Eurico Brilhante Dias e a economia portuguesa

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O ‘Expresso’ publicou uma entrevista do secretário de Estado Eurico Brilhante Dias (EBD) que é reveladora das razões porque a economia portuguesa não sai da cepa torta.

Desde logo, mostra que as regras económicas não são compreendidas pelo Governo da geringonça; e, não existindo uma estratégia nacional orientadora da acção governativa e não tendo o Primeiro-Ministro experiência económica, os diferentes membros do governo, principalmente os mais jovens, ficam perigosamente entregues a si próprios, o que é um primeiro passo para a desorientação governativa.

Dou um exemplo recente: enquanto o ministro do Planeamento informou o País de que a razão para manter a bitola ibérica na ferrovia é porque nos protege da concorrência internacional, o Primeiro-Ministro não se cansa de acusar a União Europeia de protecionismo. Por isso pergunto: em que ficamos?

O senhor secretário de Estado Brilhante Dias, para minha satisfação, na entrevista diz o seguinte: “o Governo já está a colocar as exportações como o motor fundamental da economia”.

Até que enfim, digo eu! Mas não sabia que essa era a intenção do Governo, nem o sabem os empresários com quem falo; de facto, queixam-se amargamente de que Portugal é o único país da União Europeia, da nossa dimensão, que exporta apenas cerca de 40% do PIB, quando todos os outros exportam entre 60% a 90% e a Irlanda mais de 100%. Acresce que, quando o PS chegou ao Governo, disse que o mercado interno seria a prioridade para alavancar a economia, como foi, aliás, repetido vezes sem conta. Portanto, em que ficamos?

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