais à direita.

Num mundo que precisa aplicar cada vez mais com critério os recursos públicos, o estranho é que sobrevivam, nas democracias, complexos de televisão estatal de alto custo como na União Europeia. Estatais e tendenciosos. Liberdade de imprensa sem pluralismo não é liberdade. É fraude! ■