Fábulas de Pinho à moda de Sócrates

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Manuel Pinho

Manuel Pinho regressou ao Parlamento anos depois de se ter celebrizado por, numa sessão após o almoço, e sentado na bancada do Governo, ter decidido fazer ‘corninhos’ para os deputados.

O ministro da Economia de José Sócrates parecia na altura ter o mesmo tipo de problemas de “saúde” que afectam Jean-Claude Juncker, com sintomas que se agravam depois de refeições bem regadas, e de imediato foi demitido pelo Primeiro-Ministro, para estancar a onda de estupefacção e protestos que se levantaram.

Curiosamente, Manuel Pinho decidiu seguir o estilo de Sócrates e regressou ao Parlamento para tentar um exercício de branqueamento da imagem de quem surge como tendo recebido dinheiro do Grupo Espírito Santo (GES) para beneficiar a EDP, sendo mais um protagonista das teias de corrupção em que os socialistas costumam ser férteis, apesar de o mal atacar também outras formações partidárias.

Recorde-se que em 19 de Abril o jornal ‘observador’ noticiou as suspeitas de Manuel Pinho ter recebido, de uma empresa do Grupo Espírito Santo (GES), entre 2006 e 2012, cerca de um milhão de euros.

Os pagamentos, de acordo com o jornal, terão sido realizados a “uma nova sociedade ‘offshore’ descoberta a Manuel Pinho, chamada Tartaruga Foundation, com sede no Panamá, por parte da Espírito Santo (ES) Enterprises — também ela uma empresa ‘offshore’ sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e que costuma ser designada como o ‘saco azul’ do Grupo Espírito Santo”. Estas notícias levaram a que Manuel Pinho esteja a ser alvo de averiguações por parte do DCIAP, no âmbito do chamado “caso EDP”.

Mas sobre a sua ligação ao GES, Manuel Pinho recusou prestar aos deputados qualquer informação. Optou antes por contar algumas fábulas que seguem o estilo de José Sócrates, que em sucessivas aparições mediáticas defende como sendo perfeitamente normal alguém viver às custas de um amigo rico que lhe empresta valores que atingem milhões de euros, ao mesmo tempo que adopta um estilo em que se vitimiza permanentemente para tentar limpar a imagem.

Também Manuel Pinho apareceu em público como se não fosse culpado de nada, dizendo aos deputados que combinara apenas falar sobre questões de energia, e não se coibindo de ter um comportamento igualmente desabrido como o que o celebrizou no Executivo de Sócrates.

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