Fuga de informação na colocação de professores

0
1492

Pirataria informática? Fuga de informação? Ou simples incompetência? Ainda ninguém sabe bem o que aconteceu no dia 18 de Julho, quando as listas de colocação de professores começaram a circular na internet sem as autoridades as terem oficialmente lançado. Após um período de caos, em que o ‘site’ esteve inacessível durante horas, as listas foram oficialmente lançadas, supostamente no dia que os burocratas dizem ter sido a “data certa”. No entanto, nos ficheiros a que O DIABO teve acesso, nota-se que o Ministério da Educação alterou as datas dos documentos, confirmando-se assim que foi pressionado a agir face a uma fuga de informação. Mas que se passa, afinal, com os sistemas do Estado?

Os serviços tecnológicos de apoio ao funcionamento do Estado português têm vindo a ser alvo de crise após crise. Nos recentes incêndios do Centro do País, o SIRESP falhou, o sistema ‘online’ das Finanças está obsoleto e aguarda um muito necessário (e adiado) conserto, e o sistema informático de colocação de professores tende a ter problemas quase todos os anos.

Seria de se esperar que uma plataforma inaugurada no ano de 2004 já funcionasse decentemente, mas ano após ano repetem-se as “broncas” que envolvem o sistema que adjudica professores às escolas. Atrasos são regulares, não é invulgar professores serem colocados em escolas onde não são precisos, ou serem ordenados na lista de concurso de forma ilegal, permitindo a alguns docentes ultrapassarem colegas com uma maior pontuação no concurso.

Este ano, instalaram-se o caos e a ansiedade generalizada quando as listas de colocação de professores começaram a ser divulgadas na internet por volta das 16 horas do dia 18 de Julho sem a autoridade competente do Ministério da Educação – a Direcção-Geral da Administração Escolar – as ter oficializado. Durante horas, milhares de docentes não souberam se a informação que lhes chegava – informação com enormes consequências para a sua vida pessoal e profissional – era verídica ou não. Muitos procuraram desesperadamente aceder aos ficheiros que começaram a circular livremente no ciberespaço. Cerca de uma hora após a fuga de informação, os órgãos de comunicação começaram a divulgar a informação presente nas listas.

  • Leia este artigo na íntegra na edição impressa desta semana.