Irresponsabilidade

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No dia 29 de Fevereiro, Sábado, a directora-geral da Saúde, Maria da Graça Gregório de Freitas, previa em entrevista ao semanário ‘Expresso’ que Portugal viria a ter um milhão de portugueses infectados pelo novo Coronavírus. Segundo a directora-geral, “os estudos realizados estimam que 80% do total de infectados vão ter doença ligeira a moderada”, 20% terão doença mais grave e apenas 5% uma evolução crítica. Neste cenário, a taxa de mortalidade será à volta de 2,3% e 2,4%”.

Uma pessoa ouve a directora-geral da Saúde dizer uma coisa destas, com tanta certeza e exactidão – e acredita que está a ouvir alguém responsável, que sabe o que afirma e está ciente das consequências da afirmação. Perspectiva gravíssima: um milhão de infectados quer dizer corrida aos medicamentos, farmácias com stocks esgotados, centros de saúde com filas à porta vinte e quatro horas por dia, hospitais a rebentar pelas costuras, médicos e enfermeiros sem darem vazão, corredores de enfermarias pejados de doentes a gemer, milhares e milhares de empresas paralisadas, serviços públicos suspensos, o caos. Uma perspectiva a fazer lembrar a grande peste negra de 1346-1348, que precipitou a revolução da nobreza insatisfeita e da burguesia emergente, com João das Regras, o Mestre de Avis e o Condestável Nuno Álvares Pereira – ou, pelo menos, com a gravidade social do surto pestífero de 1569, que só em Lisboa matou 60 mil pessoas, à razão de mais de meio milhar por dia, quando Portugal era a placa giratória do mundo global de então.

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